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Mike McGlone alerta para o risco de desvalorização do Bitcoin face às expectativas deflacionistas
Análise de Mike McGlone, estrategista sénior de mercados de commodities da Bloomberg Intelligence, volta a chamar a atenção do mercado pela sua contradição com o sentimento atual dos investidores. Desta vez, McGlone prevê uma subavaliação significativa do Bitcoin em relação ao ouro, o que pode sinalizar uma viragem iminente no mercado de ativos digitais. Apesar de sua conhecida ceticismo em relação ao mercado de criptomoedas, o analista identificou uma relação interessante entre esses dois ativos.
Lógica da deflação: por que McGlone escolhe o ouro
Segundo o analista, a situação económica atual está a entrar numa fase deflacionária após um período de pressão inflacionária. Nesses momentos, investidores experientes tendem a migrar de ativos especulativos de risco para reservas de valor mais conservadoras. McGlone acredita que o ouro, como ativo tradicional com uma história de vários séculos, torna-se a escolha preferida pelos gestores de carteira.
O mercado de criptomoedas, na sua avaliação, é demasiado volátil e especulativo para um período de incerteza económica. Isso explica por que, mesmo com preços recorde do Bitcoin — que atingiu mais de $105.000 no ano passado — o especialista em mercados de commodities vê uma sobrevalorização fundamental do ativo.
Sobrevalorização do Bitcoin: uma vantagem de 33 vezes que pode evaporar
A métrica principal na análise de McGlone é a relação de valor: no pico de 2025, um Bitcoin valia 33 vezes mais do que uma onça de ouro. Segundo o analista, esse desequilíbrio não é sustentável historicamente e indica uma correção à vista. Ele destaca que, se os mercados financeiros tradicionais entrarem numa tendência de baixa, a pressão sobre ativos especulativos será inevitável.
Essa relação serve como prova de que o mercado de criptomoedas foi superavaliado, e em tempos de desaceleração económica, esses ativos são os primeiros a serem vendidos por investidores institucionais.
Cenário de McGlone: Bitcoin a $40.000, ouro a $4.000
De acordo com cálculos do analista da Bloomberg, o cenário de equilíbrio entre os ativos seria o seguinte: o ouro subiria para $4.000 por onça, enquanto o Bitcoin cairia para $40.000. Isso significaria uma redução da relação de 33x para 10x — um nível que McGlone considera mais justo em um contexto de pressão deflacionária.
Curiosamente, o nível de $40.000 para o Bitcoin não é visto por ele como um fundo, mas como uma avaliação adequada do ativo no ciclo macroeconómico. Embora esse valor corresponda aos níveis já atingidos em 2023, McGlone vê nele uma sobrevalorização justa em relação aos ativos tradicionais.
Estado atual do mercado: do pico à correção
No momento da análise, o Bitcoin está cotado a $68.370, uma queda de 3,91% nas últimas 24 horas. A forte redução a partir de mais de $105.000 indica que o mercado já começou a reagir aos sinais macroeconómicos que McGlone previu. O volume diário de negociação é de $937 milhões, refletindo atividade dos traders apesar da correção.
Os dados mostram que especialistas e investidores de retalho acompanham atentamente a dinâmica. Embora o cenário de $40.000 ainda não tenha sido atingido, a direção do movimento de preço está alinhada com a sua previsão de deslocamento de capitais de ativos especulativos.
Visão alternativa: Robert Kiyosaki acredita no oposto
Nem todos os especialistas concordam com a visão de McGlone. Robert Kiyosaki, autor do best-seller “Pai Rico, Pai Pobre”, apresenta uma perspetiva diametralmente oposta. Na sua opinião, o colapso iminente dos mercados financeiros tradicionais será, na verdade, um catalisador para uma entrada de capitais no Bitcoin, que será visto como uma refúgio seguro contra a crise sistémica.
Essa dicotomia de opiniões destaca a principal dúvida dos investidores em criptomoedas: o Bitcoin é uma proteção contra o sistema financeiro ou uma bolha especulativa? McGlone vê-o como uma bolha prestes a estourar, enquanto Kiyosaki considera-o a única resposta adequada ao risco sistémico.