Quão longe está a próxima fase de alta do ouro? Análise do desempenho dos últimos 20 anos para oportunidades de investimento futuras

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O que o desempenho do ouro nos últimos 20 anos indica?

O mercado do ouro em 2025 está a escrever uma nova história. Desde o início do ano, quando disparou de 2690 dólares/onça para 4200 dólares/onça em outubro, um aumento superior a 56%, atingindo recordes nunca antes vistos. O que é que toda esta subida em flecha revela? Será que o próximo mercado de alta de 50 anos realmente vai acontecer?

Ao observar o desempenho do ouro nos últimos 50 anos, podemos identificar uma regra interessante: sempre que ocorre uma crise política ou económica global importante, ou quando a política monetária entra em dificuldades, o ouro torna-se numa reserva de valor segura. E esta regra tem sido especialmente evidente nos últimos 20 anos.

Quantas vezes o ouro subiu ao longo de meio século?

Desde agosto de 1971, quando o presidente dos EUA, Nixon, anunciou a desvinculação do dólar do ouro, o preço internacional do ouro entrou numa trajetória de subida de longo prazo. Antes disso, o ouro estava fixado a 35 dólares por onça, e o dólar era essencialmente um cupão de troca por ouro.

Avançando até 2025, o preço do ouro atingiu um pico histórico de 4300 dólares/onça, mais de 120 vezes superior aos 35 dólares de 1971. Especialmente a partir de 2024, com a intensificação da turbulência global, os bancos centrais de vários países aumentaram as suas reservas de ouro, sustentando continuamente o preço.

Usando a mesma linha temporal de 50 anos, o índice Dow Jones subiu de 900 pontos para cerca de 46000 pontos, um aumento de aproximadamente 51 vezes. Isto significa que o retorno a longo prazo do ouro, na verdade, superou o das ações globais, o que pode ser uma surpresa para muitos investidores.

Os quatro grandes ciclos de subida do ouro na história

Para entender o que o futuro reserva, é preciso revisitar o passado. A evolução do preço do ouro nos últimos mais de 50 anos pode ser dividida em quatro fases de subida claramente distintas:

1970-1975: a primeira fase — crise de confiança após a desvinculação

Após a desvinculação do dólar do ouro, a confiança na moeda fiduciária deteriorou-se, levando as pessoas a comprar ouro físico. O preço do ouro disparou de 35 para 183 dólares, um aumento superior a 400%. Com a crise do petróleo, os EUA aumentaram loucamente a emissão de moeda para comprar petróleo, impulsionando uma segunda fase de subida. Quando a crise abrandou, o preço do ouro recuou para cerca de 100 dólares.

1976-1980: a segunda fase — conflitos geopolíticos a impulsionar

A segunda crise do petróleo no Médio Oriente, o incidente dos reféns no Irão, a invasão soviética do Afeganistão — estes eventos desencadearam uma recessão global e uma inflação galopante. O preço do ouro disparou de 104 para 850 dólares, um aumento superior a 700%. Contudo, esta fase de entusiasmo excessivo terminou quando a crise foi resolvida e o cenário da Guerra Fria mudou, levando o ouro a uma fase de baixa de cerca de 20 anos, oscilando entre 200 e 300 dólares.

2001-2011: a terceira fase — guerra ao terror e crise financeira

O 11 de setembro mudou o panorama de segurança global. Os EUA travaram uma guerra ao terror de 10 anos, com gastos militares elevados que obrigaram o governo a reduzir taxas de juro e a emitir dívida. Isto levou à bolha imobiliária e, por fim, à crise financeira de 2008. O Federal Reserve implementou uma política de afrouxamento quantitativo massivo, levando o ouro a uma grande fase de mercado em alta de 10 anos. O preço subiu de 260 para 1921 dólares, um aumento superior a 700%. Após a crise da dívida na Europa em 2011, o preço do ouro atingiu um pico histórico.

2015 até hoje: compras massivas pelos bancos centrais

Nos últimos dez anos, o mercado do ouro foi impulsionado por múltiplos fatores: políticas de juros negativos na Europa e Japão, a desdolarização global, o QE massivo do Fed em 2020, a guerra Rússia-Ucrânia, conflitos no Médio Oriente — todos contribuíram para que o ouro subisse de forma constante acima de 2000 dólares, atingindo níveis sem precedentes em 2024-2025.

