Um consultor financeiro me perguntou recentemente:
Matt, você realmente acredita que cada bitcoin pode valer US$ 1 milhão? Esse número é surreal.
Compreendo o ponto de vista dele. US$ 1 milhão soa surreal. Isso indica que o bitcoin teria que subir 14 vezes em relação ao preço atual.
Quando comecei a atuar em cripto em tempo integral, em 2018, ouvia esse tipo de afirmação e achava graça. Naquele momento, o bitcoin estava por volta de US$ 4.000, e US$ 1 milhão parecia absurdo — até para mim.
Hoje, já não penso assim. Depois de aprofundar meus estudos sobre o ativo, percebi que eu — assim como meu amigo consultor — cometia um erro fundamental ao analisar o potencial do bitcoin.
Neste memorando, quero explicar esse equívoco e mostrar como um conjunto de premissas conservadoras pode levar o bitcoin a US$ 1 milhão.¹
Encaro o bitcoin como um ativo de reserva de valor emergente. Ele oferece uma função semelhante à do ouro — permitindo que pessoas preservem riqueza fora do sistema financeiro tradicional —, mas em formato digital. É mais volátil e menos consolidado que o ouro, mas está cada vez mais disputando o mesmo mercado.
Com esse contexto, a matemática básica para estimar seu valor é simples: estime o tamanho do mercado de reserva de valor, calcule a participação do bitcoin nesse mercado e divida por 21 milhões (suprimento máximo de bitcoin). Isso resulta no preço implícito.
Atualmente, o mercado de reserva de valor está pouco abaixo de US$ 38 trilhões: US$ 36 trilhões em ouro e US$ 1,4 trilhão em bitcoin. Com base nisso, o bitcoin representa hoje pouco menos de 4% desse mercado.²
Por isso, US$ 1 milhão por bitcoin parece improvável para muitos, e por anos também descartei essa hipótese. Com o tamanho atual do mercado, o bitcoin teria que conquistar mais de 50% do mercado de reserva de valor para atingir US$ 1 milhão. Esse é um patamar bastante elevado.
Mas aqui está o ponto que a maioria das pessoas ignora: o mercado de reserva de valor não é estático. Na verdade, ele se expandiu bastante nas últimas duas décadas. E, com o aumento das preocupações sobre a desvalorização das moedas fiduciárias, acredito que essa expansão continuará.
Passei a acompanhar o ouro mais de perto quando o primeiro ETF de ouro foi lançado nos EUA, em 2004. Na época, todo o mercado de ouro valia cerca de US$ 2,5 trilhões. (Valor não muito distante do mercado de bitcoin hoje!)
Com o tempo, esse valor saltou para quase US$ 40 trilhões — uma taxa composta de crescimento anual de 13% — impulsionado por preocupações com dívida pública, incertezas geopolíticas, políticas monetárias expansionistas e outros fatores.

Fonte: Bitwise Asset Management, com dados do World Gold Council e Bloomberg.
O erro ao avaliar o potencial do bitcoin está em ignorar esse crescimento. Se essa taxa se mantiver, o mercado global de “reserva de valor” chegará a cerca de US$ 121 trilhões em 10 anos. Nesse cenário, o bitcoin precisaria conquistar apenas 17% do mercado para valer US$ 1 milhão por unidade.
Ainda é um salto considerável — de cerca de 4% para 17% —, mas parece totalmente plausível ao olhar todo o progresso recente do bitcoin.
Poucos anos atrás, não existiam ETFs de bitcoin nos EUA, poucos investidores institucionais detinham bitcoin e ele era considerado volátil demais para justificar uma alocação acima de 1%. Hoje, os ETFs de bitcoin já são os ETFs de crescimento mais rápido da história, o bitcoin está nas carteiras de instituições como Harvard endowment e o fundo soberano de Abu Dhabi, e sua volatilidade de longo prazo caiu a ponto de muitos investidores profissionais considerarem alocações de 5%.
Ainda há muito a evoluir, mas, com essas tendências, conquistar um sexto do mercado de reserva de valor em 10 anos não parece exagero. Parece uma continuidade do que já vem acontecendo.
Naturalmente, é preciso olhar ambos os lados da equação.
É possível que o mercado global de reserva de valor não mantenha o ritmo de crescimento dos últimos 20 anos. As últimas décadas foram marcadas por crise financeira global, invenção do quantitative easing e um longo período de juros baixos. Esses fatores podem não se repetir, e pode haver uma retração nos preços do ouro. Outro risco é o bitcoin não conseguir ampliar sua participação de mercado.
Mas acredito que existe um risco igualmente relevante de que essas projeções sejam conservadoras demais — que o mercado de reserva de valor cresça ainda mais rápido no futuro, à medida que as preocupações com a dívida pública se agravem, e que o bitcoin acabe conquistando muito mais que 17% desse mercado em dez anos.
Na minha visão, o cenário base — de que o mercado de reserva de valor continuará crescendo e o bitcoin continuará ganhando espaço — leva a preços muito superiores aos atuais.
Notas
(1) Leitores antigos podem se lembrar que escrevi sobre esse tema em 2023. Desde então, minha visão se tornou mais clara.
(2) Vale destacar que o mercado de reserva de valor é maior que ouro e bitcoin se considerarmos ativos como prata, platina e paládio, mas, para facilitar a comparação, limitamos esta análise ao ouro e ao bitcoin.
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