Tarifas + crise no Médio Oriente: a subida do preço do petróleo volta a acender o risco de inflação?



Os mercados globais estão a voltar a negociar uma palavra-chave:

Inflação.

Até agora, a maior expectativa dos investidores era:

Cortes nas taxas de juro.

Libertação de liquidez.

Os ativos de risco continuarem a subir.

Mas, nos últimos dois fatores, estão a mudar as expectativas do mercado:

A escalada das políticas tarifárias de Trump.

A tensão no Médio Oriente, com aumento do risco associado ao Irão.

Ambos impulsionam a volatilidade nos mercados energéticos e fazem com que o mercado volte a preocupar-se com:

A subida do preço do petróleo pode tornar-se o detonador de uma nova vaga de pressões inflacionistas?

Por que motivo a subida do preço do petróleo afeta os ativos globais?

Muitos acreditam que:

A subida do preço do petróleo é apenas um problema dos mercados de energia.

Mas, na realidade, o crude é o “núcleo de custos” da economia global.

Da logística.

À produção.

E à produção de bens de consumo.

Quase todas as indústrias acabam por ser afetadas.

Se o preço do petróleo continuar a subir:

Os custos das empresas aumentam.

Os preços dos bens sobem.

A pressão sobre os consumidores intensifica-se.

E, no fim, pode acabar por se refletir nos dados de inflação.

O fator do Irão: o mercado teme riscos no abastecimento de energia

O Médio Oriente é há muito a zona mais sensível dos mercados energéticos globais.

Em particular, mudanças na situação relacionada com o Irão afetam diretamente as expectativas do mercado sobre o fornecimento de crude.

O que o mercado negocia não é necessariamente:

“Quanto petróleo vai deixar de haver hoje.”

Mas sim:

Se existe incerteza no fornecimento no futuro.

O que os mercados financeiros mais temem é:

A incerteza.

Assim, quando os riscos geopolíticos se intensificam, o dinheiro costuma reagir com antecedência.

Políticas tarifárias de Trump: potencial para gerar nova pressão inflacionista

Na essência, as tarifas são uma forma de transferência de custos.

Quando o custo dos produtos importados sobe:

As empresas podem optar por absorver parte dos custos.

Ou podem aumentar os preços de venda.

No fim, o impacto recai sobre os consumidores.

É também por isso que o mercado está preocupado:

Se as tarifas fizerem subir os preços dos bens.

Então a tendência de queda da inflação que vinha a acontecer poderá voltar a repetir-se.

Aumenta a pressão sobre a Fed

Agora, a principal questão que o mercado está a observar:

Não é saber se a Fed está disposta a cortar as taxas.

É sim:

Se a inflação permite que ela corte as taxas.

Se vier a acontecer no futuro:

Subida do preço do petróleo.

Recuperação dos preços dos bens.

Rebote nos dados de inflação.

Então a Fed poderá manter taxas mais elevadas durante mais tempo.

Ou até adiar o momento de corte.

Que ativos podem ser afetados?

1. Ouro

O ouro pode atrair atenção como ativo de refúgio.

Porque:

Riscos geopolíticos.

Preocupações com a inflação.

Pressão sobre a credibilidade da moeda.

Tudo isso aumenta a atratividade do ouro.

Mas, a curto prazo, também é preciso acompanhar o comportamento do dólar.

Se o dólar disparar por efeito de refúgio, o ouro pode entrar em consolidação.

2. Ações de tecnologia dos EUA

O maior problema das ações de tecnologia:

Valorações elevadas.

Se o mercado voltar a negociar:

Taxas de juro altas.

Inflação.

Dólar mais forte.

A pressão sobre as ações de crescimento aumenta.

Em particular, nos setores dependentes de expectativas futuras de lucros, como o segmento de IA.

3. Setor energético

A subida do preço do petróleo costuma beneficiar as empresas de energia.

Em particular:

Produtores de petróleo.

Empresas de serviços energéticos.

Mas, se a subida do preço do petróleo levar a uma desaceleração da economia, pode também criar novas tensões no mercado.

O que está verdadeiramente em disputa agora

Não é:

Se o preço do petróleo vai subir ou não.

É sim:

Se a subida do preço do petróleo vai alterar o caminho das políticas da Fed.

Se for apenas uma preocupação de curto prazo com o abastecimento:

O mercado pode absorver rapidamente.

Mas se evoluir para:

Energia a subir + inflação a reagir + cortes nas taxas adiados.

Então os ativos globais podem enfrentar uma nova reprecificação.

A minha perspetiva:

Neste momento, o mercado está a trocar de “trade de cortes nas taxas” para “trade de risco de inflação”.

Nas próximas semanas, vale a pena acompanhar com foco:

A trajetória do preço do petróleo.

Os dados de inflação dos EUA.

As yields dos Treasuries dos EUA.

O índice do dólar.

Estes quatro indicadores vão determinar a direção da próxima fase dos ativos de risco.

O que o mercado mais teme não é a subida do preço do petróleo por si só, mas sim que a subida do petróleo volte a acender a inflação. Se a energia se transformar num novo motor de inflação, as expetativas de cortes da Fed poderão ser novamente adiadas e os ativos globais entrarão numa nova ronda de reprecificação.
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