Como investidor, pode ouvir analistas falar anualmente sobre dados de crescimento económico, mas o verdadeiro teste à resiliência da sua carteira muitas vezes não acontece durante períodos de prosperidade, mas sim na chegada de uma recessão. A Recessão não só afeta as suas expectativas de retorno, como também determina se consegue sobreviver às oscilações do mercado e aproveitar oportunidades.
O que exatamente é uma Recessão?
Recessão (Recession) é um fenómeno em que a atividade económica diminui de forma significativa numa vasta gama de setores, mantendo-se por um período de tempo. Os economistas geralmente consideram uma recessão quando há contração económica por dois trimestres consecutivos ou mais. Mas, se a recessão durar mais de 3 anos e o PIB tiver uma contração superior a 10%, ela evolui para uma condição mais grave, a Grande Depressão (Depression).
Na história dos EUA, houve apenas uma grande recessão — iniciada em 1929 e prolongada até à Segunda Guerra Mundial, conhecida como a Grande Depressão (Great Depression), que durou mais de 10 anos, levando a desemprego em massa, queda abrupta na produção e colapsos de investimento.
Desde a independência, os EUA passaram por mais de 48 recessões. Cada uma delas tem o seu início e fim anunciados por instituições de investigação sem fins lucrativos, como o National Bureau of Economic Research (NBER). O NBER define recessão como “uma contração significativa na atividade económica generalizada, que dura pelo menos 2 trimestres ou 6 meses, podendo ser medida por indicadores como PIB, rendimentos, taxa de desemprego, produção industrial e vendas a retalho”.
O que causa uma Recessão?
As causas de uma recessão são variadas e complexas. Registos históricos mostram os seguintes fatores principais:
Choque de custos e pressões inflacionárias
As crises petrolíferas das décadas de 1950 e 1970 aumentaram drasticamente os custos de produção, elevando os preços e levando a uma inflação severa. Consequentemente, o poder de compra diminui rapidamente — o motor do crescimento económico é cortado.
Políticas de aperto do governo
Para combater a inflação, o governo às vezes implementa medidas de restrição excessivas. O consumo diminui, e se a redução for demasiado acentuada, pode desencadear uma recessão.
Bolhas de ativos e crises de crédito
Antes da crise financeira de 2007, os preços dos ativos dispararam e o crédito expandiu-se continuamente. Dívidas acumuladas tornaram-se insustentáveis para empresas e famílias. Quando a cadeia de dívidas se rompe, o investimento e o consumo colapsam simultaneamente, arrastando toda a economia.
Diminuição da procura externa
Economias altamente dependentes de exportações são especialmente vulneráveis. Quando os principais parceiros comerciais (como os EUA, China, Alemanha, Japão) desaceleram, toda a cadeia de abastecimento global sofre.
Eventos de cisne negro
Eventos inesperados (como pandemias ou choques geopolíticos) podem destruir rapidamente a procura e a oferta.
Os economistas costumam monitorizar indicadores antecedentes como expansão do crédito, aumento de preços de ativos e subida da taxa de desemprego para alertar para riscos de recessão.
Nos últimos 20 anos, os EUA passaram por três recessões
Primeira: bolha da internet (março a novembro de 2001)
Duração: 8 meses
Contração do PIB: -0,3%
Taxa máxima de desemprego: 6,3%
Causas: especulação excessiva em ações tecnológicas, com o índice Nasdaq a cair de 4861 para 850 pontos, uma queda de 82%. Além disso, o impacto do 11 de setembro levou o Federal Reserve a reduzir as taxas de juros de 6,5% em julho de 2000 para 1% em meados de 2003.
Características: impacto limitado e duração curta.
Segunda: Grande Recessão (dezembro de 2007 a junho de 2009)
Duração: 18 meses
Contração do PIB: -5,1%
Taxa máxima de desemprego: 10,0%
Causas: bolha imobiliária e riscos associados a derivados financeiros. Os preços das casas subiram de um índice de 140 em 2000 para 220 em 2006-2007. Os instrumentos financeiros complexos, baseados em hipotecas, não tinham uma dispersão de risco adequada. A queda dos preços imobiliários desencadeou uma reação em cadeia, levando à crise financeira que se espalhou para a economia real, causando uma contração de 5,1% no PIB e desemprego massivo (até 5,5% no final de 2008).
Resposta: o Fed iniciou programas de flexibilização quantitativa (QE), injetando 1,75 biliões de dólares; reduziu as taxas de juros para perto de zero; e em 2010 e 2012, implementou QE adicional. Esta crise também afetou a zona euro.
Terceira: impacto da pandemia de COVID-19 (fevereiro a abril de 2020)
Duração: 2 meses
Contração do PIB: -19,2% (a mais severa)
Taxa máxima de desemprego: 14,7%
Causas: a pandemia surgiu no final de fevereiro de 2020, entrando nos EUA em março. Restrições de viagem e paralisações laborais causaram colapsos na procura e na oferta. A taxa de desemprego disparou de 3,5% em fevereiro para 14,7% no final do ano. Os preços dos ativos tiveram oscilações extremas.
