Quantas categorias de criptomoedas existem? Por que os investidores devem distinguir os setores?
À medida que o ecossistema de blockchain amadurece gradualmente, a variedade de criptomoedas já ultrapassou as expectativas iniciais. No mercado, há milhares de criptomoedas em circulação, mas nem todas merecem atenção. Compreender o sistema de classificação das criptomoedas é fundamental para decisões de investimento — assim como investidores em ações precisam distinguir entre ações de tecnologia, financeiras e tradicionais, investidores em criptomoedas também precisam entender as características de diferentes setores.
De acordo com o campo de aplicação e características técnicas, as criptomoedas podem ser aproximadamente divididas em ativos principais (como BTC, ETH) e vários setores emergentes, incluindo moedas meme, tokenização de ativos reais, aplicações de inteligência artificial, infraestrutura descentralizada, jogos na blockchain, ecossistema de comunicação instantânea, blockchains públicas e finanças descentralizadas, entre outros.
Cada setor possui ciclos de alta e baixa diferentes, e os fatores que impulsionam o mercado variam. Por isso, investidores profissionais ajustam suas estratégias de acordo com o ciclo de mercado, mudando de setor conforme necessário, ao invés de manter-se fixos em uma única moeda.
Qual setor de criptomoedas é o mais lucrativo na primeira metade de 2024?
De acordo com dados de mercado, as moedas meme tiveram um desempenho surpreendente na primeira metade de 2024, tornando-se o setor mais promissor para lucros naquele ano. Nesse setor, o retorno médio dos investidores atingiu impressionantes 2405,1%, superando amplamente o desempenho de qualquer outro setor.
Especificamente, a lucratividade das moedas meme é 8,6 vezes maior que a do segundo colocado, o setor de tokenização de ativos reais (RWA), e 542,5 vezes maior que o setor de finanças descentralizadas (DeFi), que apresenta o menor retorno. Essa diferença de múltiplos evidencia a alta rentabilidade do mercado de moedas meme.
Entre as 10 maiores moedas meme por valor de mercado, projetos como PEPE, Dogwifhat, FLOKI e BRETT tiveram destaque, impulsionando uma nova onda de popularidade dessas moedas. Especialmente sob o impulso do sucesso mundial de 《Black Myth: Wukong》, a moeda meme $WuKong, lançada na blockchain Solana, teve uma valorização superior a 99.999% em 24 horas. Alguns investidores atentos lucraram até 350 mil dólares em apenas 5 horas.
A atração por moedas meme deve-se principalmente à sua extrema volatilidade e ao fenômeno cultural que as impulsiona. Contudo, os investidores devem estar cientes de que esses ativos envolvem riscos altíssimos e não são indicados para todos.
Análise aprofundada dos 9 principais setores de criptomoedas
1. Moedas Meme (Memes) — O fenômeno cultural que impulsiona investimentos milagrosos
O conceito de meme surgiu na teoria do biólogo Richard Dawkins na década de 1970, para explicar como ideias e fenômenos culturais se propagam como vírus. No universo das criptomoedas, moedas meme referem-se àquelas que se tornam populares por ressonância cultural e por efeito de comunidade, levando a aumentos rápidos de valor.
O exemplo mais clássico é o Dogecoin (DOGE). Inicialmente criado como uma sátira à bolha de criptomoedas, ganhou popularidade graças ao apoio de figuras públicas como Elon Musk e ao entusiasmo da comunidade, tornando-se uma das moedas meme mais conhecidas globalmente. Shiba Inu (SHIB) seguiu lógica semelhante de propagação.
Essas moedas apresentam características marcantes de alta volatilidade, ciclos de investimento curtos e não são indicadas para grandes alocações. Contudo, por essas mesmas razões, tornaram-se o paraíso de especuladores de curto prazo — com pequenos investimentos, podem gerar retornos surpreendentes.
Na primeira metade de 2024, o setor de moedas meme teve uma média de retorno de 2405%, superando amplamente outros setores. Atualmente, a moeda meme mais líquida continua sendo DOGE.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 44 bilhões de dólares
2. Tokenização de ativos reais (RWA) — A ponte entre finanças tradicionais e blockchain
No mundo real, existem muitos ativos difíceis de transferir ou liquidar. Por exemplo, muitas terras em Taiwan têm propriedade dispersa por múltiplas gerações, dificultando transações devido ao envolvimento de muitas partes. Problemas semelhantes existem com antiguidades valiosas, vinhos de safra, imóveis — todos com baixa liquidez, dificultando a venda rápida.
