Na entrevista na PBA Bali, Gavin Wood, cofundador do Ethereum e fundador da Polkadot, levantou uma questão provocadora: por que as pessoas precisam de Web3? A sua resposta não está relacionada com a tecnologia em si, mas aponta para um núcleo que tem sido mal interpretado há muito tempo — Agency (agência pessoal e autonomia).
A essência do Web3 tem sido gravemente distorcida
Gavin criou a expressão “Web3” em 2014, inicialmente para descrever o conjunto de Ethereum e ecossistemas tecnológicos relacionados. Mas esse termo já passou por uma forte “deriva semântica”.
“Hoje, muitos projetos e pessoas usam essa palavra de uma forma que se distancia da minha intenção original,” admitiu. Ele explicou a visão inicial: Web3 deveria ser uma combinação de várias tecnologias — incluindo plataformas de contratos inteligentes, protocolos de transmissão descentralizados como o BitTorrent, navegadores, e formas de comunicação entre nós sem necessidade de consenso ou pagamento de taxas. Mas o objetivo final de todo esse arcabouço tecnológico é apenas um.
A verdadeira questão não é a “descentralização”, mas o fato de ela estar sendo gravemente abusada. Gavin apontou que muitas pessoas confundem “descentralização” com “distribuição” e até a interpretam erroneamente como “federalismo” — uma estrutura de poder disperso entre múltiplos centros. Nada disso é o que o Web3 deve buscar.
Por que “Agency” é a expressão correta
Em vez de dizer que Web3 é descentralizado, é mais preciso afirmar que Web3 concede a você uma verdadeira Agency — permitindo que você seja um ator independente, controlando seu próprio destino. Essa é a razão fundamental da existência do Web3.
Gavin enfatizou que esse conceito tem uma definição precisa na economia; em comparação, “descentralização” é vago e facilmente mal utilizado. “Agency é mais direto, mais forte, sem qualquer conotação controversa; economistas podem entendê-la facilmente,” afirmou.
Quando questionado por que as pessoas ainda não adotam massivamente o Web3, Gavin não hesitou: a experiência atual do Web2 parece mais confortável — você usa iPhone, Netflix, aplicativos bancários tradicionais, tudo funciona de forma suave e conveniente. Mas esses sistemas — seja Apple, Netflix, bancos tradicionais, ou até Solana — não oferecem realmente Agency aos usuários. Os usuários são consumidores passivos ou participantes, não atores independentes.
Por que os sistemas atuais resistem à Agency
Por que a adoção no mercado é lenta? Gavin apontou diretamente a causa: o sistema atual intencionalmente impede que o público acesse o novo sistema financeiro. Registrar-se em exchanges, completar KYC, transferir dinheiro do banco para a conta na exchange — todo esse processo é cheio de obstáculos. Os bancos até recusam transferências para exchanges de criptomoedas, alegando “não confiar em criptomoedas”. Isso não é um erro sem querer, mas uma reação de autoproteção do sistema.
E é exatamente por isso que Gavin acredita que a verdadeira competição não é “dinheiro contra dinheiro”, mas “valores contra dinheiro”. Algumas ecologias podem estar sob controle de grandes fundos de venture capital, usando esses recursos para atrair projetos e usuários — uma estratégia de curto prazo, voltada para lucros rápidos. Mas, a longo prazo, esse tipo de investimento não gera valor real.
Ao contrário, Polkadot e seu ecossistema deveriam atrair as pessoas com um sistema de valores diferente — dizendo aos construtores e usuários que buscam independência: “Sim, eles têm dinheiro. Mas nós temos algo diferente — temos um conjunto de tecnologias e ideias que realmente ajudam você a conquistar sua Agency.”
Educação é a chave para a liberdade
A visão final de Gavin para o ecossistema se concentra em uma crença: a educação é fundamental para construir uma sociedade melhor. A capacidade tecnológica é limitada; o que realmente importa é que as pessoas entendam o “porquê” de usar essas tecnologias.
Isso explica por que a Polkadot Blockchain Academy (PBA) é tão central para todo o projeto. O público da PBA inclui desenvolvedores, engenheiros, técnicos, mas também cada vez mais fundadores e tomadores de decisão. Seu objetivo é ajudar três grupos principais a entender Web3 e Polkadot: usuários, desenvolvedores e formuladores de políticas.
“Na minha mochila, está escrito: ‘Educar para libertar’ (Educate to liberate),” disse Gavin. A educação que ele defende não é um tutorial rápido ou um guia de chamadas de API, mas uma educação com rigor acadêmico — cobrindo disciplinas básicas como economia, teoria dos jogos, criptografia — para que as pessoas possam realmente compreender os fundamentos do Web3.
Isso também explica por que Gavin investe tantos recursos em projetos educacionais — ele não busca um estímulo de dopamina de curto prazo, mas uma visão maior: quando um número suficiente de pessoas entender e usar essas tecnologias, o mundo será um lugar melhor.
Redefinindo a missão da era Web3
Desde a criação do termo Web3 até a construção da Polkadot, desde a fundação da Web3 Foundation até o avanço do projeto Proof of Personhood, toda a trajetória de Gavin aponta para um mesmo objetivo — ajudar a humanidade a passar de consumidores passivos para atores com verdadeira Agency.
