O que é que a plataforma de previsão de mercado Polymarket realmente fez?
O que inicialmente pensou? — Usar dinheiro para ver se as suas previsões estão certas
Caros leitores, imaginem um “casino” assim: aqui não se aposta no resultado de jogos, nem se adivinha o tamanho de cartas, mas sim as pessoas usam dinheiro de verdade para prever “como o mundo vai evoluir”.
“Até ao final de outubro, Elon Musk vai completar a funcionalidade de pagamento na plataforma X?” “Este ano, o Federal Reserve vai cortar juros mais de 75 pontos base?” “A bilheteira do primeiro fim de semana de um filme popular vai ultrapassar os 500 milhões de dólares?”
Este casino especial é o nosso protagonista de hoje — Polymarket. Mas não se precipitem, rotulá-lo simplesmente de “casino” pode ser demasiado simplista, até injusto. Na essência, a Polymarket é um mercado de previsão de informação descentralizado, construído sobre blockchain.
De forma simples: é um “oráculo global de eventos” onde se aposta com dinheiro.
Como é que ele “joga”? — Como comprar ações, mas a apostar no “resultado”
A operação da Polymarket é bastante intuitiva — cria-se um “mercado” para eventos quentes.
Por exemplo, “A seleção brasileira consegue ganhar a Taça do Mundo de 2026?” Este mercado terá duas opções: “Sim” e “Não”. Cada opção funciona como uma ação, com preços a oscilar entre 0 e 1 dólar, representando a probabilidade de o evento acontecer, segundo o mercado. Se acreditas firmemente que o Brasil vai ganhar, podes comprar “Sim”. Suponhamos que o preço atual de “Sim” é 0,6 dólares (ou seja, o mercado acha que há 60% de hipóteses). Com 60 dólares, compras 100 ações de “Sim”. Se o Brasil realmente ganhar, cada ação de “Sim” será liquidada a 1 dólar, e as tuas 100 ações valem 100 dólares, com um lucro de 40 dólares. Por outro lado, se a tua previsão estiver errada, e o preço de “Sim” cair a zero, o teu investimento perde tudo.
Além disso, durante todo o processo, podes a qualquer momento, com base em notícias, intuição ou outras informações, comprar ou vender estas “ações de probabilidade”, tal como negocias ações, e obter lucros.
O mais importante é que todas estas transações são feitas com criptomoedas, registadas na blockchain, de forma pública, transparente e imutável. É como um “inquérito de opinião” global, contínuo, expresso em dinheiro, cujo preço reflete a inteligência coletiva de milhares de pessoas, muitas vezes mais preciso do que os especialistas tradicionais na previsão de eventos.
Como é que ela ganha dinheiro? — Ganhar dinheiro é o seu maior objetivo
**1. Modelo de taxas: **A plataforma cobra uma comissão sobre os lucros dos traders, sendo esta a sua principal e mais estável fonte de rendimento. Quando um utilizador aposta num mercado de previsão e acaba por lucrar, a plataforma retira cerca de 1 a 2% do valor ganho, como comissão.
2. Cobrança única aos criadores de mercados: Se um utilizador quiser lançar um novo tema de previsão (um novo mercado), tem de pagar uma taxa fixa. Isto gera receita direta e, ao mesmo tempo, cria uma barreira económica pequena, filtrando pedidos de criação e garantindo a qualidade do conteúdo.
De crescimento selvagem a regulação: a trajetória pioneira e a intervenção regulatória da Polymarket
Oportunidades e caos coexistem — quando a “previsão” ultrapassa limites morais
Nos primeiros tempos, a principal atração da Polymarket era a ideia de que “tudo pode ser previsto”. Essa liberdade extrema rapidamente gerou mercados que andavam na fronteira da moralidade e da legalidade. Entre os mais controversos, estavam aqueles relacionados com segurança pessoal e tragédias de saúde pública.
Por exemplo, houve mercados temporários sobre “uma figura pública vai sofrer um acidente” ou “um vírus mortal vai infectar um número específico de pessoas antes de uma data”. Uma vez criados, esses mercados permitiam que os participantes lucrassem com a infelicidade ou até a morte de outros. Isto provocou uma onda de indignação pública e de atenção regulatória.
Do ponto de vista legal, esses mercados violam pelo menos três tabus:
Violação da ordem pública e dos bons costumes: Qualquer sociedade civilizada baseia-se na manutenção da ordem pública e dos bons costumes. Apostar na vida ou saúde de terceiros não só é frio, como pode gerar riscos morais graves (por exemplo, alguém pode deliberadamente provocar uma tragédia para lucrar). Isto ultrapassa o âmbito da inovação financeira e atinge limites que a lei deve proteger.