A solução da tokenização de ativos reais (RWA) é dividir esses ativos físicos em várias partes tokenizadas de valor, permitindo que investidores adquiram uma fração da propriedade e, assim, tornem esses ativos mais líquidos.
Em junho de 2023, um relógio Rolex foi tokenizado para obter um financiamento de 40 mil TWD. Isso é apenas o começo — antiguidades, obras de arte, vinhos e imóveis podem ser tokenizados, ampliando o escopo de ativos líquidos.
O processo de tokenização de ativos reais inclui: definir quantidade de tokens, escolher plataforma de emissão, criar smart contracts, gerar tokens e registrar a propriedade em trustes.
Previsões do setor indicam que, até 2030, o mercado global de RWA atingirá US$ 16 trilhões, representando 10% do PIB mundial. Esse enorme mercado atraiu grandes gestoras de ativos, como a BlackRock, que lançou fundos tokenizados como BUIDL, entrando oficialmente no mercado de RWA.
Embora o crescimento do RWA não seja explosivo (pois envolve ativos físicos com valor fixo), a tendência de expansão já está consolidada. Investidores que buscam estratégias de longo prazo podem acompanhar projetos como Maker (MKR).
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 7 bilhões de dólares
3. Criptomoedas de inteligência artificial (AI Crypto) — Um espelho da revolução tecnológica
AI Crypto refere-se a criptomoedas que combinam tecnologia de inteligência artificial com blockchain. Esses projetos dependem fortemente de IA na sua concepção e operação, otimizando eficiência de transações, reforçando segurança e implementando contratos inteligentes descentralizados.
SingularityNET (AGIX) é um dos projetos mais representativos de AI Crypto. Ele constrói uma economia descentralizada baseada em IA, permitindo que usuários autorizem seus serviços de IA a outros na plataforma. Seus usos incluem análise comparativa de tratamentos médicos, detecção de fraudes financeiras e serviços criativos para artistas.
Devido às expectativas de inovação tecnológica e ao influxo contínuo de capital, criptomoedas de IA com valor prático e forte suporte científico frequentemente apresentam aumentos expressivos. Dados de 2024 indicam que o setor de IA ficou em terceiro lugar em retorno na primeira metade do ano, atrás apenas de moedas meme e RWA.
Se você confia na inovação tecnológica e aceita riscos, pode explorar o mercado de AI Crypto. Projetos notáveis incluem NEAR, FET e AGI.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 25,9 bilhões de dólares
4. Infraestrutura física descentralizada (DePIN) — A revolução blockchain no mundo físico
DePIN (Decentralized Physical Infrastructure Network) refere-se a projetos que usam blockchain para conectar ativos e infraestrutura física de forma descentralizada. Essa nova forma de operação é mais segura, transparente e eficiente.
JasmyCoin (JASMY) é um exemplo representativo. Jasmy é a primeira plataforma de IoT legalmente registrada no Japão, integrando blockchain e dispositivos IoT, permitindo que usuários controlem seus dados e compartilhem de forma transparente e verificável.
Com maior atenção à privacidade digital e ao potencial de aplicações de IoT e big data, projetos DePIN com valor real de aplicação frequentemente apresentam altas valorizações.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 20,3 bilhões de dólares
5. Jogos na blockchain (GameFi) — A economia do mundo virtual
A ideia de moedas de jogos existe há muito tempo, desde Monopoly até jogos online como Ragnarok. Cada jogo possui seu sistema econômico virtual. Contudo, moedas tradicionais de jogos têm uma falha fatal: sua emissão é controlada pelas empresas, sem transparência para os jogadores, levando à rápida desvalorização.
A blockchain mudou esse cenário. O conceito de GameFi combina DeFi e NFTs, criando uma experiência de jogo com propriedade real de itens e moedas que podem valorizar. Para prolongar o engajamento, desenvolvedores criam novas mecânicas, como transformar itens em NFTs que podem ser usados em plataformas DeFi, permitindo que jogadores façam staking e obtenham lucros, unindo diversão e ganhos.
Inovadoramente, há também a possibilidade de interoperabilidade entre jogos: NFTs obtidos em um jogo podem ser utilizados em outro, aumentando liquidez e valor. Quando os lucros atraem mais investidores e especuladores, uma cadeia de valor se forma.
