Nos últimos meses, enquanto grandes países aceleram a construção de frameworks legais para criptomoedas e stablecoins, a China tem seguido uma direção contrária — firmemente empenhada no desenvolvimento do yuan digital, ao mesmo tempo que restringe vigorosamente essas atividades. Após a reunião de 28/11 entre o Banco Popular da China e 13 departamentos relacionados, essa postura tornou-se ainda mais clara: stablecoin é considerada uma forma de moeda virtual, e todas as atividades de emissão e negociação relacionadas são proibidas. Essa não é uma decisão aleatória, mas resultado de uma análise ponderada dos fatores estratégicos de longo prazo.
Mercado de stablecoin fora do dólar: Por que não há mais oportunidades?
Na prática, a stablecoin em dólar (como USDT, criada em 2014), domina mais de 99% do mercado global de negociação de ativos criptográficos. Esse número não se deve a uma tecnologia superior, mas ao poder do próprio dólar americano — a moeda de reserva internacional com o sistema de pagamento mais avançado.
Essa lição mostra que: qualquer stablecoin atrelada a uma moeda diferente terá grande dificuldade de competir em nível internacional. Se um país emitir uma stablecoin seguindo o modelo dos EUA, sem um ecossistema de aplicações forte e uma vantagem atraente para os traders, será um esforço inútil. Além disso, quando os países mantêm controle rígido, manter uma stablecoin fora do dólar torna-se ainda mais inviável.
Para a China, ao invés de seguir por um caminho sem saída, é melhor focar no desenvolvimento do yuan digital — uma solução totalmente controlada, que não depende do sistema de pagamento internacional.
Desafios ocultos no framework legal dos EUA
Quando os EUA aprovaram a lei sobre stablecoin (que entrou em vigor em 18/7), os requisitos de supervisão foram estabelecidos em níveis elevados: reserva deve ser de 100% e auditada mensalmente, contas de clientes devem estar em bancos americanos, emissores devem cumprir KYC, AML, FTC…
No entanto, esse framework ainda apresenta vulnerabilidades:
Risco de valor da reserva: Os ativos de reserva são principalmente títulos do governo, sujeitos a variações de preço. Quando o valor dos títulos cai, pode ocorrer uma escassez de reserva.
Inconsistência entre stablecoins: Se diferentes emissores possuem estruturas de reserva distintas, as stablecoins terão valores diferentes, criando oportunidades de arbitragem — o que dificulta a supervisão.
Questões de DeFi: Permitir empréstimos de stablecoin em plataformas descentralizadas pode gerar stablecoins derivadas e emissão excessiva.
Como a legalização da stablecoin afetará tudo isso?
Uma consequência não prevista da legalização da stablecoin é que, ao ser inserida em um quadro de supervisão rigorosa, certamente atrairá a participação de instituições financeiras tradicionais — bancos, bolsas de valores, fundos de investimento…
Essas instituições podem diretamente colocar depósitos na blockchain (tokenização de depósitos) e outros produtos financeiros sob a forma de RWA (Real World Assets). Assim, a stablecoin — uma ferramenta criada a partir de uma demanda descentralizada — será substituída por instrumentos controlados pelos bancos.
Essa é uma inversão que poucos percebem: a legalização da stablecoin pode ser exatamente o passo que, de forma não intencional, acabará por eliminar a stablecoin.
Essa tendência já começou a surgir nos EUA e é difícil de impedir. Isso mostra que outros países imitando os EUA no desenvolvimento de stablecoins não é uma escolha inteligente.
Por que a China não pode seguir o caminho dos EUA?
A China já possui vantagem de liderança em pagamentos móveis e no desenvolvimento do yuan digital. Desenvolver uma stablecoin seguindo o modelo dos EUA não traz valor adicional, pelo contrário, pode criar novos riscos.
Bitcoin, criptomoedas e stablecoins podem ser negociados globalmente 24/7 via blockchain sem fronteiras. Apesar de eficientes, sua forte anonimidade e rápida circulação dificultam o cumprimento de requisitos de supervisão como KYC, AML, FTC. Riscos de lavagem de dinheiro, fraudes de captação de recursos e transferências ilegais transfronteiriças representam ameaças reais.