Investimento em ouro vs ações e obrigações: qual a lógica?

Será que o ouro continuará a liderar nos próximos 50 anos? Não há uma resposta definitiva, mas podemos tirar insights por comparação.

Nos últimos 50 anos, o ouro valorizou-se 120 vezes, mas nos últimos 30 anos, a situação foi diferente — o retorno das ações foi superior, seguido pelo ouro, e por último as obrigações. Isto mostra que a janela temporal é fundamental.

Os mecanismos de rendimento de três tipos de ativos são completamente diferentes:

  • Ouro depende da diferença de preço, sem juros, exigindo timing de mercado
  • Obrigações dependem de juros periódicos, com tendência ligada às taxas de risco zero
  • Ações dependem do crescimento das empresas, com desempenho mais estável a longo prazo

A ordem de dificuldade de investimento é: obrigações mais fácil > ouro a seguir > ações mais difícil.

Quando deve comprar ouro?

Na economia, há um princípio clássico de alocação: durante períodos de crescimento económico, invista em ações; durante recessões, aposte no ouro.

Quando a economia está a melhorar, os lucros das empresas aumentam, as ações sobem facilmente; as obrigações perdem atratividade; o ouro, sem rendimento, também atrai menos capital. Pelo contrário, em tempos difíceis, as ações perdem valor, enquanto o ouro mantém o seu valor e as obrigações oferecem rendimento fixo, sendo uma escolha segura.

Atualmente, o cenário global apresenta riscos na política económica dos EUA, instabilidade geopolítica e uma contínua fraqueza do dólar. Estas condições aumentam a atratividade do ouro.

Investir em ouro não é uma decisão fixa

Há uma perceção importante: a subida do ouro não é constante ou linear. Entre 1980 e 2000, o preço do ouro praticamente não rendeu, permanecendo entre 200 e 300 dólares. Se investiu nessa altura e manteve, foi uma perda de oportunidade.

Por outro lado, não deve abandonar o ouro. Como recurso natural, o custo de extração aumenta com o tempo, e cada ciclo de baixa vai sendo progressivamente mais alto. Isto significa que, mesmo que o mercado de alta termine, o preço não voltará a valores insignificantes.

Cinco formas de investir em ouro

Quer participar na tendência do ouro? Existem várias opções:

1. Ouro físico — comprar barras ou moedas, com alta privacidade, mas com menor liquidez

2. Certificados de ouro — títulos de custódia bancária, com melhor liquidez, mas sem juros, com spreads elevados

3. ETFs de ouro — maior liquidez e facilidade de negociação, mas com taxas de gestão, e valor que pode depreciar-se lentamente em períodos de lateralidade

4. Futuros de ouro / Contratos por diferença (CFDs) — para traders de curto prazo, com alavancagem, custos baixos e alta utilização de capital

5. Ações de mineração de ouro — participação indireta na indústria do ouro

Para pequenos investidores, os CFDs de ouro são mais acessíveis, pois suportam negociação bidirecional (long e short), com alavancagem flexível, unidades mínimas de negociação pequenas e baixos requisitos de entrada.

O futuro do ouro: continuará a subir?

Voltando à questão inicial — o ouro terá um novo ciclo de brilho nos próximos 50 anos?

A resposta é: possivelmente, mas não de forma linear. A história do ouro mostra que ele passa por fases de subida, altos, oscilações, quedas e períodos de estabilidade, antes de iniciar uma nova fase de mercado de alta. Investidores bem-sucedidos aproveitam os ciclos de alta para comprar e os de baixa para vender, evitando manter posições longas de forma cega.

O cenário atual aponta para um fato: os bancos centrais continuam a aumentar as reservas de ouro, o risco geopolítico persiste, e o dólar enfrenta uma pressão de longo prazo de depreciação. Estes fatores indicam potencial para uma próxima grande fase de mercado de alta do ouro. Contudo, o momento exato de topo ou de correção requer monitoramento atento das políticas macroeconómicas e das dinâmicas geopolíticas.

A estratégia mais segura é ajustar a alocação entre ações, obrigações e ouro de forma dinâmica, de acordo com o perfil de risco individual, para participar das oportunidades de subida do ouro e proteger-se contra a volatilidade do mercado.

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