Advogado Lin Shanglun escreve artigo: AI se torna desculpa universal para demissões! A coletiva transferência de culpa das empresas de tecnologia

Grandes empresas de tecnologia estão realizando demissões em massa sob a justificativa de "AI substituindo mão de obra", mas do ponto de vista dos usuários de primeira linha, a AI atualmente está longe de ser capaz de assumir completamente trabalhos especializados. A verdadeira razão é que a expansão excessiva e a má alocação de capital durante a pandemia de 2020 a 2022 estão sendo pagas agora; o papel real da AI é como um "acelerador de processos", e não um "substituto totalmente automático". Usar a AI como desculpa para demissões não só gera pânico social, como também distorce o uso correto da AI.
(Contexto anterior: 《Conversas Descontraídas com Silicon Valley》Kenji anuncia sua saída do Phantom Wallet sem aviso! Pelo menos 5-10 anos de descanso, ao ver o dinheiro entrando, já não sente nada)
(Complemento de contexto: Meta com mais de 1500 funcionários assinando protesto! Exigindo reduzir o escopo do "monitoramento de teclado e mouse por AI", permitindo pausas de meia hora diária)

Índice deste artigo

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  • As falhas da lenda da "destilação": a AI ainda não é forte o suficiente para demitir tantas pessoas de uma só vez
  • A verdadeira causa é a má alocação de capital dos últimos anos que está sendo paga
  • Tudo baseado no conceito de "At Will"
  • O papel real da AI: acelerar, não substituir
  • Exemplo: como os principais escritórios de advocacia nos EUA usam AI?
  • Os danos de usar AI como desculpa para demissões
  • Dê à AI uma narrativa honesta

Nos últimos um ou dois anos, grandes empresas de tecnologia têm liderado ondas de demissões surpreendentes. Ajustes estruturais que envolvem milhares ou até dezenas de milhares de funcionários se tornaram quase rotina trimestral dessas companhias. E, a cada rodada, uma palavra-chave comum nas declarações oficiais: AI.

"Estamos usando AI para remodelar nossas organizações." "Vamos alocar a força de trabalho de forma mais inteligente." "Acreditamos que a AI trará um novo paradigma de produtividade." Essas frases são repetidas incessantemente, e versões mais sensacionalistas começam a surgir — por exemplo, uma teoria de que o conhecimento de funcionários experientes está sendo "destilado" em modelos, permitindo que a AI assuma suas tarefas, para que esses funcionários possam ser "despedidos de forma elegante".

Parece futurista. Mas, como advogado que usa há anos as principais ferramentas de AI do setor, eu digo: essa história é altamente questionável.

As falhas da lenda da "destilação": a AI ainda não é forte o suficiente para demitir tantas pessoas de uma só vez

Tenho usado há bastante tempo as tecnologias de AI mais avançadas, especialmente aquelas voltadas para otimizar fluxos de trabalho de advogados. Do ponto de vista do usuário de primeira linha, atualmente a AI não é forte o suficiente para "destilar" um profissional sênior e fazer o modelo assumir suas funções de forma autônoma.

Por quê? Porque o foco da AI hoje não é "substituir pessoas". A ideia de condensar o conhecimento de alguém em um modelo, que então possa gerar resultados profissionais de alta qualidade — isso não acontece na prática. A capacidade atual da AI é, na sua essência, um "acelerador potente": ela ajuda profissionais a organizar dados rapidamente, gerar rascunhos iniciais, comparar grandes volumes de documentos. Mas a decisão final, a estratégia, as conclusões, ainda dependem do julgamento humano.

Se a AI fosse realmente forte o suficiente para substituir milhares de engenheiros, designers, operadores de uma só vez, ela também deveria poder substituir milhares de advogados, contadores, médicos — mas sabemos que isso nunca aconteceu.

Portanto, quando uma empresa diz "por causa da AI, não precisamos mais dessas pessoas", essa narrativa é bastante fraca. Não resiste a uma análise de quem realmente usa AI na linha de frente.

A verdadeira causa é a má alocação de capital dos últimos anos que está sendo paga

Por que essa onda de demissões em massa? Se voltarmos ao período de 2020 a 2022, qual era o cenário? Uma demanda digital explosiva causada pela pandemia levou todas as grandes empresas de tecnologia a expandir suas equipes freneticamente. Não era exceção que o número de funcionários dobrasse ou triplicasse em poucos anos. Simultaneamente, histórias de "próximos dez anos" — metaverso, Web3, VR/AR, veículos autônomos — eram impulsionadas por investimentos bilionários.

Muitos desses investimentos não retornaram como esperado. O metaverso não chegou como previsto, o mercado de dispositivos VR ficou aquém das expectativas, os prazos para veículos autônomos foram adiados repetidamente, e os benefícios da pandemia começaram a desaparecer com a normalização da vida. Em outras palavras, a onda de demissões atuais é, na sua essência, uma correção por excesso de expansão e apostas equivocadas feitas nos últimos anos, não uma prova de que a AI está substituindo humanos.

As empresas precisam de uma justificativa decente para cortar milhares de pessoas. Dizer "erramos na avaliação" é difícil de admitir; dizer "estamos adotando AI" soa mais bonito — atende às expectativas do mercado de capitais, mantém os preços das ações estáveis e ainda constrói uma imagem de "futuro". Uma jogada inteligente.

Tudo baseado no conceito de "At Will"

Há um aspecto estrutural que os leitores de Taiwan precisam entender especialmente. Nos EUA, sob um sistema altamente capitalista, a maioria dos contratos de trabalho são "At Will" (emprego por vontade). O empregador pode despedir o empregado a qualquer momento, e o empregado pode sair a qualquer momento, sem necessidade de justificativa extensa. Essa flexibilidade é uma característica do sistema.

