O bolo dos bancos foi passado? Os bancos americanos pretendem processar o OCC para bloquear licenças de criptomoedas

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Escrito por: ChandlerZ, Foresight News

De acordo com o The Guardian, em 9 de março, o Instituto de Pesquisa de Políticas Bancárias (BPI), uma organização que representa 40 grandes bancos americanos, incluindo JPMorgan, Goldman Sachs e Citibank, está considerando seriamente processar a Office of the Comptroller of the Currency (OCC) dos EUA para impedir que esta conceda licenças de trust banking a empresas de criptomoedas e startups de tecnologia financeira. Se o processo for iniciado, o conflito entre o setor bancário tradicional e a indústria de criptomoedas em relação ao acesso financeiro será oficialmente elevado a uma disputa legal.

83 dias, 11 empresas, uma corrida por licenças

A origem do conflito remonta a dezembro de 2025, quando a OCC aprovou condicionalmente cinco licenças de trust banking para empresas de criptomoedas nativas, incluindo Circle, Ripple, BitGo, Paxos e Fidelity Digital Assets. Foi a primeira vez que uma agência federal concedeu em massa esse tipo de licença a empresas de criptomoedas.

Desde então, uma onda de pedidos começou a surgir rapidamente. Segundo a FinTech Weekly, em 83 dias, 11 empresas solicitaram licenças de trust banking, incluindo Crypto.com, Bridge (subsidiária de stablecoin do Stripe), Zerohash, além de gigantes tradicionais como Morgan Stanley. Em fevereiro de 2026, a Crypto.com recebeu aprovação condicional, apenas cerca de quatro meses após a submissão do pedido.

Mais controverso ainda, uma empresa de criptomoedas ligada à família Trump, a World Liberty Financial, também apresentou um pedido em janeiro deste ano para estabelecer a World Liberty Trust Company, que emitiria diretamente sua stablecoin USD1. A senadora Elizabeth Warren pressionou a OCC sobre questões de participação estrangeira e conflitos de interesse nesse pedido, solicitando a suspensão da aprovação, mas foi rejeitada pelo diretor da OCC, Jonathan Gould.

Crescimento do movimento de oposição

O BPI não é a única voz contra a medida. Atualmente, uma aliança de oposição de múltiplos níveis se formou em torno da política da OCC.

O Conselho de Supervisores Bancários Estaduais (CSBS), que representa os reguladores de 50 estados, adotou uma postura firme. Seu presidente, Brandon Milhorn, declarou publicamente que a OCC está montando uma licença de franquia, transformando uma licença originalmente destinada à gestão fiduciária em uma porta de entrada para operações bancárias completas. Ele também afirmou que “uma ação judicial é certamente uma possibilidade” e que, se a expansão do poder da OCC ultrapassar os limites da Lei dos Bancos Nacionais, os estados considerarão ações administrativas e legais.

A Associação de Bancários Comunitários (ICBA), que representa 5000 bancos comunitários, também expressou forte oposição, argumentando que esses novos titulares de licença competirão de forma injusta com bancos tradicionais sob um quadro regulatório mais relaxado.

A American Bankers Association (ABA) pediu diretamente à OCC que suspenda o processo de aprovação.

O CEO do BPI, Greg Baer, afirmou que os trust banks não precisam atender aos mesmos padrões regulatórios e de capital que os bancos de depósito federais, e que as licenças concedidas pela OCC já ultrapassaram amplamente os usos legais e históricos de uma licença de trust bank.

Foco na disputa legal: uma carta explicativa

O núcleo jurídico do conflito está na Carta Interpretativa nº 1176, publicada pela OCC em 2021. Essa carta redefiniu o escopo das atividades de trust banking, afrouxando de fato os requisitos para que empresas de criptomoedas e fintechs obtenham licenças.

Vale destacar que quem redigiu essa carta foi Jonathan Gould, então chefe jurídico da OCC, atualmente responsável pela implementação da regra como diretor da agência. Em 27 de fevereiro de 2026, a OCC propôs uma revisão regulatória, alterando a redação das atividades fiduciárias para incluir operações de trust companies e atividades relacionadas, com entrada em vigor prevista para 1 de abril. Críticos argumentam que essa mudança de redação tornará ainda mais difusa a delimitação das atividades de trust banking.

As argumentações jurídicas do BPI e de outras instituições concentram-se no fato de que a OCC alterou substancialmente as regras de licenciamento por meio de cartas interpretativas e mudanças de redação, burlando o procedimento formal de elaboração de regras previsto na Lei de Procedimentos Administrativos (APA), incluindo consultas públicas. Se uma ação judicial for iniciada, essa irregularidade processual será um ponto central de ataque.

Gould, por sua vez, defende que as trust companies há muito oferecem serviços fiduciários e não fiduciários, que as reservas de stablecoins são atividades de escopo restrito, isoladas e não relacionadas à criação de crédito, e que a lei exige que o diretor da OCC aprove todos os pedidos que atendam aos requisitos legais, independentemente da tecnologia utilizada.

Quem pode entrar no sistema financeiro dos EUA?

À primeira vista, essa disputa parece tratar apenas dos critérios de aprovação de licenças, mas, em um nível mais profundo, o cerne do conflito é quem tem o direito de acessar o sistema financeiro dos EUA e sob quais critérios.

O setor bancário tradicional teme uma arbitragem regulatória, pois empresas de criptomoedas e fintechs podem operar em todos os 50 estados com uma única licença de trust, oferecendo serviços de pagamento, custódia e emissão de stablecoins, sem precisar cumprir requisitos de capital, obrigações de proteção ao consumidor ou custos de seguro de depósitos equivalentes aos bancos de depósito tradicionais.

Por outro lado, a indústria de criptomoedas argumenta que obter uma identidade regulatória unificada a nível federal é fundamental para sua maturidade. Se a porta da OCC for fechada, as empresas de criptomoedas terão que enfrentar novamente os altos custos de conformidade estaduais e um cenário regulatório fragmentado.

Atualmente, o BPI ainda não entrou com uma ação judicial formal, mas fontes próximas indicam que sua equipe jurídica já está se preparando. O CSBS também mantém a opção de litígio em aberto. Se uma ou ambas as partes tomarem medidas nos próximos meses, essa será a maior disputa legal no campo da supervisão bancária nos EUA desde que o CSBS processou a OCC em 2020 para impedir licenças de fintech.

A resposta da OCC, as mudanças regulatórias que entram em vigor em 1 de abril e o processamento de pedidos controversos como o da World Liberty Financial serão os pontos mais importantes a serem acompanhados nos próximos meses.

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