Gennady Zyuganov, líder do Partido Comunista da Rússia, alertou Vladimir Putin em 23 de abril de 2026 sobre o risco de revolução, à medida que a economia da Rússia, atingida pela guerra, enfrenta um desastre financeiro e uma inflação crescente, segundo o Daily Star. Durante um discurso parlamentar, Zyuganov advertiu que, se o Kremlin não mudar imediatamente sua política, o país poderá enfrentar um golpe semelhante à revolução comunista de 1917.
Zyuganov, cujo partido é o segundo maior na Duma, apresentou o que foi descrito como um “ataque veemente” contra as prioridades do governo. Ele alegou que o governo está mais interessado nas opiniões de “influenciadores de Mônaco” do que nas lutas dos cidadãos comuns. Especificamente, ele citou a blogueira sediada em Mônaco Victoria Bonja, que recentemente provocou debate após criticar a repressão do regime à internet em todo o país.
Apesar de ser normalmente um aliado firme de Putin, Zyuganov afirmou: “Estamos fazendo tudo o que podemos para apoiar (President Vladimir) Putin e sua estratégia e políticas, mas vocês (o governo) não estão ouvindo.” Embora tenha sido cuidadoso para evitar ataques diretos ao próprio Putin, ele direcionou as críticas ao banco central e ao partido no poder, cujas taxas de popularidade caíram significativamente.
À medida que a guerra na Ucrânia entra no seu quinto ano, a Rússia enfrenta disparada nos preços dos alimentos, impostos devastadores e inflação descontrolada. A pressão econômica foi agravada por uma série de ataques com drones ucranianos à infraestrutura crítica de petróleo da Rússia. Em abril, a Rússia foi forçada a cortar a produção de petróleo em até 400.000 barris por dia devido a refinarias danificadas e exportações comprometidas. Para uma economia de $3 trilhão dependente das exportações de petróleo da Sibéria, a perda de receita representa um golpe significativo.
Novos dados do instituto de pesquisas FOM ligado ao Kremlin revelam que a taxa de confiança de Putin caiu para 71 por cento, o menor nível em sete anos. Essa queda ocorre apesar dos esforços do regime para suprimir a dissidência e calar manifestantes contra a guerra. Até mesmo Putin foi forçado a admitir que a economia está muito abaixo das expectativas.
Thomas Nilson, chefe do Serviço de Inteligência Militar e de Segurança da Suécia, disse ao Financial Times que a Rússia está “vivendo de tempo emprestado” enquanto gasta dinheiro para financiar sua invasão. Nilson afirmou: “Não é um modelo de crescimento sustentável produzir material para a guerra que então é destruído no campo de batalha.”
Nilson sugeriu que a situação real é pior do que o Kremlin reconhece publicamente, indicando que os dados podem estar sendo manipulados para esconder a verdadeira dimensão da crise tanto do Ocidente quanto do próprio Putin. Ele acrescentou: “Se você criou um sistema como o de Putin, talvez ele não saiba o quão ruim é realmente a situação econômica. Mas mesmo com a informação falsa que ele recebe, no fim das contas você não consegue escapar de tudo isso.”