Os contratos futuros de café Arábica subiram na segunda-feira, com os contratos de março (KCH26) fechando +5,35 pontos, representando um ganho de +1,52%. Entretanto, os contratos de robusta de março (RMH26) subiram +55 pontos, ou +1,33%. A alta refletiu um apoio generalizado de um dólar dos EUA enfraquecido, que caiu mais -0,5% para atingir uma mínima de 4 meses. Essa fraqueza cambial criou ventos favoráveis nos mercados de commodities, com o café entre os principais beneficiados.
Fraqueza do Dólar Fornece o Principal Impulso para os Contratos Futuros de Café Arábica
A queda contínua do índice do dólar tem se mostrado otimista para os mercados denominados em commodities. Um dólar mais fraco torna as commodities mais baratas para compradores internacionais, geralmente estimulando a demanda. Para os contratos futuros de café arábica, essa depreciação cambial ocorre num momento crítico, em que as dinâmicas de oferta estão cada vez mais complexas e em mudança. A relação inversa entre a força do dólar e os preços das commodities continua sendo uma das dinâmicas mais confiáveis nos mercados globais, e as negociações de segunda-feira refletiram claramente esse padrão.
Restrições na Oferta de Café no Brasil Reforçam o Apoio aos Preços
O Brasil, maior produtor mundial de arábica, continua enfrentando obstáculos relacionados ao clima que sustentam preços mais altos. Minas Gerais, maior região produtora de arábica do Brasil, recebeu apenas 33,9 mm de chuva na semana que terminou em 16 de janeiro — uma queda significativa, representando apenas 53% da média histórica. Essa precipitação abaixo da média ameaça o desenvolvimento da safra e as perspectivas de produção.
Dados de exportação da Cecafe reforçam a escassez de oferta. As exportações totais de café verde do Brasil caíram -18,4% em dezembro, para 2,86 milhões de sacos, com as remessas de arábica diminuindo -10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos. As exportações de robusta mostraram quedas ainda mais acentuadas, caindo -61% em relação ao ano anterior, para apenas 222.147 sacos. Essas reduções nas saídas do maior produtor mundial oferecem suporte tangível aos preços futuros do café arábica.
A Conab, agência de previsão de safra do Brasil, aumentou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, no início de dezembro, mas essa projeção fica aquém do cenário otimista de longo prazo criado pelo stress climático e restrição de exportações. A combinação de restrições de oferta de curto prazo e incerteza na produção criou um ambiente de suporte.
Recuperação de Estoques e Competição Vietnamita Criam Obstáculos
No entanto, os contratos futuros de café arábica enfrentam pressões contrárias. Os estoques de arábica monitorados pela ICE, embora tenham atingido uma mínima de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperaram-se para 461.829 sacos em 14 de janeiro — seu nível mais alto em 2,5 meses. De forma semelhante, os estoques de robusta caíram para mínimas de 1 ano antes de se recuperarem para 4.609 lotes no final de janeiro. Essa reconstrução de estoques pode, eventualmente, pressionar os preços se as ofertas continuarem a se acumular.
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, está emergindo como uma fonte significativa de oferta. As exportações de café do Vietname em 2025 aumentaram +17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do país. As projeções indicam que a produção de 2025/26 do Vietname deve subir +6% em relação ao ano anterior, para 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos) — o nível mais alto em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname sugeriu que a produção poderia subir ainda mais se o clima favorável persistir.
Dinâmicas do Mercado Global e Perspectivas de Produção 2025/26
A Organização Internacional do Café informou em novembro que as exportações globais de café para o atual ano de comercialização caíram modestamente -0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, indicando uma relativa escassez. No entanto, a perspectiva de longo prazo apresenta complexidade.
O Serviço de Agricultura Exterior do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará +2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, esse agregado mascara tendências divergentes: a produção de arábica deve diminuir -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A produção do Brasil em 2025/26 deve contrair -3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a colheita do Vietname deve subir 6,2% em relação ao ano anterior, para 30,8 milhões de sacos.
Crucialmente, o FAS projeta que os estoques finais de 2025/26 contrair-se-ão -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, caindo de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Esse quadro de estoques em declínio, combinado com mudanças nos padrões de produção regional, sugere que o cenário fundamental para os contratos futuros de café arábica permanece complexo, com suporte de curto prazo atenuado por desenvolvimentos de oferta emergentes do Vietname e de outras regiões.
