Análise aprofundada: Quais criptomoedas já cumprem o padrão ISO 20022

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Com a modernização e atualização do sistema financeiro global, um padrão internacional está silenciosamente a mudar o futuro dos ativos digitais — a ISO 20022 deixou de ser apenas uma regra do jogo para bancos tradicionais e cada vez mais ativos digitais estão a competir para cumprir este padrão.

O que é exatamente a ISO 20022

A ISO 20022 é um protocolo de troca de informações financeiras publicado pela Organização Internacional de Normalização (ISO), cuja missão principal é substituir o sistema SWIFT, com mais de 50 anos de história. Diferente do seu antecessor, este novo padrão consegue processar volumes maiores de dados, com transações mais rápidas, oferecendo uma melhor infraestrutura tecnológica para pagamentos transfronteiriços, verificações de conformidade e prevenção de fraudes.

O principal órgão de padronização numérico (ISO) reúne as 37 maiores instituições financeiras globais na sua elaboração, o que significa que, uma vez certificado com o código ISO 20022, um projeto de criptomoeda obtém um “passaporte” para entrar no sistema financeiro tradicional.

Por que as criptomoedas precisam de certificação ISO 20022

Do ponto de vista bancário, atualmente as criptomoedas carecem de um identificador único de token digital (DTI). Isso faz com que nomes semelhantes, como “Bitcoin” e “Bitcoin Cash”, possam ser confundidos pelo sistema financeiro, dificultando o processamento automatizado.

A ISO 20022 resolve exatamente esse problema de “identificação de identidade”. Uma vez que uma criptomoeda obtenha o código padrão ISO, bancos centrais e grandes instituições financeiras poderão integrar esses ativos nos seus sistemas de pagamento e liquidação oficiais, mudando radicalmente a liquidez e a aceitação de ativos digitais.

Prevê-se que, até 2025, a ISO 20022 irá processar mais de 80% das transações globais de alto valor, o que demonstra sua importância estratégica.

Nove criptomoedas já certificadas com conformidade ISO 20022

Quant (QNT): A inovação central deste projeto é a plataforma Overledger — uma “ponte” de comunicação entre diferentes blockchains. O token QNT desempenha um papel duplo de pagamento de taxas e incentivo à rede. Com essa arquitetura, a Quant tenta quebrar o efeito de “ilhas” entre diferentes blockchains.

Ripple (XRP): Utiliza um mecanismo de consenso exclusivo chamado RPCA, que evita o desperdício de energia do tradicional PoW. Como ativo de ponte na ecossistema RippleNet, o XRP é voltado principalmente para pagamentos transfronteiriços. Apesar de ter enfrentado problemas regulatórios, sua inovação contínua na infraestrutura de pagamento mantém o interesse do setor.

Stellar Lumens (XLM): Voltado para inclusão financeira, o XLM usa o protocolo de consenso SCP, com foco em baixas taxas e confirmações rápidas. Semelhante ao Ripple, mas com maior ênfase na comunidade, Stellar encontrou um espaço de mercado único em aplicações de pagamento em países em desenvolvimento.

Hedera Hashgraph (HBAR): Utiliza uma estrutura DAG (Directed Acyclic Graph) ao invés de uma blockchain tradicional, prometendo alta capacidade de processamento e consumo mínimo de energia. Seu modelo de governança inclui comitês de múltiplos setores, buscando equilibrar descentralização e eficiência.

IOTA (MIOTA): Focado na Internet das Coisas (IoT), usa a tecnologia Tangle — onde cada nova transação confirma duas transações anteriores, formando uma rede auto-reforçada. Sua ausência de taxas faz do IOTA uma solução única para microtransações em IoT.

XDC Network (XDC): Baseada em uma arquitetura híbrida de blockchain pública e privada, a XDC foca em financiamento comercial e gestão da cadeia de suprimentos. O mecanismo de consenso XDPoS garante equilíbrio entre velocidade de transação e segurança da rede.

Algorand (ALGO): Seu mecanismo inovador de Prova de Participação Pura (PPoS) dá a cada detentor de tokens a mesma chance de propor blocos, evitando concentração de poder computacional. ALGO tem acumulado diversos casos de uso em DeFi e tokenização de ativos.

Cardano (ADA): Com uma abordagem de desenvolvimento baseada em pesquisa acadêmica rigorosa, sua arquitetura em camadas (camada de liquidação + camada de cálculo) fornece uma base sólida para contratos inteligentes. O mecanismo de consenso Ouroboros PoS garante eficiência energética e segurança.

Verge (XVG): Como a mais recente moeda a aderir ao grupo de conformidade (junho de 2024), o XVG enfatiza anonimato do usuário ao integrar protocolos de privacidade Tor e I2P. Parcerias com Voice Life e BlockDudes fazem dele o primeiro projeto descentralizado e comunitário a alcançar conformidade com a ISO 20022.