Exposição nua do caráter de “jogo de azar”: Quando o objeto da previsão está ligado ao interesse público ou à segurança das pessoas, a justificação da “agregação de informação” da Polymarket é completamente desfeita. Para os reguladores, isto não é “previsão”, mas uma “aposta” nua e crua na maldade humana, semelhante a um jogo ilegal.
Desastre de relações públicas: Quando estes mercados são expostos pela mídia, geram uma enorme onda de opinião pública negativa. Isto obriga as autoridades reguladoras a agir rapidamente, deixando de lado a postura de “observar a tecnologia emergente”. A CFTC (Comissão de Futuros de Commodities dos EUA), por exemplo, não pode mais ficar à margem, alegando que é apenas uma observadora.
Quando a Polymarket começou a ter mercados que desafiam os limites sociais, como os relacionados com segurança pessoal, a sua “crescimento selvagem” tocou numa fronteira invisível. Estes mercados não só suscitaram forte questionamento público, como também refletiram, numa espécie de espelho, as responsabilidades sociais e o enquadramento legal que a inovação Web3 deve enfrentar na realidade.
1. Intervenção regulatória: definir limites para a inovação
Estas ações de transgressão levaram as autoridades a agir. Apesar de a Polymarket estar na blockchain e defender a sua “descentralização”, o seu núcleo operacional — uma equipa identificável e os contratos financeiros que oferece — tornam-na inevitavelmente alvo de regulação.
A visão das autoridades é clara: por mais que a tecnologia evolua, a essência das atividades financeiras permanece igual.
Quando uma atividade envolve angariação pública de fundos, transações semelhantes a futuros ou opções, e interessa ao público em geral, ela deve estar sob o olhar da regulação financeira existente. Assim, garante-se a justiça, a transparência e a prevenção de fraudes ou riscos sistémicos. A intervenção regulatória não visa impedir a inovação, mas estabelecer regras necessárias para que esta “exploração” seja segura e responsável.
2. Caminho para a conformidade: de “laboratório de testes” a “força regular”
Diante da pressão regulatória, a Polymarket não recua, mas transforma-se.
As autoridades indicam um caminho claro: para continuar a operar legalmente, é preciso seguir os padrões tradicionais do mercado financeiro, solicitar licenças e integrar-se na supervisão. Isto implica uma transformação profunda da plataforma:
Implementar mecanismos rigorosos de validação de objetos: eliminar temas ilegais, imorais ou suscetíveis de manipulação, garantindo a conformidade do conteúdo.
Construir medidas de proteção ao investidor: incluindo anti-lavagem de dinheiro, “conheça o seu cliente” (KYC), e sistemas de controlo de transações, para proteger os participantes de fraudes.
Aumentar a transparência e fiabilidade operacional: como entidade regulada, a plataforma deve cumprir requisitos elevados de divulgação de informação e de funcionamento.
Esta “regulamentação” é, na prática, uma forma de “reinsar” o cavalo selvagem da inovação, guiando-o por uma via que preserve a estabilidade financeira e os direitos dos consumidores.
3. Lições que a plataforma Polymarket nos traz
A trajetória da Polymarket mostra claramente que a ideia de “código é lei” na comunidade é difícil de concretizar na prática. A tecnologia “disruptiva” não significa que ela possa estar naturalmente num vazio regulatório.
O verdadeiro desafio e oportunidade residem em integrar proativamente a conformidade na arquitetura descentralizada. A inovação sustentável não é procurar brechas nas regras, mas explorar como, cumprindo os princípios legais existentes, a blockchain pode melhorar eficiência, transparência e inclusão, contribuindo de forma real para a sociedade.
Para isso, os projetos devem desde o início ter uma forte consciência dos riscos legais, considerando a conformidade como uma premissa de design, e não uma correção posterior.
Lições da plataforma Polymarket — de reação passiva a adoção proativa
Para plataformas de previsão de mercado com ambição global, o caso da Polymarket e da CFTC é uma lição cara, mas fundamental: mostra que, no atual ambiente regulatório mundial, a capacidade de conformidade deixou de ser um custo e passou a ser uma barreira competitiva e de sobrevivência essencial.
