Rob Hadick:O impacto da situação no Irã nos mercados macroeconómicos e nas criptomoedas

Escrito por: Unchained

Traduzido por: Baihua Blockchain

Quando o “Fogo do Oriente Médio” no Twitter encontra o “Iceberg Econômico” de Wall Street, os ativos globais estão a desencadear um teste de resistência na região. Com a escalada das ações militares dos EUA e Israel contra o Irã, o CFA e os títulos do Tesouro dos EUA estão a oscilar de forma anormal, enquanto uma tempestade de Bitcoin no centro do furacão mostra uma vigilância surpreendente — será isto uma “recompensa” de refúgio ou a última calmaria antes da tempestade?

Nesta edição, convidamos o principal investidor de criptomoedas, Rob Hadick, da Dragonfly. Ele irá desvendar a névoa da geopolítica, levando-o a uma análise das orações mais secretas do mercado: derivados extremos na cadeia Hyperliquid, e a batalha interna em Washington sobre o mito das stablecoins. Quando guerra, ganância e uma nova ordem cripto se encontram na mesma encruzilhada, os investidores comuns percebem a profundidade deste jogo transnacional? Este não é apenas um balanço de conflitos, mas um guia de sobrevivência para encontrar uma estabilidade de longo prazo na era do caos.

Primeira parte: Turbulência na geopolítica e nos mercados macroeconômicos

Moderador: Hoje, a situação do mercado reflete uma verdade: quando ocorrem grandes eventos geopolíticos, há volatilidade. Após o ataque dos EUA e Israel ao Irã, o dólar ultrapassou 80 por barril, ouro e dólar estão em alta. Mas o Bitcoin tem se mostrado bastante estável, até mesmo menos volátil que outros ativos de refúgio. Conta-nos, o que observaste nos últimos 48 anos?

Rob: Sim, claramente estamos num momento muito delicado para as criptomoedas no contexto macroeconômico. Antes mesmo da escalada do regime iraniano, essa delicada prévia já existia. Eu evitava chamar de “guerra”, mas com Pete Hegseth e Trump usando esse termo em 24 horas, acho que podemos começar a falar de uma “guerra com o Irã”.

No fim de semana, o desempenho das criptomoedas surpreendeu positivamente. Apesar das ações globais caírem na noite (o S&P abriu com uma queda de cerca de 1,25%), pelo menos houve alguma alta, e o sentimento geral parecia frágil, mas ainda sem colapso. Ainda estamos a observar o que acontecerá nas próximas semanas.

A narrativa inicial era que tínhamos cortado muitas linhas de comando do Irã, e o conflito deveria terminar em breve. Mas agora parece que não. Trump afirmou ontem que espera que o conflito dure pelo menos 4 semanas. Se ele diz 4 semanas, na sua linha de raciocínio, pode ser mais tempo — o que aumenta significativamente o risco econômico contínuo.

O mercado já discute uma possível estagflação ou entrada nela. Se a produção de petróleo no Oriente Médio continuar interrompida, e se a Straits de Hormuz for potencialmente bloqueada, o risco de estagflação aumenta ainda mais. Do ponto de vista macro, estamos numa fase muito perigosa, e o mercado está bastante frágil. Portanto, o desempenho do Bitcoin e das criptomoedas é encorajador, pois não só não colapsaram, como até mostraram uma pequena recuperação. O mercado cripto parece mais resistente que o mercado de ações, mas se este realmente cair, não tenho certeza se o mercado consegue resistir.

Moderador: Sim. Um bom exemplo do terremoto que descreves é o movimento dos títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA. Na verdade, eles estão a subir, o que é estranho, pois contraria a lógica habitual de refúgio: “dólar sobe, preço dos títulos sobe (não cai)”. Como vês essa anomalia?

Rob: Acho que é claro que o mercado teme uma aceleração da inflação, ou até uma inflação crescente, ou seja, uma estagflação.