Embora o potencial seja grande, o setor ainda não possui uma liderança clara e consolidada, e recomenda-se cautela. No primeiro semestre de 2024, o desempenho do GameFi foi mediano, com muitos projetos de alto valor de mercado apresentando retornos negativos, como GALA.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 14 bilhões de dólares
6. Ecossistema Telegram — A evolução do messaging instantâneo para Web3.0
Telegram é uma das maiores plataformas de comunicação instantânea do mundo. Sua característica de mensagens que se autodestroem é especialmente valorizada na era da IA, tornando-se foco de atenção no desenvolvimento de Web3.0.
Além de comunicação, Telegram possui funções de pagamento. A ferramenta @wallet dentro da plataforma é similar à carteira LINE, suportando transferências entre usuários. Os métodos de pagamento aceitos incluem USDT, Bitcoin e a moeda nativa da blockchain TON.
TON é a principal blockchain do Telegram, com funcionalidades além do esperado. Além de transferências, possui contratos inteligentes semelhantes ao Ethereum, permitindo rastreamento de dados de transações, aumentando a segurança. Pode-se comparar TON com LINE POINT, mas sua versatilidade é muito maior.
Embora seu uso em Taiwan seja limitado, a base global de usuários é grande, e o potencial de crescimento é promissor.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 700 milhões de dólares
7. Ecossistema Solana — O contra-ataque do assassino do Ethereum
Comparado ao Bitcoin e Ethereum, Solana é um projeto relativamente jovem, com apenas 4 anos de existência, mas seu impacto inovador é significativo.
O objetivo inicial do Solana era resolver dois gargalos do Ethereum: a lentidão causada por múltiplas camadas de contratos inteligentes e as altas taxas de transação. Como a equipe do Ethereum não previa o crescimento explosivo de aplicações, sua arquitetura enfrentou limites.
Solana usa um mecanismo inovador chamado Prova de História (PoH), substituindo o Proof of Stake (PoS) do Ethereum, reduzindo drasticamente a velocidade e o custo das transações. Essa inovação permitiu que Solana continuasse crescendo mesmo após o colapso do FTX, demonstrando que ultrapassou a fase de mero instrumento de investimento, tornando-se infraestrutura essencial para muitas aplicações.
Embora ainda não esteja na mesma escala do Bitcoin na bolsa de Nova York, a Solana já é aceita por gigantes como a Visa, que lançou suporte a pagamentos com USDC na plataforma. No futuro, pode se tornar uma das principais formas de pagamento do dia a dia.
Imagine um futuro onde empresas paguem salários em Solana, e consumidores possam pagar por serviços sem precisar trocar de moeda. Quando isso acontecer, a questão será: quem não aceitar Solana terá que converter para outras moedas. A amplitude de aplicações futuras da Solana é evidente.
Historicamente, o dólar é a moeda de reserva global porque consegue comprar a maior quantidade de bens e é amplamente aceito mundialmente. Se uma criptomoeda for aceita em grande parte do mundo, ela pode se tornar a próxima “dólar”.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 6,8 bilhões de dólares
8. Finanças descentralizadas (DeFi) — A substituição definitiva das finanças tradicionais
A essência das criptomoedas sempre foi contornar o sistema financeiro controlado por bancos, altamente regulado pelos governos.
Por que a intervenção governamental no sistema financeiro gera resistência? Por várias razões: limites de câmbio, altas taxas, lentidão na liquidação e risco de congelamento de fundos. Antes, esses limites não eram tão problemáticos, mas com o avanço tecnológico, tornaram-se obstáculos. Para romper essas restrições, surgiu o Bitcoin, baseado em blockchain.
Depois, várias criptomoedas e NFTs surgiram, aprimorando o sistema financeiro descentralizado, conhecido como DeFi. Esses ativos baseados em blockchain substituem o sistema bancário tradicional por transferências ponto a ponto na rede.
Na prática, enquanto no sistema tradicional seu dinheiro passa pelo banco ao fazer compras, no DeFi as transações são diretas na blockchain. Embora pareça similar, a diferença se torna clara em transações internacionais: no método tradicional, seu dinheiro passa por bancos intermediários, que podem cobrar taxas e congelar fundos. Blockchain não possui esses intermediários, permitindo escala ilimitada.
Sob essa perspectiva, as criptomoedas são bens essenciais, não apenas investimentos. Quanto mais usuários, maior seu valor. Bitcoin lidera por ser pioneiro, mas projetos posteriores como Ethereum, com contratos inteligentes, oferecem aplicações além do investimento. Solana resolve problemas de eficiência do Ethereum.
Por isso, investir em criptomoedas exige atualização constante, não se limitando ao Bitcoin, mas escolhendo setores que atraem mais capital conforme o ciclo de mercado.