Além disso, os EUA atualmente controlam ou têm grande influência sobre os principais sistemas de blockchain, grandes exchanges e a capacidade de rastreamento, congelamento e confisco de contas. Se a China desenvolver uma stablecoin do yuan de forma semelhante, não só será difícil competir com a stablecoin do dólar, como também há risco de a stablecoin do yuan se tornar dependente do sistema dos EUA.
A consequência disso é que: a gestão tributária nacional será afetada, o controle cambial será monitorado, e a circulação de capitais transfronteiriços será controlada. Isso ameaça diretamente a soberania do yuan e a estabilidade do sistema financeiro.
A solução da China: um caminho próprio para o yuan digital
Diante de um cenário internacional cada vez mais complexo, a China não pode simplesmente buscar eficiência ou redução de custos. A segurança nacional deve estar em primeiro plano.
Enquanto mantém uma postura firme na restrição de stablecoins e especulação com criptomoedas, a China precisa focar na melhoria de suas políticas de supervisão, aprimorando a capacidade de rastreamento, fortalecendo o compartilhamento de informações entre os departamentos, e combatendo severamente atividades ilegais relacionadas a criptomoedas.
Simultaneamente, é necessário acelerar a inovação e o desenvolvimento do yuan digital, expandindo sua aplicação interna e internacional, criando uma vantagem competitiva global para o yuan digital. Essa é a rota própria da China — sem depender do sistema de pagamento internacional, sem ser controlada por forças externas.
Essa escolha reflete uma compreensão clara: em um mundo financeiro cada vez mais tenso, a estratégia de longo prazo deve priorizar interesses duradouros. Rejeitar o caminho da stablecoin não é conservador, mas uma decisão estratégica calculada.
Autor: Wang Yongli, ex-Vice-Diretor do Banco Popular da China
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Revisão da política sobre stablecoins: A estratégia da China em um contexto de volatilidade global
Nos últimos meses, enquanto grandes países aceleram a construção de frameworks legais para criptomoedas e stablecoins, a China tem seguido uma direção contrária — firmemente empenhada no desenvolvimento do yuan digital, ao mesmo tempo que restringe vigorosamente essas atividades. Após a reunião de 28/11 entre o Banco Popular da China e 13 departamentos relacionados, essa postura tornou-se ainda mais clara: stablecoin é considerada uma forma de moeda virtual, e todas as atividades de emissão e negociação relacionadas são proibidas. Essa não é uma decisão aleatória, mas resultado de uma análise ponderada dos fatores estratégicos de longo prazo.
Mercado de stablecoin fora do dólar: Por que não há mais oportunidades?
Na prática, a stablecoin em dólar (como USDT, criada em 2014), domina mais de 99% do mercado global de negociação de ativos criptográficos. Esse número não se deve a uma tecnologia superior, mas ao poder do próprio dólar americano — a moeda de reserva internacional com o sistema de pagamento mais avançado.
Essa lição mostra que: qualquer stablecoin atrelada a uma moeda diferente terá grande dificuldade de competir em nível internacional. Se um país emitir uma stablecoin seguindo o modelo dos EUA, sem um ecossistema de aplicações forte e uma vantagem atraente para os traders, será um esforço inútil. Além disso, quando os países mantêm controle rígido, manter uma stablecoin fora do dólar torna-se ainda mais inviável.
Para a China, ao invés de seguir por um caminho sem saída, é melhor focar no desenvolvimento do yuan digital — uma solução totalmente controlada, que não depende do sistema de pagamento internacional.
Desafios ocultos no framework legal dos EUA
Quando os EUA aprovaram a lei sobre stablecoin (que entrou em vigor em 18/7), os requisitos de supervisão foram estabelecidos em níveis elevados: reserva deve ser de 100% e auditada mensalmente, contas de clientes devem estar em bancos americanos, emissores devem cumprir KYC, AML, FTC…
No entanto, esse framework ainda apresenta vulnerabilidades:
Risco de valor da reserva: Os ativos de reserva são principalmente títulos do governo, sujeitos a variações de preço. Quando o valor dos títulos cai, pode ocorrer uma escassez de reserva.
