A protesto nacional desencadeado pelo colapso económico do Irão já dura três semanas, causando pelo menos 544 mortes. As autoridades de Teerão implementaram bloqueios rigorosos na internet para impedir a propagação dos protestos. A SpaceX, de Elon Musk, ativou o serviço Starlink, tentando fornecer uma via de comunicação independente para o país. No entanto, esta ação enfrentou uma forte contra-medida técnica, com o governo iraniano a usar interferidores militares para bloquear os sinais dos satélites.
Onda de protestos no Irão e o corte total de internet
O governo iraniano implementou um bloqueio de internet extremamente rigoroso devido aos protestos anti-governo em todo o país (envolvendo colapso económico, inflação, pedidos de mudança de regime), com o tráfego de rede a cair para menos de 1% dos níveis normais, afetando também comunicações móveis e chamadas internacionais. Este é um dos bloqueios digitais mais severos dos últimos anos no Irão, com o objetivo de impedir a organização dos manifestantes, a disseminação de informações e a comunicação com o exterior. Atualmente, os protestos estendem-se por 31 províncias e mais de 100 cidades, tendo causado cerca de 544 mortes e mais de 10.000 detenções, segundo relatos.
Elon Musk ativa o Starlink para ajuda
Vários meios de comunicação internacionais relataram que Elon Musk e a SpaceX ativaram discretamente o serviço Starlink sobre o Irão durante o corte de internet, oferecendo supostamente ligações gratuitas durante os protestos, como uma “linha de vida” para os manifestantes.
Diante da vulnerabilidade de infraestruturas de rede terrestre controladas ou destruídas, os sistemas de comunicação por satélite em órbita baixa (Low Earth Orbit, LEO), como o Starlink, demonstram um valor estratégico único. Diferentemente dos satélites tradicionais em órbita geoestacionária, os satélites LEO oferecem baixa latência e alta cobertura, podendo fornecer conectividade sem depender de cabos de fibra ou torres terrestres, conectando diretamente os terminais no solo. No caso do Irão, apesar das dificuldades na obtenção de equipamentos de receção (antenas) e dos desafios legais e técnicos, como interferências de espectro pelo governo, o Starlink conseguiu fornecer canais de comunicação de emergência em algumas regiões.
O Irão usa interferidores militares para paralisar o Starlink
Ao contrário do passado, o governo iraniano implantou um sistema de interferência de rádio militar altamente preciso.
Anteriormente, o Irão costumava interferir nos sinais GPS para enganar drones, mas desta vez os especialistas detectaram que o ataque visava as ligações uplink e downlink do Starlink. Isto significa que os interferidores não apenas geram ruído, mas cobrem precisamente as bandas Ku e Ka. Dados indicam que a taxa de perda de pacotes (Packet Loss) do Starlink em algumas áreas do Irão atingiu entre 30% e 80%. Além disso, as forças de segurança iranianas usaram dispositivos de interferência móvel de alta potência montados em camiões, capazes de se deslocar rapidamente para zonas de protesto, criando “buracos negros de sinal” locais, impedindo que os terminais do Starlink sincronizem com os satélites.
Os casos de corte de internet no Irão e de interferência no Starlink mudaram profundamente a perceção do mercado sobre a “Resiliência de Comunicação”. Esta guerra de comunicação não é apenas um reflexo da política regional, mas também destaca o valor estratégico das infraestruturas de comunicação na geopolítica moderna e nos riscos assimétricos.
Este artigo, intitulado “Protestos intensificam corte de internet no Irão, Starlink de Musk sofre interferência militar”, foi originalmente publicado na ABMedia, do Chain News.