Por outro lado, Kevin Waugh deve entrar no Federal Reserve em meados de maio. O mercado especula se ele adotará uma postura hawkish ou se cederá às pressões políticas — Trump claramente quer reduzir as taxas. Essa incerteza confunde as pessoas.

Outro ponto que tem sido ignorado é a decisão de acabar com a sentença sobre a IIPA, que considerava as tarifas anteriores uma expansão do poder executivo, ilegal. Trump imediatamente anunciou uma nova tarifa legal, com duração de pelo menos 180 dias, podendo chegar a 15%. Os traders de diferentes mercados estão a interpretar essas conclusões de forma totalmente oposta, criando uma confusão enorme.

Segunda parte: O jogo entre visão de longo prazo e riscos de curto prazo

Moderador: Concordo plenamente. A ansiedade revela a expectativa de cortes de juros pelo Fed, a complexidade da inflação, tarifas e outros fatores interligados. Gostaria de ampliar o foco e falar sobre a pandemia. Como você disse, o calendário da doença é incerto. Trump parece querer repetir a estratégia de derrubar Maduro, mas a situação do Irã é completamente diferente. Se for uma mudança terrorista, será uma mudança sangrenta, seja no Afeganistão ou não. Num país de 93 milhões de habitantes, isso será caótico e violento. Acho que 4 semanas não serão suficientes.

Como você posiciona seus investimentos nesse cenário? Como os investidores que acompanham você se posicionam? Com base em históricos (como a crise tarifária do ano passado ou o programa nuclear do Irã), o mercado costuma fazer uma recuperação em V, mas desta vez será diferente?

Rob: Sim. Nosso perfil é diferente de muitos ouvintes. Temos uma visão de longo prazo, com hipóteses de manter investimentos por um ou vários anos. Embora busquemos pontos de entrada, nossa análise principal é do contexto macro global.

Tenho uma observação central: o bom desempenho do Bitcoin e das criptomoedas no fim de semana é um sinal muito positivo. Apesar de alguns dizerem que o Bitcoin é uma reserva de valor, que deve subir com commodities, seu desempenho nos últimos meses não confirmou isso. Agora, ele mostra baixa correlação e o padrão de negociação indica que os vendedores estão quase esgotados, sendo a maior parte dos investidores de longo prazo. Isso é uma base sólida para a tendência de longo prazo das criptomoedas.

Em contrapartida, há riscos reais de curto prazo. O mercado de ações, após uma reação positiva às expectativas de Nvidia, voltou a cair rapidamente. Está muito sensível, e não é apenas por relatórios de instituições famosas que geram pânico. Prevejo que a tendência de longo prazo das criptomoedas permanece positiva (adoção institucional, melhoria na estrutura de mercado), mas se o S&P 500 recuar 10-15% por causa de problemas de fome ou outros, o Bitcoin terá dificuldades de se manter isolado.

Moderador: Interessante. No fim de semana, li no Financial Times um artigo dizendo que os traders estão completamente perdidos, e que uma simples publicação de blog pode derrubar o mercado em 3%. É um cenário clássico.

Gostaria de destacar que o futuro das criptomoedas a longo prazo pode ser o melhor. Seja pelo avanço da tokenização de ativos na Wall Street, ou pela forte demanda por stablecoins, se você pensar em escala de longo prazo, tudo isso é muito promissor.

Rob: Concordo.

Moderador: Hoje de manhã, analisei dados de opções na Deribit, e eles confirmam sua visão. As maiores posições em aberto estão em opções de venda de 60 mil dólares, especialmente nos próximos dias, indicando uma forte proteção contra quedas de curto prazo. Mas, ao chegar ao final do mês, as opções de compra de 900 mil a 1 milhão de dólares ganham destaque. Essa combinação de “olhar para o curto prazo, pensando no longo” está muito forte.

Rob: Não sou especialista em militar, mas acho que precificar o conflito como uma operação de bloqueio semelhante à de junho do ano passado pode estar errado. As notícias de hoje de manhã já indicam uma mudança de sentimento. Inicialmente, todos pensavam que o conflito terminaria rapidamente, mas os EUA ainda não entraram totalmente no espaço aéreo iraniano, o que mostra que os sistemas de defesa iranianos ainda estão ativos.

