À mesa-redonda do Fórum de Davos, os líderes da UE condenaram a ameaça de tarifas como um erro, enquanto o relatório do JPMorgan acalmou o mercado, afirmando que isto é apenas “a arte da negociação” e que, no final, um acordo será alcançado.
“Quando um amigo aperta a mão, isso deve significar algum tipo de compromisso.” A presidente da Comissão Europeia declarou publicamente no Fórum Económico Mundial de Davos que o acordo comercial alcançado com os EUA em julho do ano passado não deve ser destruído.
Seu discurso foi dirigido diretamente à ameaça do governo Trump de impor tarifas adicionais a países europeus que se opõem à aquisição da Groenlândia pelos EUA, marcando uma escalada na disputa pelo território do Ártico, que passou de preocupação de mercado para um confronto diplomático e político aberto.
I. Confronto no Fórum de Davos
● A atmosfera do Fórum de Davos de 2026 foi incomum. Em um contexto de crescente fragmentação geopolítica global, quase 3000 representantes reuniram-se aqui, incluindo cerca de 65 chefes de Estado e de governo.
● A delegação dos EUA liderada por Trump contou com mais de 300 pessoas, sendo referida pela mídia como a “maior de todos os tempos”. Trump está previsto para fazer um discurso em 21 de janeiro, possivelmente focando em potenciais candidatos à presidência do Federal Reserve e em questões de capacidade de carga.
● A disputa pela Groenlândia tornou-se o foco do fórum. Um diplomata europeu revelou que, após Trump anunciar no sábado passado a imposição de tarifas adicionais a oito países europeus, “a questão da Groenlândia também foi adicionada à agenda previamente agendada”.
II. Reações acaloradas
● A presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, declarou claramente em Davos: “A soberania e a integridade territorial da Dinamarca não estão abertas a negociações.” Ela enfatizou que a UE está elaborando sua própria estratégia de segurança, na qual a estratégia do Ártico será reforçada, com o princípio central de que os Estados soberanos têm o direito de decidir seu próprio futuro.
● O Alto Representante da UE para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Borrell, reiterou na Assembleia Europeia: “A soberania não deve ser usada como moeda de troca, nenhum país tem o direito de tomar o território de outro.”
● O presidente francês Macron pediu à comunidade internacional que mantenha a soberania igualitária e a cooperação multilateral, e se oponha à lógica de decidir tudo pelo poder. O primeiro-ministro canadense, Trudeau, afirmou que o Canadá “está firmemente ao lado da Groenlândia e da Dinamarca”.
● O primeiro-ministro belga, De Wever, foi particularmente incisivo: “Dependemos dos EUA, por isso, no passado, fomos tolerantes com eles, mas agora os EUA ultrapassaram muitas linhas vermelhas.” Ele destacou que a escolha da Europa está relacionada ao orgulho: “Ser um vassalo feliz é uma coisa, mas tornar-se um escravo miserável é completamente diferente.”
III. Previsão otimista do JPMorgan
● Em contraste com o clima de tensão política, a equipe de inteligência de mercados internacionais do JPMorgan mantém uma postura cautelosamente otimista. O banco acredita que o caos atual acabará por se transformar em um “acordo negociado” e não em uma crise total.
● O analista do JPMorgan, Federico Manicardi, afirmou que a postura firme dos EUA deve ser vista como “a arte da negociação”, com o objetivo de desencadear negociações e criar cartas na manga e senso de urgência.
● Apesar de a UE ter declarado que considerará tarifas retaliatórias e usará ferramentas de contra-chantagem, isso é mais uma postura de jogo. O banco espera que uma solução possa emergir durante o Fórum de Davos, com o resultado final sendo a expansão da presença de segurança e econômica dos EUA na Groenlândia, enquanto a Dinamarca mantém sua soberania.
IV. Excluindo cenários extremos
Para as preocupações do mercado com cenários extremos, o JPMorgan analisou e descartou duas possibilidades de baixa probabilidade:
● A principal razão é que os EUA podem alcançar seus objetivos estratégicos no Ártico — segurança, alerta de defesa e acesso a recursos naturais — sem precisar obter controle territorial formal. Além disso, qualquer plano envolvendo mudanças territoriais exigiria a aprovação dupla do governo dinamarquês e do governo local da Groenlândia, o que é altamente difícil do ponto de vista político e legal.
● Quanto à possibilidade de os EUA realizarem uma “invasão” militar na Groenlândia, o JPMorgan a considera uma risco de cauda de probabilidade extremamente baixa. Tal ação seria altamente impopular entre os eleitores e, mais importante, poderia levar à rápida dissolução da importante aliança militar da OTAN, com consequências geopolíticas extremamente graves e incontroláveis.
● Assim, o analista Federico Manicardi aponta que o resultado mais provável não é nenhuma das situações extremas acima, mas sim a realização de um acordo por meio de negociações. Este acordo manteria a soberania da Dinamarca, enquanto ampliaria a presença de segurança e econômica dos EUA na Groenlândia, atendendo aos objetivos de fortalecer a postura dos EUA no Ártico e de obter recursos.