2024-2025: principais janelas de implementação da ISO 20022

Reformas já implementadas: A SWIFT começou a suportar operações paralelas de MT e ISO 20022 desde 20 de março de 2023, com um período de transição de aproximadamente 32 meses para que as instituições financeiras possam migrar no seu ritmo. Países como Europa, EUA e mais de 70 outros, incluindo China, Japão e Suíça, já ativaram o novo padrão em seus sistemas de pagamento de alto valor e sistemas nacionais.

Ações principais em 2024:

  • O Banco da Inglaterra planeja concluir a migração do seu sistema RTGS no verão de 2024
  • O Swift Transaction Manager irá reforçar gradualmente as regras de integridade de dados
  • Os principais bancos estão na fase final de testes de sistema

Prazo final em 2025: A SWIFT anunciou novembro de 2025 como a data limite para a transição completa, momento em que o formato MT será totalmente desativado.

O que esse cronograma significa para o ecossistema de criptomoedas? Projetos certificados com ISO 20022 terão prioridade para entrar na rede de pagamentos do banco central, enquanto moedas não certificadas podem enfrentar dificuldades de liquidez em cenários transfronteiriços B2B.

Benefícios concretos trazidos pela ISO 20022

Avanço na interoperabilidade: A padronização do formato de mensagens permite que sistemas de diferentes países e instituições se conectem de forma fluida, resolvendo progressivamente o problema da “última milha” nos pagamentos internacionais.

Maior compatibilidade regulatória: Dados estruturados de pagamento suportam naturalmente verificações de conformidade, combate à lavagem de dinheiro e detecção de fraudes — pontos de maior preocupação para reguladores. Projetos que atendem ao padrão ISO ganham destaque na obtenção de aprovações políticas.

Potencial de adoção institucional: Assim que grandes instituições financeiras (como bancos comerciais e provedores de pagamento) integrarem uma criptomoeda compatível, o volume de transações e os casos de uso podem crescer exponencialmente.

Desafios práticos na implementação

Custos de migração do sistema: As instituições financeiras precisam atualizar hardware, reescrever softwares de transação e testar compatibilidade entre sistemas antigos e novos — um esforço que representa uma pressão significativa para provedores de pagamento de pequeno e médio porte.

Aumento do volume de dados: As mensagens ISO 20022 são de 2 a 3 vezes maiores que os padrões antigos, exigindo novas capacidades de armazenamento e processamento de bancos de dados. Um erro de caractere pode invalidar toda a transação, elevando os requisitos de gestão de qualidade a níveis sem precedentes.

Diferenças nas regras de diferentes mercados: Países e infraestruturas de pagamento têm interpretações distintas sobre a implementação do padrão ISO 20022, exigindo ajustes específicos para cada região.

Escassez de talentos e conhecimento: Entender a ISO 20022 não é apenas uma questão técnica, envolve reengenharia de processos, compreensão regulatória e conhecimento de padrões internacionais — talentos assim ainda são escassos no mercado.

Uma dúvida que precisa ser enfrentada

O nascimento do Bitcoin foi uma reação contra o sistema financeiro centralizado — após a crise de 2008, as pessoas buscavam uma alternativa que não dependesse de bancos. Hoje, a busca por conformidade com a ISO 20022 por parte das criptomoedas é, na essência, uma aproximação ao sistema financeiro tradicional.

Essa mudança é uma escolha pragmática ou uma concessão ao idealismo? Talvez seja uma combinação de ambos. Por um lado, a conformidade com padrões internacionais abre portas para aplicações institucionais e amplia o mercado; por outro, uma dependência excessiva desses padrões pode diluir o valor central do “descentralizado” nas criptomoedas.

A sinergia entre sistemas financeiros quânticos e ISO 20022

O conceito teórico de “sistema financeiro quântico” (QFS) tem uma relação complementar interessante com a ISO 20022. A alta capacidade de processamento do QFS requer uma infraestrutura de dados padronizada, e a ISO 20022 fornece exatamente isso. A combinação dessas tecnologias pode evoluir para o “novo duplo motor” dos pagamentos globais no futuro.

Perspectiva geral

Até 2025, a ISO 20022 será a norma absoluta para transações globais de alto valor. Para as criptomoedas, isso representa uma oportunidade e uma linha de divisão — projetos certificados terão prioridade para ingressar em aplicações institucionais, enquanto os que ficarem para trás podem acabar marginalizados no mercado B2B.

A recomendação mais prática é: acompanhar de perto os projetos certificados e com base tecnológica sólida, mas também manter uma postura crítica. A certificação é uma condição necessária, mas não suficiente. O sucesso de uma moeda no longo prazo dependerá de sua competitividade, consenso comunitário e inovação tecnológica contínua nos cenários reais.

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