E em Taiwan? Aqui, contratos "At Will" simplesmente não existem. A maior parte das relações de trabalho são formais, de duração indeterminada ou com regras específicas. Essa relação de trabalho não é fácil de romper: mesmo um funcionário inadequado é difícil de demitir, o custo de demissão é alto, e há o risco de retaliações ou processos judiciais. O processo é complicado.

Por isso, do ponto de vista de Taiwan, essa onda de demissões em massa é, na prática, uma manifestação extrema do sistema "At Will". Para as empresas americanas, essa flexibilidade é uma vantagem competitiva. Mas a questão é: se você tem essa flexibilidade, por que insistir em usar AI como justificativa? Não seria mais honesto admitir que é uma decisão de negócios, uma reorganização, uma correção de avaliações passadas?

O papel real da AI: acelerar, não substituir

A verdadeira força da AI nunca foi substituir, mas acelerar e otimizar os processos existentes.

Mesmo na área de engenharia, onde se acredita que a AI possa impactar mais, muitas grandes empresas já exigem que engenheiros usem AI para escrever código. Mas, após gerar o código com AI, ainda é preciso que o engenheiro faça debugging, revise a arquitetura, julgue se a lógica está correta. A AI torna o trabalho mais eficiente, não o elimina.

Para que todos entendam melhor o papel da AI na prática profissional de primeira linha, posso compartilhar um exemplo de uma firma de advocacia nos EUA com a qual conversei, que já integra AI em seus processos.

Exemplo: como os principais escritórios de advocacia nos EUA usam AI?

Suponha um caso de litígio de patentes, envolvendo uma grande quantidade de documentos técnicos, relatórios de especialistas, provas de infração. Esses arquivos eram lidos manualmente pelos advogados no passado.

Hoje, eles fazem a AI ler tudo primeiro. E o que acontece? A AI marca pontos-chave. Por exemplo, ao perguntar "Quando ocorreu a infração neste caso?", a AI responde com detalhes: quais ações específicas, em quais comunicações, indicam a infração, tudo de uma vez.

Mas atenção: até aqui, a AI só faz "organizar" e "apresentar" os dados. Essas informações preliminares precisam ser revisadas pelos advogados. Cada pergunta, cada investigação, gera uma nova versão do documento organizado — uma reestruturação dos dados brutos de acordo com a necessidade do advogado. Depois, o advogado escreve a argumentação jurídica, com base nesses dados, para montar a petição final.

Ou seja, a AI neste fluxo é um "processador avançado" e um "organizador de dados", mas a decisão de argumentar, de construir a estratégia jurídica, de escolher a linha de ação — tudo ainda depende do julgamento do advogado. Sem a intervenção humana, a AI só produz uma pilha de dados classificados, que não vira uma peça jurídica de verdade.

Essa é a realidade do uso de AI na ponta do setor jurídico hoje. Não é uma ficção de "destilar um advogado e gerar uma petição automaticamente", mas sim uma ferramenta que liberta o profissional de tarefas repetitivas, permitindo que ele se concentre na análise mais complexa e na tomada de decisão.

Os danos de usar AI como desculpa para demissões

Usar AI como justificativa para demissões causa, de imediato, uma falsa sensação de pânico. Quando grandes empresas dizem "AI substituiu você", a sociedade passa a acreditar que a AI já é forte o suficiente para assumir todas as funções humanas, gerando ansiedade, divisão geracional, medo do futuro. Essas emoções influenciam escolhas de carreira, educação, e até a percepção geral sobre tecnologia.

Mais problemático ainda, essa narrativa cria expectativas erradas. Pequenas e médias empresas, ao verem notícias de "grandes usando AI para cortar pessoal", pensam que basta adquirir alguns softwares de AI para fazer o mesmo. Mas, na prática, elas descobrem que a AI não substitui ninguém, pelo contrário, exige profissionais mais treinados para operá-la, verificar seus resultados, corrigir erros. A decepção leva ao fracasso na implementação, e a AI passa a ser vista como um problema, não uma solução.

O dano mais profundo é a má utilização da AI. Quando se parte do pressuposto de que AI é um "substituto automático", a interação com ela é mal conduzida: perguntas vagas, expectativas de respostas perfeitas, sem checagem ou questionamento. O resultado é uma produção de conteúdo superficial, que decepciona, e uma perda de confiança na tecnologia. Uma ferramenta que poderia ser poderosa acaba sendo mal interpretada, mal usada, subestimada.

Dê à AI uma narrativa honesta

Não sou contra as demissões de grandes empresas de tecnologia. Sob o sistema At Will, e diante do excesso de expansão dos últimos anos, decisões de reorganização são compreensíveis e justificadas. O mercado também avalia de forma racional.

Porém, não usem a narrativa de "AI substituiu vocês" para justificar uma decisão que, na essência, é uma correção de avaliações passadas, uma reestruturação. E, por favor, parem de inventar histórias como "destilamos talento em modelos", que parecem high-tech, mas na prática não resistem à análise. Isso é injusto com os funcionários — eles não foram demitidos por falta de capacidade, mas por erros de avaliação da própria empresa. E também não é justo com a AI — ela está sendo forçada a desempenhar um papel que ainda não consegue cumprir, carregando uma má reputação que não lhe pertence.

A AI é uma ferramenta importante nesta era. Seu valor real está em potencializar profissionais, reduzir tarefas repetitivas e de baixa eficiência, liberar tempo para decisões que exigem julgamento humano. Ela não deve ser uma arma de desculpas das grandes corporações, nem um escudo para decisões ruins.

Porque — a AI não é tão poderosa assim, mas também não deve ser carregada com esse estigma.

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