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Futuros de Café Arábica sobem à medida que a queda do dólar impulsiona os preços
Os contratos futuros de café Arábica subiram na segunda-feira, com os contratos de março (KCH26) fechando +5,35 pontos, representando um ganho de +1,52%. Entretanto, os contratos de robusta de março (RMH26) subiram +55 pontos, ou +1,33%. A alta refletiu um apoio generalizado de um dólar dos EUA enfraquecido, que caiu mais -0,5% para atingir uma mínima de 4 meses. Essa fraqueza cambial criou ventos favoráveis nos mercados de commodities, com o café entre os principais beneficiados.
Fraqueza do Dólar Fornece o Principal Impulso para os Contratos Futuros de Café Arábica
A queda contínua do índice do dólar tem se mostrado otimista para os mercados denominados em commodities. Um dólar mais fraco torna as commodities mais baratas para compradores internacionais, geralmente estimulando a demanda. Para os contratos futuros de café arábica, essa depreciação cambial ocorre num momento crítico, em que as dinâmicas de oferta estão cada vez mais complexas e em mudança. A relação inversa entre a força do dólar e os preços das commodities continua sendo uma das dinâmicas mais confiáveis nos mercados globais, e as negociações de segunda-feira refletiram claramente esse padrão.
Restrições na Oferta de Café no Brasil Reforçam o Apoio aos Preços
O Brasil, maior produtor mundial de arábica, continua enfrentando obstáculos relacionados ao clima que sustentam preços mais altos. Minas Gerais, maior região produtora de arábica do Brasil, recebeu apenas 33,9 mm de chuva na semana que terminou em 16 de janeiro — uma queda significativa, representando apenas 53% da média histórica. Essa precipitação abaixo da média ameaça o desenvolvimento da safra e as perspectivas de produção.
Dados de exportação da Cecafe reforçam a escassez de oferta. As exportações totais de café verde do Brasil caíram -18,4% em dezembro, para 2,86 milhões de sacos, com as remessas de arábica diminuindo -10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos. As exportações de robusta mostraram quedas ainda mais acentuadas, caindo -61% em relação ao ano anterior, para apenas 222.147 sacos. Essas reduções nas saídas do maior produtor mundial oferecem suporte tangível aos preços futuros do café arábica.
A Conab, agência de previsão de safra do Brasil, aumentou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, no início de dezembro, mas essa projeção fica aquém do cenário otimista de longo prazo criado pelo stress climático e restrição de exportações. A combinação de restrições de oferta de curto prazo e incerteza na produção criou um ambiente de suporte.
Recuperação de Estoques e Competição Vietnamita Criam Obstáculos
No entanto, os contratos futuros de café arábica enfrentam pressões contrárias. Os estoques de arábica monitorados pela ICE, embora tenham atingido uma mínima de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperaram-se para 461.829 sacos em 14 de janeiro — seu nível mais alto em 2,5 meses. De forma semelhante, os estoques de robusta caíram para mínimas de 1 ano antes de se recuperarem para 4.609 lotes no final de janeiro. Essa reconstrução de estoques pode, eventualmente, pressionar os preços se as ofertas continuarem a se acumular.
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, está emergindo como uma fonte significativa de oferta. As exportações de café do Vietname em 2025 aumentaram +17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do país. As projeções indicam que a produção de 2025/26 do Vietname deve subir +6% em relação ao ano anterior, para 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos) — o nível mais alto em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname sugeriu que a produção poderia subir ainda mais se o clima favorável persistir.
Dinâmicas do Mercado Global e Perspectivas de Produção 2025/26
A Organização Internacional do Café informou em novembro que as exportações globais de café para o atual ano de comercialização caíram modestamente -0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, indicando uma relativa escassez. No entanto, a perspectiva de longo prazo apresenta complexidade.
O Serviço de Agricultura Exterior do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará +2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, esse agregado mascara tendências divergentes: a produção de arábica deve diminuir -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A produção do Brasil em 2025/26 deve contrair -3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a colheita do Vietname deve subir 6,2% em relação ao ano anterior, para 30,8 milhões de sacos.
Crucialmente, o FAS projeta que os estoques finais de 2025/26 contrair-se-ão -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, caindo de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Esse quadro de estoques em declínio, combinado com mudanças nos padrões de produção regional, sugere que o cenário fundamental para os contratos futuros de café arábica permanece complexo, com suporte de curto prazo atenuado por desenvolvimentos de oferta emergentes do Vietname e de outras regiões.