V. Riscos de confronto geoeconômico
● O Relatório de Riscos Globais 2026, divulgado pelo Fórum de Davos, indica que “confronto geoeconômico” tornou-se o principal risco para 2026. A diretora executiva do Fórum Econômico Mundial, Saadia Zahidi, descreveu a situação como “uma transformação das ferramentas de política econômica em armas, em vez de bases de cooperação”.
● A diretora do FMI, Georgieva, afirmou em Davos: “Ainda é cedo para avaliar o impacto da disputa pela Groenlândia na economia, mas ela pode se tornar um obstáculo ao crescimento econômico.”
● Ela destacou que várias simulações mostram que, se a trajetória do comércio se desviar do caminho, o crescimento econômico pode ser reprimido. Sua conclusão foi: “A melhor solução é: encontrar uma maneira de chegar a um acordo, que seja benéfico para todos ao redor do mundo.”
VI. Desafios à independência do Federal Reserve
● Além da disputa pela Groenlândia, a independência do Federal Reserve enfrenta sérios testes. O Supremo Tribunal dos EUA está agendado para 21 de janeiro para ouvir argumentos orais sobre a tentativa de Trump de demitir a conselheira do Fed, Lisa Cook.
● Este caso é considerado por alguns observadores como uma “julgamento do século”, podendo estabelecer o primeiro “guia operacional” para a remoção de membros de uma instituição do Fed altamente protegida pelo presidente.
● O presidente do Fed, Powell, planeja participar da audiência, uma decisão criticada pelo secretário do Tesouro, Yellen. Yellen afirmou em Davos: “Se você não quer que o Fed seja politizado, o presidente do Fed não deveria estar lá tentando influenciar o resultado.”
No site oficial do Fórum Econômico Mundial, o tema da reunião deste ano é “O espírito do diálogo”. Quando a presidente da Comissão Europeia declarou que a ameaça de tarifas de Trump é “um erro”, a advertência da diretora do FMI, Georgieva, ecoou nos corredores de Davos: “Isso pode se tornar um obstáculo ao crescimento econômico.”
Fora do fórum, a mesa de negociações do JPMorgan tem estado comprada de taxas de juros do Reino Unido e vendendo a diferença de taxas dos EUA desde setembro do ano passado, parecendo uma aposta calma na eventual resolução.
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A crise da Groenlândia será resolvida em Davos?
À mesa-redonda do Fórum de Davos, os líderes da UE condenaram a ameaça de tarifas como um erro, enquanto o relatório do JPMorgan acalmou o mercado, afirmando que isto é apenas “a arte da negociação” e que, no final, um acordo será alcançado.
“Quando um amigo aperta a mão, isso deve significar algum tipo de compromisso.” A presidente da Comissão Europeia declarou publicamente no Fórum Económico Mundial de Davos que o acordo comercial alcançado com os EUA em julho do ano passado não deve ser destruído.
Seu discurso foi dirigido diretamente à ameaça do governo Trump de impor tarifas adicionais a países europeus que se opõem à aquisição da Groenlândia pelos EUA, marcando uma escalada na disputa pelo território do Ártico, que passou de preocupação de mercado para um confronto diplomático e político aberto.
I. Confronto no Fórum de Davos
● A atmosfera do Fórum de Davos de 2026 foi incomum. Em um contexto de crescente fragmentação geopolítica global, quase 3000 representantes reuniram-se aqui, incluindo cerca de 65 chefes de Estado e de governo.
● A delegação dos EUA liderada por Trump contou com mais de 300 pessoas, sendo referida pela mídia como a “maior de todos os tempos”. Trump está previsto para fazer um discurso em 21 de janeiro, possivelmente focando em potenciais candidatos à presidência do Federal Reserve e em questões de capacidade de carga.
● A disputa pela Groenlândia tornou-se o foco do fórum. Um diplomata europeu revelou que, após Trump anunciar no sábado passado a imposição de tarifas adicionais a oito países europeus, “a questão da Groenlândia também foi adicionada à agenda previamente agendada”.
II. Reações acaloradas
● A presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, declarou claramente em Davos: “A soberania e a integridade territorial da Dinamarca não estão abertas a negociações.” Ela enfatizou que a UE está elaborando sua própria estratégia de segurança, na qual a estratégia do Ártico será reforçada, com o princípio central de que os Estados soberanos têm o direito de decidir seu próprio futuro.
● O Alto Representante da UE para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Borrell, reiterou na Assembleia Europeia: “A soberania não deve ser usada como moeda de troca, nenhum país tem o direito de tomar o território de outro.”
● O presidente francês Macron pediu à comunidade internacional que mantenha a soberania igualitária e a cooperação multilateral, e se oponha à lógica de decidir tudo pelo poder. O primeiro-ministro canadense, Trudeau, afirmou que o Canadá “está firmemente ao lado da Groenlândia e da Dinamarca”.