Esses fatores positivos representam oportunidades não apenas para uma moeda, mas para todo o ecossistema, que pode evoluir para uma moeda de uso cotidiano, como o dinheiro fiduciário. Por exemplo, hoje usamos ienes para viajar ao Japão; no futuro, podemos usar Ethereum para comprar ingressos de shows. Assim, atributos e funções diferentes das criptomoedas são essenciais para decisões de investimento.
Embora o futuro do DeFi seja promissor, há resistência, pois ameaça o sistema financeiro tradicional. Com o mercado de ações em alta na primeira metade de 2024, o fluxo de capital favoreceu o mercado de ações, e o retorno do setor DeFi foi o mais fraco entre os principais.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 74 bilhões de dólares
9. Outros setores emergentes — A eterna rotação de setores
Além dos oito setores principais, há outros caminhos de investimento no mercado de criptomoedas. No universo cripto, a “rotação de setores” é um fenômeno duradouro e importante. Devido a ciclos econômicos, mudanças políticas e tendências de mercado, diferentes projetos emergem em diferentes fases.
Historicamente, essa lógica é clara: no segundo semestre de 2020, o Bitcoin virou foco, com grande entrada de capital institucional. Em 2021, o interesse por DeFi cresceu rapidamente, com fluxo para Ethereum e plataformas como Uniswap e Aave. No meio de 2021 até o final do ano, o mercado de NFTs explodiu, com séries como Bored Ape Yacht Club e Axie Infinity ganhando destaque, além de plataformas NFT em Solana e Ethereum, com valorização de tokens associada.
No final de 2022 e início de 2023, Layer 2 como Arbitrum e Optimism tiveram bom desempenho, enquanto Layer 1 como ETH, SOL e AVAX ficaram mais fracos. Recentemente, com o lançamento de ETFs de criptomoedas e expectativa de redução de juros, o Bitcoin impulsionou uma recuperação de Layer 1, enquanto Layer 2 permaneceu mais estável.
Essas mudanças refletem fatores comuns: avanços tecnológicos, tendências de mercado e ajustes regulatórios.
Por que investidores profissionais devem acompanhar a diferenciação de setores em criptomoedas?
À medida que o mercado amadurece, a era de “tudo sobe ou tudo cai” já passou. Cada moeda tem sua lógica de investimento e seu público. Assim como na bolsa tradicional, onde investidores perguntam “quais setores estão em alta”, no mercado cripto também se pensa “qual setor está mais forte”.
O mercado não funciona como uma única entidade; diferentes setores são influenciados por fundamentos, políticas, avanços tecnológicos e condições econômicas globais. No início de um ciclo de alta, ações de tecnologia lideram; na fase de recuperação econômica, energia e matérias-primas se destacam. Da mesma forma, setores como DeFi, NFTs, moedas meme, AI Crypto e IoT variam de acordo com o ciclo de mercado.
Além disso, entender a rotação de setores ajuda a diversificar riscos e aproveitar oportunidades. Analisando o desempenho histórico de diferentes ativos em vários ciclos, investidores podem prever setores promissores. Compreender a periodicidade do mercado também evita operações de “comprar no topo e vender na baixa”. Estudar os padrões de mudança de setores permite uma alocação mais racional de recursos.
Como investidores podem consultar e acompanhar dados de setores de criptomoedas?
Para se destacar no mercado, investidores devem usar ferramentas de dados e acompanhar regularmente a dinâmica dos setores e seus ciclos. Aqui estão as plataformas mais usadas:
1. CoinMarketCap
Funcionalidade: fornece dados globais de criptomoedas, incluindo preços, valor de mercado, volume de negociações, com categorias específicas por setores ou temas, como DeFi, NFTs, AI Crypto, facilitando análises setoriais.
2. Coingecko
Funcionalidade: similar ao CoinMarketCap, oferece dados detalhados de mercado e categorias por setores, permitindo uma visão geral rápida do desempenho de cada setor.
3. Messari
Funcionalidade: foco em análises aprofundadas, relatórios de pesquisa, visão geral de mercado e dados financeiros completos. Permite visualizar o desempenho de projetos por setor, sendo ferramenta preferencial para análises detalhadas.
Esses sites oferecem funções claras de consulta por categorias. Investidores devem criar o hábito de consultar esses recursos periodicamente, acompanhando tendências de diferentes setores e compreendendo os ciclos do mercado cripto para manter vantagem competitiva a longo prazo.
