Acabei de descobrir algo fascinante sobre como na Guatemala celebram a Semana Santa de uma maneira completamente diferente do que estamos habituados noutros lugares. Não é apenas um feriado religioso qualquer, mas que se tornou um Património Cultural Imaterial da Nação. As procissões que percorrem as ruas são tão intensas e elaboradas que realmente percebes porque esta celebração é muito mais do que um simples descanso.



A história disto é interessante. Tudo começou na época colonial quando os missionários espanhóis chegaram com as suas tradições católicas, mas o que aconteceu foi que as comunidades indígenas não só as adotaram, como as fundiram com a sua própria cultura. Com o tempo, as confrarias, que são basicamente irmandades de fiéis, tornaram-se fundamentais para organizar tudo. Elas encarregavam-se de cuidar das imagens sagradas, preparar as imagens e coordenar os percursos. Assim nasceu esta mistura única de barroco, tradição indígena e elementos contemporâneos.

O que mais me impressiona é como se celebra atualmente. As procissões são o coração de tudo, com imagens de Jesus Cristo, da Virgem Maria e outros personagens bíblicos carregados em andaimes que podem pesar até uma tonelada. Os cucuruchos e carregadores, homens e mulheres vestidos com túnicas roxas ou pretas, carregam estas estruturas enquanto caminham sobre tapetes incríveis. E aqui vem a parte que realmente me surpreendeu: estes tapetes são feitos com serradura tingida, flores, frutas para desenhar desenhos complexos, legumes e outros materiais naturais. Os padrões são religiosos, geométricos e culturais, tudo combinado numa obra de arte efémera.

Os dias mais intensos são o Domingo de Ramos, Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Domingo de Páscoa. Mas se há um lugar onde tudo isto ganha vida de verdade, esse é Antigua Guatemala. Durante essas datas, a cidade transforma-se num dos destinos mais visitados de toda a América Central. O que me parece notável é que a organização começa meses antes, com autoridades locais, comércios, escolas e vizinhos a trabalharem juntos na planificação, decoração e limpeza. É um esforço coletivo que reflete quanto esta tradição significa para os guatemaltecos.
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