Resposta: o Fed lançou o QE4, expandindo o balanço de 4,1 biliões para quase 9 biliões de dólares; a taxa de juros manteve-se perto de 0,25% até março de 2022.
Como os preços dos ativos se comportam durante uma Recessão?
Normalmente, uma recessão provoca um risco aversão (Risk-off). Os investidores tendem a vender ativos de alto risco (ações, commodities) e a procurar ativos de refúgio (ouro, obrigações, moedas fortes).
Por exemplo, durante a COVID-19, em pouco mais de um mês:
Dow Jones: caiu de 29.568,57 para 18.213,65, uma queda de 38,40%
Petróleo: caiu de quase 54 dólares por barril para abaixo de 1 dólar, uma queda de quase 98%
Ouro: subiu de 1.567 dólares por onça para 2.067 dólares, um aumento de 32%
Rendimento dos títulos de 10 anos: caiu de 1,672% para 0,322% (o preço subiu 80%), devido à procura por segurança.
No entanto, o desempenho de ativos de refúgio também não é sempre igual. Quando o governo inicia QE, o dólar, apesar de ser considerado um ativo de refúgio, sofre uma desvalorização devido ao aumento da oferta — em 2020, o dólar caiu 13,5% ao longo do ano. Isto mostra que confiar apenas numa classe de ativos é arriscado.
O que os investidores devem fazer e evitar?
❌ Durante uma Recessão, o que NÃO fazer
Aumentar posições em ativos de risco
Ativos de risco tendem a sofrer perdas significativas durante uma recessão. Aumentar exposição é como colocar gasolina na fogueira.
Endividar-se excessivamente
Embora a recessão possa ser uma oportunidade de comprar ativos de qualidade a preços baixos, dívidas elevadas reduzem o seu poder de compra e capacidade de investimento a longo prazo. Deve ser especialmente cauteloso ao contrair dívidas durante uma recessão.
Optar por empréstimos de taxa variável (ARM)
No início de uma recessão, o governo costuma baixar as taxas de juros, mas após a recuperação, elas tendem a subir. Escolher um empréstimo de taxa variável pode aumentar a pressão de pagamento posteriormente.
✅ O que DEVE fazer
Alocar em ativos de refúgio
Embora os ativos de refúgio não garantam sempre os melhores retornos, no início de uma recessão podem proteger o seu capital e preparar-se para oportunidades futuras.
Manter uma fonte de rendimento estável
Uma fonte de rendimento consistente é fundamental para continuar a investir durante uma recessão. Aproveite os períodos de preços baixos para construir posições gradualmente.
Optar por empréstimos de taxa fixa (FRM)
Durante recessões com taxas de juros baixas, bloquear uma taxa fixa baixa, por exemplo, numa hipoteca, é uma decisão inteligente.
Reflexões finais
Períodos de crescimento económico são amplamente discutidos, mas a Recessão é realmente o teste de resistência da sua carteira de investimentos. Investidores inteligentes não podem prever exatamente quando uma recessão acontecerá, mas podem preparar-se com antecedência. Uma alocação de ativos bem pensada, diversificando riscos entre diferentes tipos de ativos, garante que a sua carteira sobreviva e prospere em qualquer ambiente de mercado.
Para investidores bem preparados, a Recessão não é uma catástrofe, mas uma janela de oportunidade para acumular ativos de qualidade a custos mais baixos.
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Recessão: Como os investidores devem reagir e se preparar durante uma desaceleração económica
Por que deve prestar atenção à Recessão?
Como investidor, pode ouvir analistas falar anualmente sobre dados de crescimento económico, mas o verdadeiro teste à resiliência da sua carteira muitas vezes não acontece durante períodos de prosperidade, mas sim na chegada de uma recessão. A Recessão não só afeta as suas expectativas de retorno, como também determina se consegue sobreviver às oscilações do mercado e aproveitar oportunidades.
O que exatamente é uma Recessão?
Recessão (Recession) é um fenómeno em que a atividade económica diminui de forma significativa numa vasta gama de setores, mantendo-se por um período de tempo. Os economistas geralmente consideram uma recessão quando há contração económica por dois trimestres consecutivos ou mais. Mas, se a recessão durar mais de 3 anos e o PIB tiver uma contração superior a 10%, ela evolui para uma condição mais grave, a Grande Depressão (Depression).
Na história dos EUA, houve apenas uma grande recessão — iniciada em 1929 e prolongada até à Segunda Guerra Mundial, conhecida como a Grande Depressão (Great Depression), que durou mais de 10 anos, levando a desemprego em massa, queda abrupta na produção e colapsos de investimento.