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Quantas criptomoedas existem? Análise completa dos setores de investimento mais lucrativos no mercado de criptomoedas em 2024
Quantas categorias de criptomoedas existem? Por que os investidores devem distinguir os setores?
À medida que o ecossistema de blockchain amadurece gradualmente, a variedade de criptomoedas já ultrapassou as expectativas iniciais. No mercado, há milhares de criptomoedas em circulação, mas nem todas merecem atenção. Compreender o sistema de classificação das criptomoedas é fundamental para decisões de investimento — assim como investidores em ações precisam distinguir entre ações de tecnologia, financeiras e tradicionais, investidores em criptomoedas também precisam entender as características de diferentes setores.
De acordo com o campo de aplicação e características técnicas, as criptomoedas podem ser aproximadamente divididas em ativos principais (como BTC, ETH) e vários setores emergentes, incluindo moedas meme, tokenização de ativos reais, aplicações de inteligência artificial, infraestrutura descentralizada, jogos na blockchain, ecossistema de comunicação instantânea, blockchains públicas e finanças descentralizadas, entre outros.
Cada setor possui ciclos de alta e baixa diferentes, e os fatores que impulsionam o mercado variam. Por isso, investidores profissionais ajustam suas estratégias de acordo com o ciclo de mercado, mudando de setor conforme necessário, ao invés de manter-se fixos em uma única moeda.
Qual setor de criptomoedas é o mais lucrativo na primeira metade de 2024?
De acordo com dados de mercado, as moedas meme tiveram um desempenho surpreendente na primeira metade de 2024, tornando-se o setor mais promissor para lucros naquele ano. Nesse setor, o retorno médio dos investidores atingiu impressionantes 2405,1%, superando amplamente o desempenho de qualquer outro setor.
Especificamente, a lucratividade das moedas meme é 8,6 vezes maior que a do segundo colocado, o setor de tokenização de ativos reais (RWA), e 542,5 vezes maior que o setor de finanças descentralizadas (DeFi), que apresenta o menor retorno. Essa diferença de múltiplos evidencia a alta rentabilidade do mercado de moedas meme.
Entre as 10 maiores moedas meme por valor de mercado, projetos como PEPE, Dogwifhat, FLOKI e BRETT tiveram destaque, impulsionando uma nova onda de popularidade dessas moedas. Especialmente sob o impulso do sucesso mundial de 《Black Myth: Wukong》, a moeda meme $WuKong, lançada na blockchain Solana, teve uma valorização superior a 99.999% em 24 horas. Alguns investidores atentos lucraram até 350 mil dólares em apenas 5 horas.
A atração por moedas meme deve-se principalmente à sua extrema volatilidade e ao fenômeno cultural que as impulsiona. Contudo, os investidores devem estar cientes de que esses ativos envolvem riscos altíssimos e não são indicados para todos.
Análise aprofundada dos 9 principais setores de criptomoedas
1. Moedas Meme (Memes) — O fenômeno cultural que impulsiona investimentos milagrosos
O conceito de meme surgiu na teoria do biólogo Richard Dawkins na década de 1970, para explicar como ideias e fenômenos culturais se propagam como vírus. No universo das criptomoedas, moedas meme referem-se àquelas que se tornam populares por ressonância cultural e por efeito de comunidade, levando a aumentos rápidos de valor.
O exemplo mais clássico é o Dogecoin (DOGE). Inicialmente criado como uma sátira à bolha de criptomoedas, ganhou popularidade graças ao apoio de figuras públicas como Elon Musk e ao entusiasmo da comunidade, tornando-se uma das moedas meme mais conhecidas globalmente. Shiba Inu (SHIB) seguiu lógica semelhante de propagação.
Essas moedas apresentam características marcantes de alta volatilidade, ciclos de investimento curtos e não são indicadas para grandes alocações. Contudo, por essas mesmas razões, tornaram-se o paraíso de especuladores de curto prazo — com pequenos investimentos, podem gerar retornos surpreendentes.
Na primeira metade de 2024, o setor de moedas meme teve uma média de retorno de 2405%, superando amplamente outros setores. Atualmente, a moeda meme mais líquida continua sendo DOGE.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 44 bilhões de dólares
2. Tokenização de ativos reais (RWA) — A ponte entre finanças tradicionais e blockchain
No mundo real, existem muitos ativos difíceis de transferir ou liquidar. Por exemplo, muitas terras em Taiwan têm propriedade dispersa por múltiplas gerações, dificultando transações devido ao envolvimento de muitas partes. Problemas semelhantes existem com antiguidades valiosas, vinhos de safra, imóveis — todos com baixa liquidez, dificultando a venda rápida.
