Honestamente, as opções pareciam por muito tempo algo complicado para mim, até entender que é simplesmente um contrato que te dá o direito (mas não a obrigação) de comprar ou vender um ativo a um preço fixo até uma data determinada. Acho que a melhor forma de explicar é com um exemplo do cotidiano.



Imagine que você encontrou um apartamento por 200 mil, mas não tem o dinheiro ainda por 3 meses. Você combina com o proprietário: ele te dá o direito de comprá-lo por esse preço durante 3 meses, e você paga 3 mil por esse direito. Agora, dois cenários: ou o apartamento de repente passa a valer um milhão (por exemplo, lá morou Elvis), e você lucra 797 mil. Ou, nele aparecem problemas, e se você comprou uma opção de compra de ações, pode simplesmente desistir — perderá apenas 3 mil. Essa é a essência: direito, mas não obrigação.

As opções se dividem em dois tipos. Call (opção de compra) — se você acha que o preço vai subir. Put (opção de venda) — se espera queda. Existem quatro tipos de participantes: compradores e vendedores de ambos os tipos. Os compradores são chamados de detentores, os vendedores — de escritores. A principal diferença: se você comprou uma opção de compra de ações, pode escolher exercer ou não. Os vendedores, por sua vez, são obrigados a cumprir as condições se você decidir exercer seu direito.

É preciso conhecer alguns termos. Strike price — preço pelo qual você pode comprar/vender. Expiration date — data limite. Premium — preço da própria opção. Se você comprou uma opção de compra de ações, paga um prêmio antecipado — que é sua perda máxima se tudo der errado.

Aqui vai um exemplo prático. 1º de maio, as ações da empresa A valem 67 dólares. Uma opção de compra com preço de exercício de 70 dólares (julho) custa 3,15 dólares. Contrato para 100 ações = 315 dólares. Para obter lucro, as ações precisam subir acima de 73,15 (70 + 3,15). Em três semanas, o preço salta para 78 — o contrato agora vale 825. Seu lucro: 510 dólares em três semanas. Você pode vender a opção e realizar o lucro (chamado de fechamento de posição). Se o preço cair para 62 até a data de vencimento, a opção se torna inútil, e você perderá toda a premiação.

Segundo estatísticas da CBOE, apenas 10% das opções realmente são exercidas. 60% são fechadas por negociação, 30% simplesmente expiram sem valor. A maioria dos traders prefere vender a opção para garantir lucro, ao invés de exercê-la.

O preço da opção é composto por duas partes: valor intrínseco (quanto a opção já está no lucro) e valor temporal (probabilidade de crescimento futuro). Com a aproximação da data de vencimento, o valor temporal cai — isso é chamado de decadência temporal.

Existem opções americanas (podem ser exercidas a qualquer momento até o vencimento) e europeias (apenas no dia do vencimento). A maioria das negociadas são americanas. Há também opções de longo prazo (LEAPS) de 1-2 anos, e opções exóticas com condições não padrão.

Por que as pessoas usam opções? Duas razões principais: especulação e hedge. Especulação — aposta na movimentação do preço. A vantagem é que, se você comprou uma opção de compra, pode lucrar tanto quando o mercado sobe (via call), quanto quando cai (via put). Além disso, alavancagem: com uma opção, você controla 100 ações. O lado negativo é que precisa acertar não só a direção, mas também a magnitude do movimento e o tempo. O risco é maior.

Hedge — é uma proteção para seus investimentos. Quer pegar uma tendência, mas quer se proteger da queda? Uma opção de venda reduz seu risco enquanto você captura toda a alta. Empresas também usam opções para motivar funcionários.

Ao ler cotações de opções, preste atenção ao bid (preço de compra) e ask (preço de venda). A diferença entre eles é o spread, e quanto maior, pior para o trader. Parâmetros importantes: delta (como a opção se move com a ação), gamma (quão rápido delta muda), vega (sensibilidade à volatilidade), teta (perda de valor diária). A volatilidade (IV) mostra a volatilidade esperada — IV alta significa opções caras (bom para vendedores), baixa — baratas (bom para compradores).

Resumindo: opções são uma ferramenta poderosa, mas exigem entendimento. Não é à toa que são consideradas um dos produtos financeiros mais complexos. Mas, se você entender, elas abrem muitas possibilidades de negociação e proteção de carteira.
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