A inovação sustentável não é procurar brechas nas regras, mas explorar como, cumprindo os princípios legais, a blockchain pode melhorar eficiência, transparência e inclusão, contribuindo de forma real para a sociedade. Para equipas com forte base tecnológica e visão global, três caminhos de conformidade podem ajudar a equilibrar inovação e regulação:
1. Conformidade prévia: incorporar o DNA regulatório no design do produto e na narrativa comercial
“Desenvolver primeiro, regular depois” é uma abordagem arriscada. Quando a regulação chega, as mudanças podem ser dispendiosas — como retirar mercados principais ou reestruturar sistemas de KYC. Assim, o investimento preventivo em conformidade é mais barato e mais eficaz.
Qual é a natureza jurídica do token: é uma ferramenta funcional ou um valor mobiliário? Desde o white paper, deve-se projetar cuidadosamente o token para evitar a classificação de valor mobiliário, preparando argumentos jurídicos sólidos para possíveis questionamentos.
Planeamento de fluxo de utilizadores e dados: na arquitetura, deve-se antecipar requisitos de conformidade, como identificação de utilizadores por jurisdição, restrições de acesso, armazenamento e proteção de dados, de modo a evitar “remendos” posteriores.
Reformulação do valor: construir uma narrativa positiva e responsável, apresentando a plataforma como uma ferramenta de inovação com valor social, destacando a “descoberta de informação” e o “risco de cobertura” como elementos de gestão de risco, para integrar a plataforma na infraestrutura financeira mais ampla e reforçar a sua legitimidade.
2. Compreender profundamente a lógica regulatória e comunicar ativamente: ultrapassar a barreira narrativa
A linguagem do Web3 e as preocupações regulatórias têm uma lacuna natural. As equipas devem aprender a falar a língua das autoridades, explicando o seu negócio de forma compreensível.
Traduzir o modelo de negócio, responder às preocupações regulatórias: as autoridades querem proteger investidores, garantir a integridade do mercado, combater lavagem de dinheiro e manter a estabilidade financeira. Assim, em vez de dizer “somos um mercado descentralizado”, deve-se explicar: “Somos uma plataforma de informação que usa blockchain e incentivos económicos para agregar inteligência coletiva, com mecanismos internos (KYC, monitorização de transações, revisão de mercados) que garantem justiça e conformidade.” Assim, conecta-se a inovação às preocupações regulatórias.
Procurar clareza regulatória e comunicar estrategicamente: obter pareceres jurídicos especializados, que analisem o modelo de negócio, ajuda a criar uma base sólida de gestão de risco e a demonstrar uma postura de boa-fé às autoridades. Submeter documentos explicativos às entidades reguladoras, de forma transparente e honesta, reforça a confiança e evita ações inesperadas.
Explorar “sandbox” regulatórios: participar em programas de testes de inovação financeira em jurisdições como Singapura, Emirados Árabes ou Reino Unido, permite testar produtos em ambientes controlados, estabelecer diálogo direto com reguladores e ajustar estratégias de conformidade.
3. Apoio global em conformidade: seu parceiro estratégico
O escritório Mankun Law é especializado em soluções regulatórias para projetos Web3. Compreendemos os desafios de equipas tecnológicas chinesas no mercado global e oferecemos serviços sob medida:
Mapa regulatório global e arquitetura jurídica: análise das posições regulatórias de países como EUA, Singapura, Hong Kong, UE, BVI, ajudando a desenhar estruturas jurídicas eficientes (fundação, entidades operacionais, etc.) para lidar com diferentes requisitos e otimizar impostos.
Construção e implementação de sistemas de conformidade: incluindo, mas não se limitando a, AML/CFT, KYC, seleção de fornecedores de KYC compatíveis, políticas anti-lavagem e anti-financiamento do terrorismo, garantindo o cumprimento das normas internacionais.
Comunicação e representação regulatória: com profundo conhecimento das regulações na China, EUA e Europa, podemos atuar como interlocutores junto de autoridades, preparando materiais, simulando perguntas e acompanhando reuniões, para que a inovação seja bem compreendida e a conformidade seja percebida como prioridade.
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Por que é que a plataforma de previsão de mercado Polymarket está sob supervisão regulatória?
O que é que a plataforma de previsão de mercado Polymarket realmente fez?
O que inicialmente pensou? — Usar dinheiro para ver se as suas previsões estão certas
Caros leitores, imaginem um “casino” assim: aqui não se aposta no resultado de jogos, nem se adivinha o tamanho de cartas, mas sim as pessoas usam dinheiro de verdade para prever “como o mundo vai evoluir”.
“Até ao final de outubro, Elon Musk vai completar a funcionalidade de pagamento na plataforma X?” “Este ano, o Federal Reserve vai cortar juros mais de 75 pontos base?” “A bilheteira do primeiro fim de semana de um filme popular vai ultrapassar os 500 milhões de dólares?”