A solução da tokenização de ativos reais (RWA) é dividir esses ativos físicos em várias partes tokenizadas de valor, permitindo que investidores adquiram uma fração da propriedade e, assim, tornem esses ativos mais líquidos.
Em junho de 2023, um relógio Rolex foi tokenizado para obter um financiamento de 40 mil TWD. Isso é apenas o começo — antiguidades, obras de arte, vinhos e imóveis podem ser tokenizados, ampliando o escopo de ativos líquidos.
O processo de tokenização de ativos reais inclui: definir quantidade de tokens, escolher plataforma de emissão, criar smart contracts, gerar tokens e registrar a propriedade em trustes.
Previsões do setor indicam que, até 2030, o mercado global de RWA atingirá US$ 16 trilhões, representando 10% do PIB mundial. Esse enorme mercado atraiu grandes gestoras de ativos, como a BlackRock, que lançou fundos tokenizados como BUIDL, entrando oficialmente no mercado de RWA.
Embora o crescimento do RWA não seja explosivo (pois envolve ativos físicos com valor fixo), a tendência de expansão já está consolidada. Investidores que buscam estratégias de longo prazo podem acompanhar projetos como Maker (MKR).
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 7 bilhões de dólares
3. Criptomoedas de inteligência artificial (AI Crypto) — Um espelho da revolução tecnológica
AI Crypto refere-se a criptomoedas que combinam tecnologia de inteligência artificial com blockchain. Esses projetos dependem fortemente de IA na sua concepção e operação, otimizando eficiência de transações, reforçando segurança e implementando contratos inteligentes descentralizados.
SingularityNET (AGIX) é um dos projetos mais representativos de AI Crypto. Ele constrói uma economia descentralizada baseada em IA, permitindo que usuários autorizem seus serviços de IA a outros na plataforma. Seus usos incluem análise comparativa de tratamentos médicos, detecção de fraudes financeiras e serviços criativos para artistas.
Devido às expectativas de inovação tecnológica e ao influxo contínuo de capital, criptomoedas de IA com valor prático e forte suporte científico frequentemente apresentam aumentos expressivos. Dados de 2024 indicam que o setor de IA ficou em terceiro lugar em retorno na primeira metade do ano, atrás apenas de moedas meme e RWA.
Se você confia na inovação tecnológica e aceita riscos, pode explorar o mercado de AI Crypto. Projetos notáveis incluem NEAR, FET e AGI.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 25,9 bilhões de dólares
4. Infraestrutura física descentralizada (DePIN) — A revolução blockchain no mundo físico
DePIN (Decentralized Physical Infrastructure Network) refere-se a projetos que usam blockchain para conectar ativos e infraestrutura física de forma descentralizada. Essa nova forma de operação é mais segura, transparente e eficiente.
JasmyCoin (JASMY) é um exemplo representativo. Jasmy é a primeira plataforma de IoT legalmente registrada no Japão, integrando blockchain e dispositivos IoT, permitindo que usuários controlem seus dados e compartilhem de forma transparente e verificável.
Com maior atenção à privacidade digital e ao potencial de aplicações de IoT e big data, projetos DePIN com valor real de aplicação frequentemente apresentam altas valorizações.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 20,3 bilhões de dólares
5. Jogos na blockchain (GameFi) — A economia do mundo virtual
A ideia de moedas de jogos existe há muito tempo, desde Monopoly até jogos online como Ragnarok. Cada jogo possui seu sistema econômico virtual. Contudo, moedas tradicionais de jogos têm uma falha fatal: sua emissão é controlada pelas empresas, sem transparência para os jogadores, levando à rápida desvalorização.
A blockchain mudou esse cenário. O conceito de GameFi combina DeFi e NFTs, criando uma experiência de jogo com propriedade real de itens e moedas que podem valorizar. Para prolongar o engajamento, desenvolvedores criam novas mecânicas, como transformar itens em NFTs que podem ser usados em plataformas DeFi, permitindo que jogadores façam staking e obtenham lucros, unindo diversão e ganhos.
Inovadoramente, há também a possibilidade de interoperabilidade entre jogos: NFTs obtidos em um jogo podem ser utilizados em outro, aumentando liquidez e valor. Quando os lucros atraem mais investidores e especuladores, uma cadeia de valor se forma.