● O primeiro-ministro belga, De Wever, foi particularmente incisivo: “Dependemos dos EUA, por isso, no passado, fomos tolerantes com eles, mas agora os EUA ultrapassaram muitas linhas vermelhas.” Ele destacou que a escolha da Europa está relacionada ao orgulho: “Ser um vassalo feliz é uma coisa, mas tornar-se um escravo miserável é completamente diferente.”
III. Previsão otimista do JPMorgan
● Em contraste com o clima de tensão política, a equipe de inteligência de mercados internacionais do JPMorgan mantém uma postura cautelosamente otimista. O banco acredita que o caos atual acabará por se transformar em um “acordo negociado” e não em uma crise total.
● O analista do JPMorgan, Federico Manicardi, afirmou que a postura firme dos EUA deve ser vista como “a arte da negociação”, com o objetivo de desencadear negociações e criar cartas na manga e senso de urgência.
● Apesar de a UE ter declarado que considerará tarifas retaliatórias e usará ferramentas de contra-chantagem, isso é mais uma postura de jogo. O banco espera que uma solução possa emergir durante o Fórum de Davos, com o resultado final sendo a expansão da presença de segurança e econômica dos EUA na Groenlândia, enquanto a Dinamarca mantém sua soberania.
IV. Excluindo cenários extremos
Para as preocupações do mercado com cenários extremos, o JPMorgan analisou e descartou duas possibilidades de baixa probabilidade:
● A principal razão é que os EUA podem alcançar seus objetivos estratégicos no Ártico — segurança, alerta de defesa e acesso a recursos naturais — sem precisar obter controle territorial formal. Além disso, qualquer plano envolvendo mudanças territoriais exigiria a aprovação dupla do governo dinamarquês e do governo local da Groenlândia, o que é altamente difícil do ponto de vista político e legal.
● Quanto à possibilidade de os EUA realizarem uma “invasão” militar na Groenlândia, o JPMorgan a considera uma risco de cauda de probabilidade extremamente baixa. Tal ação seria altamente impopular entre os eleitores e, mais importante, poderia levar à rápida dissolução da importante aliança militar da OTAN, com consequências geopolíticas extremamente graves e incontroláveis.
● Assim, o analista Federico Manicardi aponta que o resultado mais provável não é nenhuma das situações extremas acima, mas sim a realização de um acordo por meio de negociações. Este acordo manteria a soberania da Dinamarca, enquanto ampliaria a presença de segurança e econômica dos EUA na Groenlândia, atendendo aos objetivos de fortalecer a postura dos EUA no Ártico e de obter recursos.
V. Riscos de confronto geoeconômico
● O Relatório de Riscos Globais 2026, divulgado pelo Fórum de Davos, indica que “confronto geoeconômico” tornou-se o principal risco para 2026. A diretora executiva do Fórum Econômico Mundial, Saadia Zahidi, descreveu a situação como “uma transformação das ferramentas de política econômica em armas, em vez de bases de cooperação”.
● A diretora do FMI, Georgieva, afirmou em Davos: “Ainda é cedo para avaliar o impacto da disputa pela Groenlândia na economia, mas ela pode se tornar um obstáculo ao crescimento econômico.”
● Ela destacou que várias simulações mostram que, se a trajetória do comércio se desviar do caminho, o crescimento econômico pode ser reprimido. Sua conclusão foi: “A melhor solução é: encontrar uma maneira de chegar a um acordo, que seja benéfico para todos ao redor do mundo.”
VI. Desafios à independência do Federal Reserve
● Além da disputa pela Groenlândia, a independência do Federal Reserve enfrenta sérios testes. O Supremo Tribunal dos EUA está agendado para 21 de janeiro para ouvir argumentos orais sobre a tentativa de Trump de demitir a conselheira do Fed, Lisa Cook.
● Este caso é considerado por alguns observadores como uma “julgamento do século”, podendo estabelecer o primeiro “guia operacional” para a remoção de membros de uma instituição do Fed altamente protegida pelo presidente.
● O presidente do Fed, Powell, planeja participar da audiência, uma decisão criticada pelo secretário do Tesouro, Yellen. Yellen afirmou em Davos: “Se você não quer que o Fed seja politizado, o presidente do Fed não deveria estar lá tentando influenciar o resultado.”
No site oficial do Fórum Econômico Mundial, o tema da reunião deste ano é “O espírito do diálogo”. Quando a presidente da Comissão Europeia declarou que a ameaça de tarifas de Trump é “um erro”, a advertência da diretora do FMI, Georgieva, ecoou nos corredores de Davos: “Isso pode se tornar um obstáculo ao crescimento econômico.”
Fora do fórum, a mesa de negociações do JPMorgan tem estado comprada de taxas de juros do Reino Unido e vendendo a diferença de taxas dos EUA desde setembro do ano passado, parecendo uma aposta calma na eventual resolução.