Além disso, Trump mencionou ontem a possibilidade de mudança de liderança, mas quem poderia ser o “líder pró-EUA” já estaria resistindo. As informações estão muito confusas, e há relatos de que a CIA não estaria preparada para interceptações aéreas, preocupada com mísseis na região. Tudo indica que a duração e o alcance do conflito estão além do esperado.

Terceira parte: Desempenho de ativos cripto na geopolítica

Moderador: Trabalhei nos EUA por cinco anos, não na área de armas conjuntas, mas sei bem que, assim que os tiros começam a voar, qualquer “plano detalhado” pode falhar. Quando a ameaça do Irã à sua sobrevivência se concretiza, eles irão agir de forma decisiva.

Você acha que o mercado já precificou o risco do Irã? E se os ouvintes quiserem proteger-se contra riscos de queda, que recomenda?

Rob: Acho que o mercado está bastante ajustado neste momento. As ações caíram um pouco, o Bitcoin ficou de lado com uma leve alta, o que faz sentido. Os dados de opções também mostram que as pessoas estão a fazer proteção de curto prazo e estratégias de longo prazo.

Quanto aos riscos, além do Irã, há preocupações com inteligência artificial e o mercado de trabalho. Por exemplo, a Block anunciou uma avaliação de 40%, algo raro na história de uma grande empresa listada. Precisamos acompanhar se esses sinais se espalharão.

Moderador: Outro ponto interessante: o Bitcoin sempre foi “injustamente tratado” nos fins de semana, por ser o único ativo negociado 24 horas. Mas agora há tokenização de ações e commodities. Você notou alguma novidade nas negociações desses ativos no fim de semana?

Rob: Sim. O volume de negociações na Hyperliquid foi enorme, especialmente com o HYPEToken, que subiu cerca de 12% desde o início do ataque.

Moderador: Talvez o HYPE já seja considerado uma “reserva de valor” no cripto.

Rob: Muito provável. No mercado HIP-3 da Hyperliquid, vimos um aumento acentuado na negociação de tokens de commodities, como prata e petróleo. O petróleo foi, de fato, o ativo mais negociado neste fim de semana.

A tokenização de ações (Tokenized Stocks) apresentou problemas estruturais: como os market makers fazem hedge? Se na segunda-feira as ações do mercado americano caírem 10%, como os traders on-chain vão liquidar suas posições? Atualmente, muitas ações físicas na cadeia são embaladas por SPVs, o que é bastante ineficiente, e títulos não negociáveis não podem ser resgatados. Tenho mais confiança em derivativos on-chain do que nesse tipo de embalagem.

Moderador: Então, nos próximos dias, quais indicadores você vai acompanhar para avaliar a situação?

Rob: Não dou muita atenção aos gráficos de velas. O mais importante é que surjam sinais de “desescalada” do conflito. Se Trump e a mídia israelense começarem a falar de uma escalada ou de ataques mais severos, isso indica uma guerra prolongada. Isso se refletirá na curva de contorno do petróleo, por exemplo, se o preço disparar para 100 dólares, o que seria um golpe forte para todos os ativos de risco, incluindo criptomoedas.

Quarta parte: A posição de Dubai e o progresso na legislação da Lei de Esclarecimento

Moderador: Antes de mudar de assunto, vamos falar de Dubai. Dubai quer se tornar um centro de criptomoedas, com uma grande conferência no final de abril. Mas, com a guerra na porta de casa, até fragmentos de mísseis atingiram hotéis na cidade. Se armas nucleares deixarem de ser imunes às retaliações do Irã, o que isso significa para sua posição como hub cripto?

Rob: É uma preocupação válida. Os fragmentos de mísseis atingiram um hotel na Palm Jumeirah, o que é lamentável. Apesar de alguma propaganda oficial iraniana, a situação atual deixa a comunidade estrangeira insegura. Dubai tem uma regulamentação avançada (como o quadro ADGM), e se o conflito acabar logo, a tendência continuará. Mas se a destruição persistir, as pessoas vão querer sair. Eu tinha planos de ir a Dubai daqui a 8 semanas para uma palestra, mas se a situação permanecer assim por 4 semanas, fica a dúvida se conseguiremos manter o cronograma.