Embora o potencial seja grande, o setor ainda não possui uma liderança clara e consolidada, e recomenda-se cautela. No primeiro semestre de 2024, o desempenho do GameFi foi mediano, com muitos projetos de alto valor de mercado apresentando retornos negativos, como GALA.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 14 bilhões de dólares
6. Ecossistema Telegram — A evolução do messaging instantâneo para Web3.0
Telegram é uma das maiores plataformas de comunicação instantânea do mundo. Sua característica de mensagens que se autodestroem é especialmente valorizada na era da IA, tornando-se foco de atenção no desenvolvimento de Web3.0.
Além de comunicação, Telegram possui funções de pagamento. A ferramenta @wallet dentro da plataforma é similar à carteira LINE, suportando transferências entre usuários. Os métodos de pagamento aceitos incluem USDT, Bitcoin e a moeda nativa da blockchain TON.
TON é a principal blockchain do Telegram, com funcionalidades além do esperado. Além de transferências, possui contratos inteligentes semelhantes ao Ethereum, permitindo rastreamento de dados de transações, aumentando a segurança. Pode-se comparar TON com LINE POINT, mas sua versatilidade é muito maior.
Embora seu uso em Taiwan seja limitado, a base global de usuários é grande, e o potencial de crescimento é promissor.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 700 milhões de dólares
7. Ecossistema Solana — O contra-ataque do assassino do Ethereum
Comparado ao Bitcoin e Ethereum, Solana é um projeto relativamente jovem, com apenas 4 anos de existência, mas seu impacto inovador é significativo.
O objetivo inicial do Solana era resolver dois gargalos do Ethereum: a lentidão causada por múltiplas camadas de contratos inteligentes e as altas taxas de transação. Como a equipe do Ethereum não previa o crescimento explosivo de aplicações, sua arquitetura enfrentou limites.
Solana usa um mecanismo inovador chamado Prova de História (PoH), substituindo o Proof of Stake (PoS) do Ethereum, reduzindo drasticamente a velocidade e o custo das transações. Essa inovação permitiu que Solana continuasse crescendo mesmo após o colapso do FTX, demonstrando que ultrapassou a fase de mero instrumento de investimento, tornando-se infraestrutura essencial para muitas aplicações.
Embora ainda não esteja na mesma escala do Bitcoin na bolsa de Nova York, a Solana já é aceita por gigantes como a Visa, que lançou suporte a pagamentos com USDC na plataforma. No futuro, pode se tornar uma das principais formas de pagamento do dia a dia.
Imagine um futuro onde empresas paguem salários em Solana, e consumidores possam pagar por serviços sem precisar trocar de moeda. Quando isso acontecer, a questão será: quem não aceitar Solana terá que converter para outras moedas. A amplitude de aplicações futuras da Solana é evidente.
Historicamente, o dólar é a moeda de reserva global porque consegue comprar a maior quantidade de bens e é amplamente aceito mundialmente. Se uma criptomoeda for aceita em grande parte do mundo, ela pode se tornar a próxima “dólar”.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 6,8 bilhões de dólares
8. Finanças descentralizadas (DeFi) — A substituição definitiva das finanças tradicionais
A essência das criptomoedas sempre foi contornar o sistema financeiro controlado por bancos, altamente regulado pelos governos.
Por que a intervenção governamental no sistema financeiro gera resistência? Por várias razões: limites de câmbio, altas taxas, lentidão na liquidação e risco de congelamento de fundos. Antes, esses limites não eram tão problemáticos, mas com o avanço tecnológico, tornaram-se obstáculos. Para romper essas restrições, surgiu o Bitcoin, baseado em blockchain.
Depois, várias criptomoedas e NFTs surgiram, aprimorando o sistema financeiro descentralizado, conhecido como DeFi. Esses ativos baseados em blockchain substituem o sistema bancário tradicional por transferências ponto a ponto na rede.
Na prática, enquanto no sistema tradicional seu dinheiro passa pelo banco ao fazer compras, no DeFi as transações são diretas na blockchain. Embora pareça similar, a diferença se torna clara em transações internacionais: no método tradicional, seu dinheiro passa por bancos intermediários, que podem cobrar taxas e congelar fundos. Blockchain não possui esses intermediários, permitindo escala ilimitada.
Sob essa perspectiva, as criptomoedas são bens essenciais, não apenas investimentos. Quanto mais usuários, maior seu valor. Bitcoin lidera por ser pioneiro, mas projetos posteriores como Ethereum, com contratos inteligentes, oferecem aplicações além do investimento. Solana resolve problemas de eficiência do Ethereum.
Por isso, investir em criptomoedas exige atualização constante, não se limitando ao Bitcoin, mas escolhendo setores que atraem mais capital conforme o ciclo de mercado.
