O Conselho Monetário Nacional do Brasil (NMC) proibiu oficialmente 27 plataformas de mercados de previsão, incluindo Kalshi e Polymarket, através da Resolução n.º 5,298, impedindo contratos derivados baseados em acontecimentos não económicos, como desportos, eleições políticas e resultados culturais. O regulador das telecomunicações Anatel foi instruído a encerrar os domínios das plataformas afetadas no final de abril de 2026, tornando-as inacessíveis dentro do Brasil. O governo caracteriza estas plataformas como esquemas de jogo disfarçados de instrumentos financeiros.
A administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribui o aumento da dívida das famílias, em parte, a jogos de azar online não regulamentados. O Ministro das Finanças, Dario Durigan, salientou que a proibição tem como objetivo proteger as poupanças dos cidadãos e travar o aumento da dívida das famílias. Segundo Durigan, os mercados de previsão baseados em eleições, desportos e eventos culturais contrariam a regulamentação e não têm supervisão federal.
O Secretário de Reformas Económicas, Regis Dudena, afirmou que estas plataformas operam numa “zona cinzenta” que não tem proteção ao consumidor e contorna as regulamentações aprovadas pelo Congresso. O Banco Central do Brasil enfatizou que estas plataformas contornam quadros financeiros autorizados, podendo ameaçar a estabilidade e a transparência do sistema financeiro nacional. O Chefe do Gabinete Presidencial, Miriam Belchior, afirmou que a proibição tem como objetivo proteger as famílias da exposição a práticas prejudiciais.
A resolução do NMC estabelece um limite claro entre a negociação financeira e o que o governo caracteriza como “jogo disfarçado de finanças”. Os contratos derivados estão agora limitados a referenciais económicos e financeiros previamente definidos, incluindo índices de preços (como taxas de inflação), taxas de juro e taxas de câmbio. A negociação em derivados permitidos continua legal apenas se for realizada por empresas autorizadas pelo Banco Central do Brasil (BCB) e em conformidade com regulamentações secundárias rigorosas.
A Polymarket foi bloqueada por oferecer contratos binários de eventos sem licença. A Kalshi foi incluída no bloqueio devido a novas restrições sobre contratos de eventos não financeiros, apesar de ter recentemente feito parceria com a corretora brasileira XP International em março de 2026.
Especialistas da indústria e críticos destacam desvantagens significativas relacionadas com o foco do governo brasileiro na proteção. Alertam que uma proibição tão ampla sufoca um setor de finanças digitais em crescimento que poderia oferecer ferramentas de cobertura únicas e dados cruciais para previsões. Proibir plataformas regulamentadas como a Kalshi, que fez parceria com uma corretora local, pode igualmente levar os utilizadores para plataformas offshore ainda menos transparentes.
A Cryptopolitan nota que a perda destes mercados de previsão pode afetar a inteligência de mercado durante eventos críticos como eleições, uma vez que os mercados de previsão são frequentemente valorizados pela sua capacidade de agregar informação com mais precisão do que as sondagens tradicionais.
A abordagem do Brasil coloca-o ao lado da Colômbia e da Argentina ao classificar os mercados de previsão como jogo não regulamentado e não como negociação financeira. No entanto, as abordagens regulamentares do Brasil e dos Estados Unidos em relação aos mercados de previsão divergiram significativamente em 2026, movendo-se em direções opostas quanto à legalidade dos contratos de eventos não económicos.
O CMN do Brasil adotou uma abordagem restritiva e categórica que, na prática, proíbe mercados de previsão baseados em eventos. Em contraste, a Comissão de Negociação de Futuros de Mercadorias dos EUA (CFTC) passou para um quadro mais permissivo, embora altamente regulamentado, em 2026, sob a presidência de Michael Selig. A CFTC classifica os contratos de eventos como “swaps” ao abrigo do Commodity Exchange Act (CEA) porque o seu valor depende de acontecer um evento.
Em 4 de fevereiro de 2026, a CFTC retirou uma proposta anterior de 2024 que teria proibido categoricamente contratos sobre eleições e desportos como “jogo”. A Comissão agora considera os desportos e certos contratos políticos como permissíveis para negociação em plataformas autorizadas como a Kalshi. Em 12 de março de 2026, a CFTC emitiu uma nova Advanced Notice of Proposed Rulemaking (ANPRM) para estabelecer normas para estes mercados, em vez de os proibir. O único requisito é que as plataformas de previsão cumpram princípios rigorosos quanto à manipulação de mercado e proteção das transações.
Que plataformas foram proibidas pela Resolução n.º 5,298 do NMC do Brasil?
O Brasil proibiu 27 plataformas de mercados de previsão, incluindo Kalshi e Polymarket. De acordo com a resolução, estas plataformas foram proibidas de oferecer contratos derivados baseados em eventos não económicos, como desportos, eleições políticas e resultados culturais.
Por que razão o Brasil proibiu estes mercados de previsão?
A administração de Lula atribui o aumento da dívida das famílias, em parte, a jogos de azar online não regulamentados e enquadra os mercados de previsão como esquemas de jogo disfarçados de instrumentos financeiros. O Ministro das Finanças Durigan salientou que a proibição tem como objetivo proteger as poupanças dos cidadãos e travar o aumento da dívida das famílias. O governo afirmou que estas plataformas contornam quadros financeiros autorizados e não têm supervisão federal.
Que tipos de negociação de derivados permanecem legais no Brasil após a proibição?
De acordo com a resolução do NMC, os contratos derivados continuam legais apenas se estiverem associados a referenciais económicos aprovados, como taxas de câmbio, taxas de juro ou índices de preços como taxas de inflação, e apenas se forem realizados por empresas autorizadas pelo Banco Central do Brasil (BCB), em conformidade com regulamentações secundárias rigorosas.
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