Este casino especial é o nosso protagonista de hoje — Polymarket. Mas não se precipitem, rotulá-lo simplesmente de “casino” pode ser demasiado simplista, até injusto. Na essência, a Polymarket é um mercado de previsão de informação descentralizado, construído sobre blockchain.
De forma simples: é um “oráculo global de eventos” onde se aposta com dinheiro.
Como é que ele “joga”? — Como comprar ações, mas a apostar no “resultado”
A operação da Polymarket é bastante intuitiva — cria-se um “mercado” para eventos quentes.
Por exemplo, “A seleção brasileira consegue ganhar a Taça do Mundo de 2026?” Este mercado terá duas opções: “Sim” e “Não”. Cada opção funciona como uma ação, com preços a oscilar entre 0 e 1 dólar, representando a probabilidade de o evento acontecer, segundo o mercado. Se acreditas firmemente que o Brasil vai ganhar, podes comprar “Sim”. Suponhamos que o preço atual de “Sim” é 0,6 dólares (ou seja, o mercado acha que há 60% de hipóteses). Com 60 dólares, compras 100 ações de “Sim”. Se o Brasil realmente ganhar, cada ação de “Sim” será liquidada a 1 dólar, e as tuas 100 ações valem 100 dólares, com um lucro de 40 dólares. Por outro lado, se a tua previsão estiver errada, e o preço de “Sim” cair a zero, o teu investimento perde tudo.
Além disso, durante todo o processo, podes a qualquer momento, com base em notícias, intuição ou outras informações, comprar ou vender estas “ações de probabilidade”, tal como negocias ações, e obter lucros.
O mais importante é que todas estas transações são feitas com criptomoedas, registadas na blockchain, de forma pública, transparente e imutável. É como um “inquérito de opinião” global, contínuo, expresso em dinheiro, cujo preço reflete a inteligência coletiva de milhares de pessoas, muitas vezes mais preciso do que os especialistas tradicionais na previsão de eventos.
Como é que ela ganha dinheiro? — Ganhar dinheiro é o seu maior objetivo
**1. Modelo de taxas: **A plataforma cobra uma comissão sobre os lucros dos traders, sendo esta a sua principal e mais estável fonte de rendimento. Quando um utilizador aposta num mercado de previsão e acaba por lucrar, a plataforma retira cerca de 1 a 2% do valor ganho, como comissão.
2. Cobrança única aos criadores de mercados: Se um utilizador quiser lançar um novo tema de previsão (um novo mercado), tem de pagar uma taxa fixa. Isto gera receita direta e, ao mesmo tempo, cria uma barreira económica pequena, filtrando pedidos de criação e garantindo a qualidade do conteúdo.
De crescimento selvagem a regulação: a trajetória pioneira e a intervenção regulatória da Polymarket
Oportunidades e caos coexistem — quando a “previsão” ultrapassa limites morais
Nos primeiros tempos, a principal atração da Polymarket era a ideia de que “tudo pode ser previsto”. Essa liberdade extrema rapidamente gerou mercados que andavam na fronteira da moralidade e da legalidade. Entre os mais controversos, estavam aqueles relacionados com segurança pessoal e tragédias de saúde pública.
Por exemplo, houve mercados temporários sobre “uma figura pública vai sofrer um acidente” ou “um vírus mortal vai infectar um número específico de pessoas antes de uma data”. Uma vez criados, esses mercados permitiam que os participantes lucrassem com a infelicidade ou até a morte de outros. Isto provocou uma onda de indignação pública e de atenção regulatória.
Do ponto de vista legal, esses mercados violam pelo menos três tabus:
Quando a Polymarket começou a ter mercados que desafiam os limites sociais, como os relacionados com segurança pessoal, a sua “crescimento selvagem” tocou numa fronteira invisível. Estes mercados não só suscitaram forte questionamento público, como também refletiram, numa espécie de espelho, as responsabilidades sociais e o enquadramento legal que a inovação Web3 deve enfrentar na realidade.
1. Intervenção regulatória: definir limites para a inovação
Estas ações de transgressão levaram as autoridades a agir. Apesar de a Polymarket estar na blockchain e defender a sua “descentralização”, o seu núcleo operacional — uma equipa identificável e os contratos financeiros que oferece — tornam-na inevitavelmente alvo de regulação.
A visão das autoridades é clara: por mais que a tecnologia evolua, a essência das atividades financeiras permanece igual.
