A legislação sobre stablecoins na Coreia do Sul encontra-se bloqueada, com bancos e reguladores em impasse, levando à saída de fundos do mercado e à perda da oportunidade de se tornar um centro de criptomoedas na Ásia.
(Resumindo: a Coreia do Sul planeja restringir a participação acionária dos quatro maiores exchanges de ativos virtuais, o que pode levar a uma grande reforma na governança do Upbit, Bithumb ou ambos)
(Complemento de contexto: Guerra interna dos stablecoins na Coreia do Sul: projeto de lei entre o Banco Central e a Comissão de Serviços Financeiros, Seul está perdendo a oportunidade de lançamento)
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Quando o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, tomou posse em junho, afirmou que “vincular stablecoins ao won para recuperar a soberania monetária”, mas com o fim do ano se aproximando, a Lei Básica de Ativos Digitais ainda está na comissão do parlamento, e o plano de stablecoins na Coreia do Sul entrou em impasse.
A causa do atraso na legislação é quem detém o direito de cunhar moedas. O Banco da Coreia propôs um limite de “51% de participação acionária majoritária”, exigindo que a entidade emissora de stablecoins seja controlada por bancos, para garantir combate à lavagem de dinheiro e estabilidade financeira. A Comissão de Serviços Financeiros, por sua vez, opõe-se ao monopólio bancário, defendendo que empresas de tecnologia também possam emitir moedas sob rigorosas normas de reserva. As duas partes não cedem, impedindo que o partido governista conclua a legislação neste ano, congelando o progresso.
Mesmo que o projeto seja aprovado no próximo ano, será uma das versões mais severas do mundo. O texto estabelece uma “regra de reserva de 100%”, exigindo que a emissão seja suportada por depósitos bancários ou títulos do governo de valor equivalente ou superior, além de exigir custódia por terceiros bancos e proibir o pagamento de juros aos detentores. O governo também planeja criar barreiras comerciais digitais; para que stablecoins estrangeiras ofereçam serviços de pagamento, será necessário estabelecer uma filial no país e estar sujeito à regulamentação local. O objetivo oficial é preservar a soberania financeira, mas as altas barreiras elevam os custos de entrada de capitais e tecnologias estrangeiras.
O mercado não espera por negociações burocráticas. Sem canais regulados para stablecoins em won, cerca de 115 bilhões de dólares saíram para plataformas estrangeiras neste ano. Gigantes de tecnologia como Kakao e Naver tiveram seus planos de pagamento com blockchain também suspensos; bancos tradicionais, por não terem uma base legal clara, evitam testar projetos piloto. A notícia de que Do Kwon, fundador da Terraform Labs, foi condenado a 15 anos nos EUA e pode retornar à Coreia para cumprir a pena reforça a postura dos reguladores de “preferir errar devagar do que cometer erros”.
A força do dólar, impulsionada pelo governo Trump, já pressionou bastante as economias vizinhas. A Coreia do Sul tinha uma oportunidade de criar uma nova infraestrutura de pagamento com stablecoins vinculadas ao won, diversificando a dependência do dólar. Agora, com a legislação atrasada por pelo menos um ano, capitais e tecnologias estão buscando outros mercados, e a posição de centro de criptomoedas na Ásia está se afastando gradualmente. Se o Banco da Coreia e a Comissão de Serviços Financeiros não conseguirem se integrar em breve, a Coreia do Sul poderá acabar em uma situação de duplo prejuízo na corrida pelo domínio financeiro digital.