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Aviso do BIS: Exchanges de criptomoedas se tornam "bancos sombra"! Os fundos dos usuários enfrentam riscos sem garantia
Banco de Compensações Internacionais publica relatório, alertando que as exchanges de criptomoedas estão se transformando em “Instituições de Intermediação de Ativos Cripto multifuncionais”, integrando funções de negociação, custódia e operações próprias na ausência de firewalls regulatórios.
De plataformas de negociação a “instituições onipotentes”, MCIs estão borrando as fronteiras financeiras
O Banco de Compensações Internacionais (BIS) publicou recentemente um relatório de 38 páginas, revelando que grandes exchanges de criptomoedas globais estão rapidamente se transformando em “Instituições de Intermediação de Ativos Cripto multifuncionais” (Multifunction Crypto-asset Intermediaries, abreviado como MCIs). Essas instituições, sob uma única estrutura empresarial, altamente integradas, combinam plataformas de negociação, serviços de custódia, negociações próprias, corretagem e emissão de tokens.
O BIS, de propriedade conjunta de 63 bancos centrais ao redor do mundo, enfatiza que esse modelo operacional contraria os princípios tradicionais de isolamento de riscos do mercado financeiro. No sistema financeiro convencional, para evitar conflitos de interesse e propagação de riscos, esses papéis geralmente são divididos em entidades independentes com firewalls rigorosos.
No entanto, as exchanges de criptomoedas tendem a adotar um modelo de integração vertical, vinculando profundamente os fundos dos clientes aos riscos operacionais da própria plataforma. Essa estrutura carece de transparência operacional, além de não possuir requisitos de reserva de capital ou normas de segregação de ativos, tornando essas plataformas efetivamente “bancos sombra” com regulamentação extremamente frouxa.
A verdade por trás dos altos retornos: ativos dos usuários se tornam empréstimos sem garantia
Grandes exchanges de criptomoedas atualmente promovem ativamente produtos de alto rendimento, como “Earn” ou “planos de investimento”, embalados como ferramentas convenientes de renda passiva.
O relatório do BIS afirma claramente que esses produtos de investimento na verdade representam empréstimos sem garantia feitos às plataformas. Quando os usuários depositam ativos criptográficos em troca de uma taxa de retorno, as plataformas geralmente fazem uma “rehypothecation” (recolateralização), reinvestindo esses ativos em atividades de alto risco. Essas atividades incluem empréstimos de margem, negociações alavancadas e fornecimento de liquidez ao mercado.
Sob esse mecanismo, os usuários muitas vezes abrem mão, inconscientemente, da propriedade legal ou controle real de seus ativos. Caso a plataforma enfrente uma crise de liquidez, os usuários assumirão diretamente o risco de inadimplência da própria plataforma, tornando-se credores na última fila de pagamento.
Diferentemente de depósitos tradicionais regulados, esses ativos não possuem proteção de seguro de depósito e não contam com o respaldo de um banco central como credor de última instância. Essa prática de reinvestir ativos de clientes em jogos de alto risco cria uma enorme instabilidade no mercado de ativos digitais.
De colapsos como o da FTX a quebras de US$ 19 bilhões, lições aprendidas
O evento de flash crash de criptomoedas de outubro de 2025 demonstra claramente o poder destrutivo do ciclo de alavancagem. Em apenas 24 horas, impulsionado por choques econômicos globais, o valor liquidado na rede atingiu US$ 19 bilhões. Naquele dia, o Bitcoin ($BTC) caiu mais de 14%, levando cerca de 1,6 milhão de traders a serem liquidados, e o valor de mercado total das criptomoedas evaporou US$ 350 bilhões em um único dia.
O BIS destaca no relatório os casos de colapso da Celsius Network e da FTX, considerados lições clássicas de operações baseadas em alavancagem, promessas pouco transparentes e gestão de risco deficiente. O documento aponta que o sistema de criptomoedas depende fortemente de mecanismos automatizados de liquidação, com a liquidez concentrada em poucas plataformas de grande porte.
Quando a confiança do mercado se desfaz, essa estrutura provoca reações em cadeia violentas. Além disso, à medida que o mercado de criptomoedas se conecta cada vez mais a bancos e emissores de stablecoins, o fracasso desse sistema de bancos sombra pode gerar efeitos de spillover severos para o setor financeiro tradicional mais amplo.
Regulação deficiente e ataques cibernéticos: o caminho de “contágio” da finança descentralizada
A forte integração entre o mercado de criptomoedas e as finanças descentralizadas (DeFi) aumenta ainda mais o risco de contágio. Um exemplo recente foi o ataque ao protocolo KelpDAO. Os atacantes exploraram uma vulnerabilidade, cunharam cerca de 116.500 $rsETH e usaram como garantia para tomar empréstimos em plataformas como Aave, resultando em um déficit de aproximadamente US$ 292 milhões.
Esses incidentes demonstram que uma vulnerabilidade em um único protocolo pode desencadear uma crise de liquidez em todo o ecossistema. Análises de segurança indicam que o ataque está relacionado ao grupo Lazarus, da Coreia do Norte, que em 1,5 dias converteu 75.700 ETH em Bitcoin e gerou cerca de US$ 910 mil em taxas de transação para a plataforma THORChain.
Para enfrentar esses desafios cada vez mais complexos, o BIS recomenda a adoção de um modelo de regulação “dual”, combinando regulação de entidades (Entity-based) e de atividades (Activity-based). As autoridades regulatórias ainda enfrentam dificuldades devido à estrutura jurídica defasada, cooperação transfronteiriça limitada e recursos regulatórios escassos. Sem uma supervisão prudente eficaz e cooperação internacional, os riscos ocultos do mercado de criptomoedas continuarão ameaçando a estabilidade financeira global.