Quando uma atividade envolve angariação pública de fundos, transações semelhantes a futuros ou opções, e interessa ao público em geral, ela deve estar sob o olhar da regulação financeira existente. Assim, garante-se a justiça, a transparência e a prevenção de fraudes ou riscos sistémicos. A intervenção regulatória não visa impedir a inovação, mas estabelecer regras necessárias para que esta “exploração” seja segura e responsável.
2. Caminho para a conformidade: de “laboratório de testes” a “força regular”
Diante da pressão regulatória, a Polymarket não recua, mas transforma-se.
As autoridades indicam um caminho claro: para continuar a operar legalmente, é preciso seguir os padrões tradicionais do mercado financeiro, solicitar licenças e integrar-se na supervisão. Isto implica uma transformação profunda da plataforma:
Esta “regulamentação” é, na prática, uma forma de “reinsar” o cavalo selvagem da inovação, guiando-o por uma via que preserve a estabilidade financeira e os direitos dos consumidores.
3. Lições que a plataforma Polymarket nos traz
A trajetória da Polymarket mostra claramente que a ideia de “código é lei” na comunidade é difícil de concretizar na prática. A tecnologia “disruptiva” não significa que ela possa estar naturalmente num vazio regulatório.
O verdadeiro desafio e oportunidade residem em integrar proativamente a conformidade na arquitetura descentralizada. A inovação sustentável não é procurar brechas nas regras, mas explorar como, cumprindo os princípios legais existentes, a blockchain pode melhorar eficiência, transparência e inclusão, contribuindo de forma real para a sociedade.
Para isso, os projetos devem desde o início ter uma forte consciência dos riscos legais, considerando a conformidade como uma premissa de design, e não uma correção posterior.
Lições da plataforma Polymarket — de reação passiva a adoção proativa
Para plataformas de previsão de mercado com ambição global, o caso da Polymarket e da CFTC é uma lição cara, mas fundamental: mostra que, no atual ambiente regulatório mundial, a capacidade de conformidade deixou de ser um custo e passou a ser uma barreira competitiva e de sobrevivência essencial.
A inovação sustentável não é procurar brechas nas regras, mas explorar como, cumprindo os princípios legais, a blockchain pode melhorar eficiência, transparência e inclusão, contribuindo de forma real para a sociedade. Para equipas com forte base tecnológica e visão global, três caminhos de conformidade podem ajudar a equilibrar inovação e regulação:
1. Conformidade prévia: incorporar o DNA regulatório no design do produto e na narrativa comercial
“Desenvolver primeiro, regular depois” é uma abordagem arriscada. Quando a regulação chega, as mudanças podem ser dispendiosas — como retirar mercados principais ou reestruturar sistemas de KYC. Assim, o investimento preventivo em conformidade é mais barato e mais eficaz.
2. Compreender profundamente a lógica regulatória e comunicar ativamente: ultrapassar a barreira narrativa
A linguagem do Web3 e as preocupações regulatórias têm uma lacuna natural. As equipas devem aprender a falar a língua das autoridades, explicando o seu negócio de forma compreensível.
Traduzir o modelo de negócio, responder às preocupações regulatórias: as autoridades querem proteger investidores, garantir a integridade do mercado, combater lavagem de dinheiro e manter a estabilidade financeira. Assim, em vez de dizer “somos um mercado descentralizado”, deve-se explicar: “Somos uma plataforma de informação que usa blockchain e incentivos económicos para agregar inteligência coletiva, com mecanismos internos (KYC, monitorização de transações, revisão de mercados) que garantem justiça e conformidade.” Assim, conecta-se a inovação às preocupações regulatórias.
Procurar clareza regulatória e comunicar estrategicamente: obter pareceres jurídicos especializados, que analisem o modelo de negócio, ajuda a criar uma base sólida de gestão de risco e a demonstrar uma postura de boa-fé às autoridades. Submeter documentos explicativos às entidades reguladoras, de forma transparente e honesta, reforça a confiança e evita ações inesperadas.
Explorar “sandbox” regulatórios: participar em programas de testes de inovação financeira em jurisdições como Singapura, Emirados Árabes ou Reino Unido, permite testar produtos em ambientes controlados, estabelecer diálogo direto com reguladores e ajustar estratégias de conformidade.
3. Apoio global em conformidade: seu parceiro estratégico
O escritório Mankun Law é especializado em soluções regulatórias para projetos Web3. Compreendemos os desafios de equipas tecnológicas chinesas no mercado global e oferecemos serviços sob medida: