Seis Anos de Viagem na Revolução das Stablecoins: Como o Ecossistema de Pagamentos Digitais Evoluiu

Nos últimos seis anos, testemunhámos uma grande transformação no setor financeiro—desde instituições tradicionais que permanecem à margem, até à sua participação ativa no ecossistema cripto. Este ano é marcado como a “Era das Stablecoins” da tecnologia financeira, mas a verdadeira história é mais profunda do que o hype que ouvimos hoje.

O Momento em que Tudo Mudou: Libra e a Grande Despertar

Em 2019, um evento abalou toda a indústria financeira. O Facebook—uma das maiores empresas de tecnologia do mundo—lançou o projeto da stablecoin Libra. Num instante, o cripto deixou de ser apenas uma brincadeira para entusiastas de tecnologia; tornou-se algo que os gigantes do setor bancário e de pagamentos precisavam levar a sério.

Para grandes instituições tradicionais como Visa, Mastercard e outras redes de pagamento, a Libra foi um toque de atenção. Inicialmente, grande parte do setor bancário via a blockchain como uma tecnologia experimental, um projeto paralelo que não faria parte das operações principais. Mas a Libra mostrou um potencial diferente—uma ambição séria e de grande escala para transformar o sistema de pagamentos global.

A reação das instituições foi rápida. Muitos dos parcerias da Libra desistiram devido à pressão regulatória, especialmente após forte oposição de órgãos governamentais e reguladores financeiros. Mas essa retirada não significou ausência de impacto. Pelo contrário, deixou uma marca importante e duradoura na estratégia dos grandes players—a necessidade de desenvolver suas próprias iniciativas de cripto e stablecoin.

De Pagamentos Tradicionais para Infraestrutura Blockchain

Essa percepção veio de uma observação simples sobre como funcionam os sistemas de pagamento tradicionais. Dentro dos bancos e redes de pagamento, o processo de liquidação ainda usa tecnologias antigas—wire transfers via SWIFT, sistemas mainframe e ciclos de liquidação T+2. Isso significa que, se você enviar dinheiro para o exterior nesta sexta-feira, ainda pode recebê-lo na quarta-feira seguinte.

O problema não é técnico, mas estrutural. A infraestrutura que suporta a liquidação foi desenhada para uma era diferente—onde a velocidade de processamento não era tão crítica quanto hoje. Mas a blockchain oferece uma nova possibilidade: liquidação instantânea, operações 24/7 e sem intermediários.

O primeiro experimento prático aconteceu na Ethereum, onde uma grande exchange de cripto começou a usar USDC para liquidação direta. Em vez de transferir ativos por canais bancários tradicionais—um processo que leva dias e requer margens de pré-financiamento—a liquidação ocorreu em poucos segundos. O impacto não foi apenas técnico; foi financeiro. Se não for mais necessário manter grandes reservas de caixa para processos lentos de liquidação, as empresas podem usar seu dinheiro de forma mais eficiente para operações comerciais.

O Ciclo Infraestrutura-Aplicação e o Labirinto do Ecossistema Cripto

Ao construir a Portal Finance, uma das principais lições foi a relação entre infraestrutura e aplicações. A sabedoria convencional diz que “há infraestrutura demais, aplicações de menos”. Mas a realidade é mais complexa.

Na história da tecnologia, o padrão se repete: melhor infraestrutura habilita novas aplicações, que por sua vez impulsionam a demanda por infraestrutura mais avançada. Este ciclo deve ser apoiado—não um ciclo isolado.

Na época da Portal, o foco estava na camada de infraestrutura porque era a única oportunidade. Soluções na camada de aplicações dependiam de transações rápidas e de baixo custo, mas os sistemas blockchain existentes não suportavam isso—ou, se suportavam, os custos eram altos. A Ethereum, apesar de sua maior comunidade de desenvolvedores e liquidez, já apresentava limitações conhecidas em throughput e eficiência de custos.

O paradoxo: o ecossistema mais forte é o mais lento e mais caro. Outras blockchains como Solana, Polygon e Tron são mais rápidas, mas a liquidez e o interesse dos desenvolvedores estão fragmentados. Não há solução perfeita—ainda.

Por isso, a aquisição do Monad pela Portal é tão importante. A Monad busca lançar uma rede com finalização em menos de um segundo, compatível com EVM, e capaz de suportar transações de alta performance. Para o ecossistema de pagamentos, isso é fundamental—velocidade não é só uma métrica, é dinheiro. Se uma transação leva 15 minutos para finalizar, não é prática para aplicações de negócios com alta frequência.

O Novo Modelo de Negócio das Stablecoins: De Spread de Juros para Serviços de Valor Agregado

A Lei GENIUS, assinada pelo governo dos EUA em julho, sinalizou uma mudança fundamental na economia das stablecoins. O modelo tradicional—onde emissores como Tether e Circle lucram com o spread de juros sobre holdings do Tesouro dos EUA—está desaparecendo à medida que o quadro regulatório exige maior transparência e distribuição de benefícios aos usuários.

Novos players como Paxos e M0 adotam uma abordagem diferente: entregam diretamente aos usuários a renda de juros gerada pelos ativos subjacentes. Não é apenas uma mudança de compartilhamento de lucros; é uma reimaginação fundamental de como o dinheiro funciona em movimento.

No setor bancário tradicional, juros só são ganhos se o dinheiro estiver em uma conta—não se movimentando. Mas, com stablecoins baseadas em blockchain, o dinheiro pode gerar retornos enquanto circula, é usado e transaciona. Isso abriu uma nova primitive financeira que ainda não vimos em escala semelhante.

A implicação é ampla. Se o dinheiro gera retorno enquanto circula, todos os incentivos econômicos mudam. Os usuários terão maior motivação para usar stablecoins em transações diárias, não apenas para manter. Os comerciantes terão maior incentivo para aceitar, pois a receita de liquidação será maior. Todo o sistema se torna auto-reforçador.

A Nova Era do Fintech Global: Bancos Sem Fronteiras Geográficas

Um dos aspectos mais revolucionários da infraestrutura de stablecoins é a possibilidade de plataformas bancárias “globais desde o primeiro dia”. A primeira geração de fintechs—de Nubank no Brasil a Chime nos EUA—foi construída sobre infraestrutura bancária local. Isso limita seu mercado endereçável a um único país ou região.

Mas, ao basear a plataforma em stablecoin e blockchain, essa limitação desaparece. Uma nova empresa pode lançar serviços bancários globais desde o início, sem negociações regulatórias complexas em cada país. Os efeitos de rede são instantâneos e globais.

Isso abriu uma nova categoria de fundadores e construtores—pessoas que não estão limitadas por fronteiras geográficas, mas que desde o início pensam para o mercado global. A implicação não é só para startups; até grandes instituições financeiras precisarão repensar suas estratégias de produto.

A Próxima Fronteira: Agentes de IA e Finanças de Alta Frequência

Se perguntarmos qual será o aspecto mais empolgante nos próximos três a cinco anos, a resposta é clara: a combinação de Agentes de IA e operações financeiras de alta frequência.

O estado atual da automação é limitado à eficiência humana. Algoritmos podem executar transações mais rápido que uma pessoa, mas a magnitude não é só velocidade—é uma nova categoria de fluxo de trabalho.

Quando a infraestrutura blockchain suportar transações em menos de um milissegundo, e agentes de IA tomarem decisões financeiras de forma autônoma, todo o paradigma mudará. Não será exclusivo para high-frequency trading na Wall Street. A rigorosa engenharia e a tomada de decisão algorítmica poderão ser aplicadas às operações financeiras diárias das corporações.

Imagine um gestor financeiro que administra fundos multimoeda em diferentes países. Antes, era uma programação manual e execução. No futuro, com LLMs e infraestrutura blockchain de alto desempenho, o sistema otimizará automaticamente a alocação de fundos entre moedas e mercados em grande escala, aumentando os lucros das operações. A capacidade de “high-frequency trading” não será mais exclusiva dos mercados financeiros; será uma funcionalidade padrão das operações financeiras corporativas.

A Mensagem no “Momento Email” do Dinheiro

Stablecoins não são apenas uma tecnologia; são uma nova primitive para transferência de valor—uma capacidade comparável à velocidade da internet para comunicação. Assim como o email mudou a forma como as pessoas se comunicam, as stablecoins e a blockchain transformarão a forma como as pessoas transferem valor.

O impacto ainda não foi totalmente percebido. Pode revolucionar o financiamento da cadeia de suprimentos, reduzir custos de remessas a zero, ou permitir uma nova classe de serviços financeiros que ainda nem imaginamos. Mas a verdadeira liberação acontecerá somente quando a tecnologia estiver integrada de forma fluida em todas as aplicações—sem que o usuário precise pensar em blockchain, apenas experimentando a velocidade da internet nas transações financeiras.

Só assim, e somente assim, a verdadeira revolução começará.

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