Esses fatores positivos representam oportunidades não apenas para uma moeda, mas para todo o ecossistema, que pode evoluir para uma moeda de uso cotidiano, como o dinheiro fiduciário. Por exemplo, hoje usamos ienes para viajar ao Japão; no futuro, podemos usar Ethereum para comprar ingressos de shows. Assim, atributos e funções diferentes das criptomoedas são essenciais para decisões de investimento.
Embora o futuro do DeFi seja promissor, há resistência, pois ameaça o sistema financeiro tradicional. Com o mercado de ações em alta na primeira metade de 2024, o fluxo de capital favoreceu o mercado de ações, e o retorno do setor DeFi foi o mais fraco entre os principais.
Valor de mercado total dos projetos neste setor: 74 bilhões de dólares
9. Outros setores emergentes — A eterna rotação de setores
Além dos oito setores principais, há outros caminhos de investimento no mercado de criptomoedas. No universo cripto, a “rotação de setores” é um fenômeno duradouro e importante. Devido a ciclos econômicos, mudanças políticas e tendências de mercado, diferentes projetos emergem em diferentes fases.
Historicamente, essa lógica é clara: no segundo semestre de 2020, o Bitcoin virou foco, com grande entrada de capital institucional. Em 2021, o interesse por DeFi cresceu rapidamente, com fluxo para Ethereum e plataformas como Uniswap e Aave. No meio de 2021 até o final do ano, o mercado de NFTs explodiu, com séries como Bored Ape Yacht Club e Axie Infinity ganhando destaque, além de plataformas NFT em Solana e Ethereum, com valorização de tokens associada.
No final de 2022 e início de 2023, Layer 2 como Arbitrum e Optimism tiveram bom desempenho, enquanto Layer 1 como ETH, SOL e AVAX ficaram mais fracos. Recentemente, com o lançamento de ETFs de criptomoedas e expectativa de redução de juros, o Bitcoin impulsionou uma recuperação de Layer 1, enquanto Layer 2 permaneceu mais estável.
Essas mudanças refletem fatores comuns: avanços tecnológicos, tendências de mercado e ajustes regulatórios.
Por que investidores profissionais devem acompanhar a diferenciação de setores em criptomoedas?
À medida que o mercado amadurece, a era de “tudo sobe ou tudo cai” já passou. Cada moeda tem sua lógica de investimento e seu público. Assim como na bolsa tradicional, onde investidores perguntam “quais setores estão em alta”, no mercado cripto também se pensa “qual setor está mais forte”.
O mercado não funciona como uma única entidade; diferentes setores são influenciados por fundamentos, políticas, avanços tecnológicos e condições econômicas globais. No início de um ciclo de alta, ações de tecnologia lideram; na fase de recuperação econômica, energia e matérias-primas se destacam. Da mesma forma, setores como DeFi, NFTs, moedas meme, AI Crypto e IoT variam de acordo com o ciclo de mercado.
Além disso, entender a rotação de setores ajuda a diversificar riscos e aproveitar oportunidades. Analisando o desempenho histórico de diferentes ativos em vários ciclos, investidores podem prever setores promissores. Compreender a periodicidade do mercado também evita operações de “comprar no topo e vender na baixa”. Estudar os padrões de mudança de setores permite uma alocação mais racional de recursos.
Como investidores podem consultar e acompanhar dados de setores de criptomoedas?
Para se destacar no mercado, investidores devem usar ferramentas de dados e acompanhar regularmente a dinâmica dos setores e seus ciclos. Aqui estão as plataformas mais usadas:
1. CoinMarketCap
Funcionalidade: fornece dados globais de criptomoedas, incluindo preços, valor de mercado, volume de negociações, com categorias específicas por setores ou temas, como DeFi, NFTs, AI Crypto, facilitando análises setoriais.
2. Coingecko
Funcionalidade: similar ao CoinMarketCap, oferece dados detalhados de mercado e categorias por setores, permitindo uma visão geral rápida do desempenho de cada setor.
3. Messari
Funcionalidade: foco em análises aprofundadas, relatórios de pesquisa, visão geral de mercado e dados financeiros completos. Permite visualizar o desempenho de projetos por setor, sendo ferramenta preferencial para análises detalhadas.
Esses sites oferecem funções claras de consulta por categorias. Investidores devem criar o hábito de consultar esses recursos periodicamente, acompanhando tendências de diferentes setores e compreendendo os ciclos do mercado cripto para manter vantagem competitiva a longo prazo.