Inconsistência entre stablecoins: Se diferentes emissores possuem estruturas de reserva distintas, as stablecoins terão valores diferentes, criando oportunidades de arbitragem — o que dificulta a supervisão.
Questões de DeFi: Permitir empréstimos de stablecoin em plataformas descentralizadas pode gerar stablecoins derivadas e emissão excessiva.
Como a legalização da stablecoin afetará tudo isso?
Uma consequência não prevista da legalização da stablecoin é que, ao ser inserida em um quadro de supervisão rigorosa, certamente atrairá a participação de instituições financeiras tradicionais — bancos, bolsas de valores, fundos de investimento…
Essas instituições podem diretamente colocar depósitos na blockchain (tokenização de depósitos) e outros produtos financeiros sob a forma de RWA (Real World Assets). Assim, a stablecoin — uma ferramenta criada a partir de uma demanda descentralizada — será substituída por instrumentos controlados pelos bancos.
Essa é uma inversão que poucos percebem: a legalização da stablecoin pode ser exatamente o passo que, de forma não intencional, acabará por eliminar a stablecoin.
Essa tendência já começou a surgir nos EUA e é difícil de impedir. Isso mostra que outros países imitando os EUA no desenvolvimento de stablecoins não é uma escolha inteligente.
Por que a China não pode seguir o caminho dos EUA?
A China já possui vantagem de liderança em pagamentos móveis e no desenvolvimento do yuan digital. Desenvolver uma stablecoin seguindo o modelo dos EUA não traz valor adicional, pelo contrário, pode criar novos riscos.
Bitcoin, criptomoedas e stablecoins podem ser negociados globalmente 24/7 via blockchain sem fronteiras. Apesar de eficientes, sua forte anonimidade e rápida circulação dificultam o cumprimento de requisitos de supervisão como KYC, AML, FTC. Riscos de lavagem de dinheiro, fraudes de captação de recursos e transferências ilegais transfronteiriças representam ameaças reais.
Além disso, os EUA atualmente controlam ou têm grande influência sobre os principais sistemas de blockchain, grandes exchanges e a capacidade de rastreamento, congelamento e confisco de contas. Se a China desenvolver uma stablecoin do yuan de forma semelhante, não só será difícil competir com a stablecoin do dólar, como também há risco de a stablecoin do yuan se tornar dependente do sistema dos EUA.
A consequência disso é que: a gestão tributária nacional será afetada, o controle cambial será monitorado, e a circulação de capitais transfronteiriços será controlada. Isso ameaça diretamente a soberania do yuan e a estabilidade do sistema financeiro.
A solução da China: um caminho próprio para o yuan digital
Diante de um cenário internacional cada vez mais complexo, a China não pode simplesmente buscar eficiência ou redução de custos. A segurança nacional deve estar em primeiro plano.
Enquanto mantém uma postura firme na restrição de stablecoins e especulação com criptomoedas, a China precisa focar na melhoria de suas políticas de supervisão, aprimorando a capacidade de rastreamento, fortalecendo o compartilhamento de informações entre os departamentos, e combatendo severamente atividades ilegais relacionadas a criptomoedas.
Simultaneamente, é necessário acelerar a inovação e o desenvolvimento do yuan digital, expandindo sua aplicação interna e internacional, criando uma vantagem competitiva global para o yuan digital. Essa é a rota própria da China — sem depender do sistema de pagamento internacional, sem ser controlada por forças externas.
Essa escolha reflete uma compreensão clara: em um mundo financeiro cada vez mais tenso, a estratégia de longo prazo deve priorizar interesses duradouros. Rejeitar o caminho da stablecoin não é conservador, mas uma decisão estratégica calculada.
Autor: Wang Yongli, ex-Vice-Diretor do Banco Popular da China