Recentemente, vi Navál fazer uma nova jogada, desta vez um pouco mais ousada. Ele, cofundador da AngelList, lançou um fundo chamado USVC, alegando democratizar o investimento privado, permitindo entrada com apenas 500 dólares, comprando ações de OpenAI, Anthropic, xAI, esses pesos pesados do Vale do Silício. À primeira vista, parece uma vitória pela igualdade financeira, mas ao abrir a tampa, a lógica é muito mais complexa.



Primeiro, o que atrai. Navál investiu pessoalmente em mais de 400 empresas, incluindo Uber, Twitter, Notion, mas esses investimentos tinham barreiras altas demais para o público comum. Agora, o USVC contorna a barreira do "investidor qualificado", registrando-se como um fundo fechado sob a Lei de Empresas de Investimento de 1940, permitindo acesso a todos. O fundo é enorme, a plataforma AngelList gerencia ativos acumulados de 125 bilhões de dólares, com mais de 4.500 gestores de fundos e mais de 25.000 fundos. Só por esses números, Navál certamente tem respaldo.

Mas aí fica interessante. Na página principal do site, está escrito em destaque: "Taxa de gestão de 1%, sem participação nos lucros", comparando com a taxa tradicional de 2% de VC. Parece vantajoso, mas ao verificar os detalhes, a taxa total é de 2,50% (durante o período de isenção), e após o período, sobe para 3,61%. Por quê? Porque o USVC, na essência, é um FOF (Fundo de Fundos), a maior parte do dinheiro é investida em outros fundos geridos por gestores que cobram 2% de taxa de gestão e 20% de participação nos lucros, e esses custos acabam sendo repassados aos investidores menores.

Ainda mais interessante é o tamanho do fundo. Segundo a SEC, até o final do ano passado, o USVC tinha apenas 8,3 milhões de dólares, sendo 56% investidos em fundos do mercado monetário governamental, com retorno anual de apenas 3,66%. Você vê a combinação brilhante de OpenAI e xAI, mas na realidade, mais da metade do dinheiro ainda está em títulos do governo.

A equipe de Navál explica que o fundo foi recém-criado, e o deployment de caixa leva tempo, ainda há projetos na pipeline. Mas o problema é que esse momento é bastante delicado. Nos últimos dez anos, as avaliações de private equity já subiram bastante: OpenAI cresceu de 86 bilhões para 500 bilhões em três anos, e xAI de 24 bilhões para mais de 200 bilhões em 18 meses. O mercado público já deu sinais de alerta: a Figma caiu 50% do preço de private equity duas semanas após a IPO, Klarna caiu de 460 bilhões para 67 bilhões. Nesse momento, empacotar e vender posições para investidores menores parece mais uma distribuição de algo que já valorizou bastante.

Outro problema é a liquidez. O limite de recompra trimestral é de apenas 5%, o que parece amigável, mas se o mercado precisar ajustar, e os valuations de private equity caírem, a decisão racional do conselho será não recomprar. Seu investimento de 500 dólares, na prática, não se realiza.

Um analista fez uma pergunta direta e afiada: você está comprando um fundo, ou a atenção de Navál nesses anos? O período de janela do fundo pode depender de quanto tempo ele permanece como presidente do comitê de investimentos. Não estou dizendo que Navál tem problemas, mas essa estrutura já nasce dependente dessa influência.

"Democratizar" já aconteceu várias vezes na história financeira, mas sempre surge uma questão: democratizar oportunidades ou riscos? Com o USVC, talvez ambos.
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