## Quem Está Sentado na Mina de Ouro de Lítio do Mundo? Uma Verificação de Realidade para 2025



Com a procura por baterias de íon de lítio prestes a explodir em 2025—analistas esperam que a procura por veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia (ESS) aumente mais de 30% ano após ano—o jogo geopolítico em torno das reservas de lítio está a aquecer mais rápido do que nunca. Mas aqui está o que a maioria das pessoas não percebe: ter depósitos massivos não te torna automaticamente uma potência de lítio. Vamos analisar onde realmente se situa o metal de bateria de lítio do mundo.

### A Imagem Global do Lítio: 300 Milhões de Toneladas à Espera

Em 2024, o planeta possui aproximadamente 30 milhões de toneladas métricas de reservas de lítio comprovadas. Mas isso é só o começo—a China afirmou no início de 2025 que descobriu mais 6,5 milhões de toneladas de reservas comprovadas, com recursos potenciais que ultrapassam 30 milhões de toneladas. A verdadeira questão não é quanto lítio existe—é quem consegue extraí-lo mais rápido e a menor custo.

### Movimento Surpresa da China: De Importadora a Gigante de Reservas

A China controla atualmente 3 milhões de toneladas métricas de reservas de lítio—modesto comparado com outros—mas está a remodelar todo o mercado. Aqui está o pulo do gato: a China produziu apenas 41.000 MT em 2024 (aumentando 5.300 MT em relação a 2023), mas ainda precisa importar a maior parte do seu lítio da Austrália. Por quê? Porque o país é obcecado por controlar toda a cadeia de abastecimento de baterias, não apenas a mineração.

Em outubro de 2024, o Departamento de Estado dos EUA criticou o manual da China: preços predatórios para inundar mercados e eliminar concorrentes. Segundo Jose W. Fernandez, Subsecretário de Estado dos EUA para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente, "Eles reduzem o preço até que a concorrência desapareça." E essa estratégia está a funcionar—Pequim agora abriga a maioria das instalações de processamento de lítio do mundo e produz a maior parte das baterias de íon de lítio globais.

Mas aqui está o que mudou: relatórios chineses recentes afirmam que a nação expandiu dramaticamente suas reservas—agora alegadamente 16,5% dos recursos globais, contra 6%. O catalisador? Uma descoberta de uma faixa de lítio de 2.800 quilômetros na região oeste, além de avanços na extração de lítio de lagos salgados e depósitos de mica.

### O Estrangulamento de Três Países: Chile, Austrália & Argentina

**Chile com 9,3 Milhões de Toneladas—O Campeão Pesado**

O Chile possui as maiores reservas de lítio confirmadas, com 9,3 milhões de toneladas métricas, sendo aproximadamente 33% da reserva mundial na Salar de Atacama. Mas aqui está o paradoxo: apesar dos depósitos massivos, o Chile ficou em segundo lugar na produção de 2024, com apenas 44.000 MT—atrás da Austrália.

Por que o desempenho abaixo do esperado? Estruturas legais rígidas sobre concessões de mineração têm limitado até os principais players como SQM e Albemarle. No final de 2023, o presidente Gabriel Boric anunciou planos de nacionalizar parcialmente a indústria de lítio, aumentando as participações da estatal Codelco nas operações. A estratégia do governo: consolidar o controle ao invés de maximizar a produção.

No início de 2025, as coisas mudaram. Sete propostas chegaram para contratos de operação de lítio em seis salares, com um grande consórcio envolvendo Eramet, a mineradora chilena Quiborax e a Codelco como principal concorrente. Os vencedores serão anunciados em março de 2025, sinalizando uma possível aceleração na produção.

**Austrália com 7 Milhões de Toneladas—Qualidade em vez de Quantidade**

A Austrália ocupa o segundo lugar em reservas (7 milhões de toneladas métricas), mas reivindicou a coroa de maior produtora em 2024. A diferença? Depósitos de espodumênio de rocha dura, ao invés de salmouras, e uma eficiência operacional implacável. A Austrália Ocidental domina, mas novas pesquisas de 2023 (Universidade de Sydney + Geoscience Australia) mapearam lítio não explorado em Queensland, Nova Gales do Sul e Victoria—expandindo a fronteira.

A mina Greenbushes, operada por uma joint venture da Talison Lithium envolvendo Tianqi Lithium, IGO e Albemarle, tem produzido lítio desde 1985 e continua a ser uma operação de classe mundial. Mas preços baixos forçaram alguns produtores a reduzir operações, criando lacunas de oferta para 2025.

**Argentina com 4 Milhões de Toneladas—O Gigante Adormecido Acordando**

A Argentina possui 4 milhões de toneladas métricas e produziu 18.000 MT em 2024, sendo a quarta maior produtora do mundo. Juntamente com Chile e Bolívia, esses três países detêm mais da metade das reservas de lítio do planeta—o chamado Triângulo do Lítio.

O governo vê oportunidade. Em maio de 2022, Buenos Aires comprometeu US$4,2 bilhões ao longo de três anos para aumentar a produção. Em abril de 2024, a Argosy Minerals recebeu luz verde para ampliar a produção no salar de Rincon de 2.000 MT para 12.000 MT anuais. Depois veio a verdadeira bomba: a Rio Tinto anunciou um investimento de US$2,5 bilhões para aumentar a capacidade de 3.000 para 60.000 MT, atingindo produção total até 2028.

Executivos da Lithium Argentina destacaram o óbvio: "A produção de lítio da Argentina permanece competitiva em custos mesmo em um ambiente de preços baixos." Tradução: a expansão está a caminho, e é imparável.

### O Elenco de Apoio: EUA, Canadá, Brasil & Além

O resto do mundo possui reservas relevantes, mas secundárias:
- **Estados Unidos** — 1,8 milhão de MT
- **Canadá** — 1,2 milhão de MT
- **Zimbábue** — 480.000 MT
- **Brasil** — 390.000 MT
- **Portugal** — 60.000 MT (Maior da Europa)

Portugal produziu 380 MT em 2024, igual ao ano anterior, mostrando que os players menores não estão a escalar agressivamente.

### A Conclusão: Tamanho da Reserva ≠ Poder de Mercado

O que os dados mostram é claro: ter lítio no solo é apenas metade da batalha. A China joga o jogo a longo prazo—controlar o processamento, dominar a produção de baterias e usar a geopolítica a seu favor. O Chile está sentado em uma mina de ouro, mas limitado por questões políticas. A Austrália executa perfeitamente a eficiência. A Argentina está finalmente desbloqueando seu potencial com capital fresco.

Para quem acompanha notícias de baterias de lítio, 2025 será o ponto de inflexão. A procura está a subir, mas as cadeias de abastecimento permanecem fragmentadas e carregadas de geopolitica. A corrida não é apenas por reservas—é por quem consegue mover-se mais rápido para converter depósitos em produção real, enquanto gerencia preços, regulações e competição global.

O mercado de lítio em 2025 será ganho por aqueles que conseguirem extrair de forma inteligente, escalar rapidamente e navegar na interseção cada vez mais complexa entre mercados de commodities e estratégia nacional.
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