Desde a independência, os EUA passaram por mais de 48 recessões. Cada uma delas tem o seu início e fim anunciados por instituições de investigação sem fins lucrativos, como o National Bureau of Economic Research (NBER). O NBER define recessão como “uma contração significativa na atividade económica generalizada, que dura pelo menos 2 trimestres ou 6 meses, podendo ser medida por indicadores como PIB, rendimentos, taxa de desemprego, produção industrial e vendas a retalho”.
O que causa uma Recessão?
As causas de uma recessão são variadas e complexas. Registos históricos mostram os seguintes fatores principais:
Choque de custos e pressões inflacionárias
As crises petrolíferas das décadas de 1950 e 1970 aumentaram drasticamente os custos de produção, elevando os preços e levando a uma inflação severa. Consequentemente, o poder de compra diminui rapidamente — o motor do crescimento económico é cortado.
Políticas de aperto do governo
Para combater a inflação, o governo às vezes implementa medidas de restrição excessivas. O consumo diminui, e se a redução for demasiado acentuada, pode desencadear uma recessão.
Bolhas de ativos e crises de crédito
Antes da crise financeira de 2007, os preços dos ativos dispararam e o crédito expandiu-se continuamente. Dívidas acumuladas tornaram-se insustentáveis para empresas e famílias. Quando a cadeia de dívidas se rompe, o investimento e o consumo colapsam simultaneamente, arrastando toda a economia.
Diminuição da procura externa
Economias altamente dependentes de exportações são especialmente vulneráveis. Quando os principais parceiros comerciais (como os EUA, China, Alemanha, Japão) desaceleram, toda a cadeia de abastecimento global sofre.
Eventos de cisne negro
Eventos inesperados (como pandemias ou choques geopolíticos) podem destruir rapidamente a procura e a oferta.
Os economistas costumam monitorizar indicadores antecedentes como expansão do crédito, aumento de preços de ativos e subida da taxa de desemprego para alertar para riscos de recessão.
Nos últimos 20 anos, os EUA passaram por três recessões
Primeira: bolha da internet (março a novembro de 2001)
Segunda: Grande Recessão (dezembro de 2007 a junho de 2009)
Terceira: impacto da pandemia de COVID-19 (fevereiro a abril de 2020)
Como os preços dos ativos se comportam durante uma Recessão?
Normalmente, uma recessão provoca um risco aversão (Risk-off). Os investidores tendem a vender ativos de alto risco (ações, commodities) e a procurar ativos de refúgio (ouro, obrigações, moedas fortes).
Por exemplo, durante a COVID-19, em pouco mais de um mês:
No entanto, o desempenho de ativos de refúgio também não é sempre igual. Quando o governo inicia QE, o dólar, apesar de ser considerado um ativo de refúgio, sofre uma desvalorização devido ao aumento da oferta — em 2020, o dólar caiu 13,5% ao longo do ano. Isto mostra que confiar apenas numa classe de ativos é arriscado.
O que os investidores devem fazer e evitar?
❌ Durante uma Recessão, o que NÃO fazer
Aumentar posições em ativos de risco
Ativos de risco tendem a sofrer perdas significativas durante uma recessão. Aumentar exposição é como colocar gasolina na fogueira.
Endividar-se excessivamente
Embora a recessão possa ser uma oportunidade de comprar ativos de qualidade a preços baixos, dívidas elevadas reduzem o seu poder de compra e capacidade de investimento a longo prazo. Deve ser especialmente cauteloso ao contrair dívidas durante uma recessão.
Optar por empréstimos de taxa variável (ARM)
No início de uma recessão, o governo costuma baixar as taxas de juros, mas após a recuperação, elas tendem a subir. Escolher um empréstimo de taxa variável pode aumentar a pressão de pagamento posteriormente.
✅ O que DEVE fazer
Alocar em ativos de refúgio
Embora os ativos de refúgio não garantam sempre os melhores retornos, no início de uma recessão podem proteger o seu capital e preparar-se para oportunidades futuras.
Manter uma fonte de rendimento estável
Uma fonte de rendimento consistente é fundamental para continuar a investir durante uma recessão. Aproveite os períodos de preços baixos para construir posições gradualmente.
Optar por empréstimos de taxa fixa (FRM)
Durante recessões com taxas de juros baixas, bloquear uma taxa fixa baixa, por exemplo, numa hipoteca, é uma decisão inteligente.
Reflexões finais
Períodos de crescimento económico são amplamente discutidos, mas a Recessão é realmente o teste de resistência da sua carteira de investimentos. Investidores inteligentes não podem prever exatamente quando uma recessão acontecerá, mas podem preparar-se com antecedência. Uma alocação de ativos bem pensada, diversificando riscos entre diferentes tipos de ativos, garante que a sua carteira sobreviva e prospere em qualquer ambiente de mercado.
Para investidores bem preparados, a Recessão não é uma catástrofe, mas uma janela de oportunidade para acumular ativos de qualidade a custos mais baixos.