Krypto não é entediante — vocês finalmente entenderam como isso realmente funciona

Nos últimos meses, a indústria de criptomoedas parece estar a acelerar. Isto não se vê apenas nos números crescentes, mas sobretudo na mudança de abordagem aos problemas fundamentais. A principal diferença? Acabaram de libertar o travão de mão da regulamentação.

Ao longo dos anos, as moedas estáveis foram tratadas como crianças perigosas no parque — uma ameaça potencial que precisava de vigilância. Agora, com as regras do jogo claramente definidas, os projetos podem finalmente concentrar-se na construção de produtos reais para pessoas comuns, e não apenas para fãs de cripto. Isto muda tudo.

Da revolução à prática

Satoshi Nakamoto resolveu elegantemente um problema: como criar dinheiro digital que não possa ser copiado. Mas deixou passar algo importante — a verificação de identidade. E aqui reside toda a lacuna não percebida.

O dinheiro moderno não é apenas um número. É também uma intenção, que deve ser verificada. Se o sistema financeiro não consegue determinar quem realiza uma transação, nunca ganhará a confiança da sociedade. Os bancos precisam de saber se o pagador não está numa lista de sanções. Isto não é paranoia — é uma condição de legalidade.

Por que isto é importante? Porque as soluções atuais são ridículas. Pegas numa stablecoin, envias-na através da blockchain, trocas-na de volta por moeda normal — algo que a indústria, em tom de brincadeira, chama de “sandwich de stablecoin”. Parece avançado? Nada disso. São técnicas antigas e novas combinadas de forma entediante. E — irónicamente — o desenvolvedor precisa de contratar um coordenador para gerir a legalidade, em vez de se conectar diretamente à blockchain.

Onde está a solução?

Um evento tecnológico internacional em São Francisco revelou algo interessante. Alex Blania e Sam Altman discutiam o futuro, onde a inteligência artificial será omnipresente. Surgiu um problema chave: como distinguir um humano de um bot?

Esta questão levou à conceção de “Proof of Personhood” — confirmação de que realmente és uma pessoa. Digitalizar a íris de cada pessoa no mundo, que inicialmente parecia uma fantasia científica absurda, está lentamente a transformar-se numa ferramenta prática. Paul Buchheit explicou-o bem: “O futuro pode precisar de duas moedas — uma para máquinas e outra para pessoas”.

Acontece que isto não é marketing. É infraestrutura para a era da inteligência artificial.

Carteira para pessoas comuns

Uma nova aplicação de carteira mostra como isto funciona na prática. Integra contas bancárias virtuais de 18 países, cartões Visa e sistemas de pagamento locais. O utilizador deposita o salário e paga com cartão — nada de revolucionário, mas funciona.

Por que não é gratuito? Porque os bancos precisam de cobrar taxas para lucrar. Mas quando a blockchain gere as liquidações? O custo aproxima-se de zero. Para um banco tradicional, uma transferência internacional exige uma “missão diplomática” através de várias instituições e fax. Para a blockchain, é apenas uma atualização de registo na cadeia de blocos.

Este é um mercado de sete mil milhões à espera de uma solução.

Mini aplicações como uma revolução oculta

Em 2024, a indústria refletiu sobre algo que parecia trivial — mini aplicações integradas diretamente nas aplicações. Parece entediante? De facto. Mas tem um impacto subversivo na estrutura do mercado.

O truque principal: os desenvolvedores podem distribuir software sem a aprovação da App Store e sem pagar a comissão de 30%. Isto muda a economia de toda a indústria. Se acrescentarmos uma forte verificação de identidade, os desenvolvedores ganham possibilidades de negócio completamente novas.

O mundo mudou de estratégia, de “digitaliza ou sai” para algo mais flexível — a identidade verificada tornou-se uma função premium. Acontece que os utilizadores relutam em partilhar dados biométricos por benefícios abstratos futuros, mas estão dispostos a fazê-lo quando podem obter benefícios concretos e materiais.

Comunicação sem rastros

A última peça do puzzle é a comunicação privada. Uma nova ferramenta testa um protocolo descentralizado de mensagens integrado diretamente na aplicação. Em comparação com Signal, WhatsApp ou Telegram, oferece uma vantagem extraordinária — funciona sem registo, número de telefone ou rastreio.

A inovação principal? As conversas desaparecem realmente. Não ficam armazenadas em lado nenhum, não são indexadas. Num mundo onde cada Slack e email vive para sempre, isto é um luxo.

Os primeiros utilizadores serão jornalistas investigativos. Mas a própria ideia de devolver a privacidade como modo padrão de comunicação humana — em vez de uma exceção suspeita — é uma mudança de paradigma.

Por que agora?

Todos estes experimentos eram possíveis antes, mas ninguém os tinha ligado. A infraestrutura de criptomoedas finalmente amadureceu para fazer exatamente o que prometia há dez anos — mas agora de forma “entediada”. Prática o suficiente para ter valor. Útil o suficiente para funcionar.

E está a acontecer no momento perfeito. A inteligência artificial vai acelerar, e a capacidade de confirmação criptográfica da verdade — se algo foi criado por um humano — passa de uma paixão dos cypherpunks para uma infraestrutura essencial de toda a economia.

Não é uma revolução. É uma evolução.

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