Moderador: Entendido. Vamos mudar de assunto para falar da Lei de Esclarecimento (Agreement). O governo dos EUA quer que bancos e a indústria cripto compartilhem receitas de stablecoins, mas o projeto não avançou. O que você sabe de insiders?

Rob: A previsão do Polymarket indica que a chance de aprovação do projeto subiu para 70%, mas depende de quem você perguntar.

O principal ponto de conflito é a questão do “compartilhamento de receitas”. Emissões como Coinbase querem devolver parte dos juros gerados pelas stablecoins aos usuários (como recompensa de fidelidade ou cashback). Mas os bancos fazem forte lobby contra, preocupados que isso transforme stablecoins em “fundos de mercado monetário” ou “depósitos bancários”, prejudicando suas margens de juros. Se os bancos não aceitarem uma concessão, o projeto pode não passar.

Moderador: Os bancos oferecem quase zero de juros sobre depósitos, enquanto as stablecoins oferecem 3,5%. Isso ameaça a sobrevivência bancária. Que concessões eles podem aceitar?

Rob: Provavelmente, os emissores não poderão pagar diretamente aos usuários os lucros de forma automatizada. Mas, após lucrarem, podem decidir como distribuir esses lucros como recompensas.

Isso já acontece. Se a lei proibir emissores de usar receitas para marketing ou cashback, não só protegerá o status quo, como atrasará a inovação financeira. Precisamos atuar em duas frentes: avançar com a Lei de Esclarecimento e monitorar as regulações do OCC para evitar restrições mais severas.

Moderador: Difícil mesmo. Trabalhei no Citibank, que tem altos custos regulatórios e de seguro. Mas acho que o ambiente competitivo deve ser justo.

Rob: Concordo. Um sinal positivo é que a Escócia entende a importância dessa lei. Se conseguirmos um acordo antes do Dia dos Caídos (Memorial Day) e votar, será ótimo. Caso contrário, a intervenção política na eleição pode complicar tudo.

Quinta parte: Novo fundo da Dragonfly e avaliação do setor

Moderador: Para finalizar, fale do seu fundo. A Dragonfly levantou 650 milhões de dólares, parabéns. Por que esse tamanho? Quais são as áreas prioritárias?

Rob: Obrigado. Estamos a investir em “mercados ruins” e a captar recursos em “bons mercados”. Apesar da turbulência geopolítica, o ciclo do setor indica que este é um momento excelente para investir em empresas, pois há menos capital entrando e menos FOMO irracional.

Observamos uma forte tendência estrutural: adoção de stablecoins e tokenização de ativos, além de produtos DeFi com forte ajuste ao mercado, como Hyperliquid. É uma fase ideal para construir uma nova infraestrutura financeira.

Por que 650 milhões e não 2 bilhões? Porque queremos manter o foco. O setor de venture capital tem um jogo eterno: administrar um fundo com 2% de taxa de gestão ou buscar retornos de 20% com carry. Alguns fundos maiores expandem seus investimentos, até em áreas menos familiares, para gerir mais dinheiro.

Optamos por manter um tamanho ajustado, focando em stablecoins, finanças cripto, digitalização e ativos on-chain. Não queremos sacrificar qualidade por escala, buscamos os melhores retornos em nichos específicos.

Moderador: “Ampliar o raio de ação” é uma forma delicada de dizer “baixar o padrão”.

Rob: Haha, ou é baixar o padrão, ou investir em setores totalmente diferentes, o que não é nossa proposta inicial.

Moderador: Entendido. Ótimo resumo. Rob, obrigado pelo seu tempo hoje. Esperamos tê-lo de volta em breve.

Rob: Obrigado, Steve. Também estou ansioso.

Moderador: Obrigado a todos pela audiência.

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