Isso não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma revolução de valores. Em uma indústria cheia de sinais de “lucro de curto prazo” e “bombardeio de dinheiro”, manter essa postura exige uma força de vontade rara. Mas Gavin acredita que, a longo prazo, uma competição baseada em valores, e não em capital, é o verdadeiro motor para o desenvolvimento saudável do ecossistema.
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"Agência" em vez de "Descentralização"——Gavin Wood reinterpretar o verdadeiro significado do Web3
Na entrevista na PBA Bali, Gavin Wood, cofundador do Ethereum e fundador da Polkadot, levantou uma questão provocadora: por que as pessoas precisam de Web3? A sua resposta não está relacionada com a tecnologia em si, mas aponta para um núcleo que tem sido mal interpretado há muito tempo — Agency (agência pessoal e autonomia).
A essência do Web3 tem sido gravemente distorcida
Gavin criou a expressão “Web3” em 2014, inicialmente para descrever o conjunto de Ethereum e ecossistemas tecnológicos relacionados. Mas esse termo já passou por uma forte “deriva semântica”.
“Hoje, muitos projetos e pessoas usam essa palavra de uma forma que se distancia da minha intenção original,” admitiu. Ele explicou a visão inicial: Web3 deveria ser uma combinação de várias tecnologias — incluindo plataformas de contratos inteligentes, protocolos de transmissão descentralizados como o BitTorrent, navegadores, e formas de comunicação entre nós sem necessidade de consenso ou pagamento de taxas. Mas o objetivo final de todo esse arcabouço tecnológico é apenas um.
A verdadeira questão não é a “descentralização”, mas o fato de ela estar sendo gravemente abusada. Gavin apontou que muitas pessoas confundem “descentralização” com “distribuição” e até a interpretam erroneamente como “federalismo” — uma estrutura de poder disperso entre múltiplos centros. Nada disso é o que o Web3 deve buscar.
Por que “Agency” é a expressão correta
Em vez de dizer que Web3 é descentralizado, é mais preciso afirmar que Web3 concede a você uma verdadeira Agency — permitindo que você seja um ator independente, controlando seu próprio destino. Essa é a razão fundamental da existência do Web3.
Gavin enfatizou que esse conceito tem uma definição precisa na economia; em comparação, “descentralização” é vago e facilmente mal utilizado. “Agency é mais direto, mais forte, sem qualquer conotação controversa; economistas podem entendê-la facilmente,” afirmou.
Quando questionado por que as pessoas ainda não adotam massivamente o Web3, Gavin não hesitou: a experiência atual do Web2 parece mais confortável — você usa iPhone, Netflix, aplicativos bancários tradicionais, tudo funciona de forma suave e conveniente. Mas esses sistemas — seja Apple, Netflix, bancos tradicionais, ou até Solana — não oferecem realmente Agency aos usuários. Os usuários são consumidores passivos ou participantes, não atores independentes.
Por que os sistemas atuais resistem à Agency
Por que a adoção no mercado é lenta? Gavin apontou diretamente a causa: o sistema atual intencionalmente impede que o público acesse o novo sistema financeiro. Registrar-se em exchanges, completar KYC, transferir dinheiro do banco para a conta na exchange — todo esse processo é cheio de obstáculos. Os bancos até recusam transferências para exchanges de criptomoedas, alegando “não confiar em criptomoedas”. Isso não é um erro sem querer, mas uma reação de autoproteção do sistema.
E é exatamente por isso que Gavin acredita que a verdadeira competição não é “dinheiro contra dinheiro”, mas “valores contra dinheiro”. Algumas ecologias podem estar sob controle de grandes fundos de venture capital, usando esses recursos para atrair projetos e usuários — uma estratégia de curto prazo, voltada para lucros rápidos. Mas, a longo prazo, esse tipo de investimento não gera valor real.
Ao contrário, Polkadot e seu ecossistema deveriam atrair as pessoas com um sistema de valores diferente — dizendo aos construtores e usuários que buscam independência: “Sim, eles têm dinheiro. Mas nós temos algo diferente — temos um conjunto de tecnologias e ideias que realmente ajudam você a conquistar sua Agency.”
Educação é a chave para a liberdade
A visão final de Gavin para o ecossistema se concentra em uma crença: a educação é fundamental para construir uma sociedade melhor. A capacidade tecnológica é limitada; o que realmente importa é que as pessoas entendam o “porquê” de usar essas tecnologias.
Isso explica por que a Polkadot Blockchain Academy (PBA) é tão central para todo o projeto. O público da PBA inclui desenvolvedores, engenheiros, técnicos, mas também cada vez mais fundadores e tomadores de decisão. Seu objetivo é ajudar três grupos principais a entender Web3 e Polkadot: usuários, desenvolvedores e formuladores de políticas.
“Na minha mochila, está escrito: ‘Educar para libertar’ (Educate to liberate),” disse Gavin. A educação que ele defende não é um tutorial rápido ou um guia de chamadas de API, mas uma educação com rigor acadêmico — cobrindo disciplinas básicas como economia, teoria dos jogos, criptografia — para que as pessoas possam realmente compreender os fundamentos do Web3.
Isso também explica por que Gavin investe tantos recursos em projetos educacionais — ele não busca um estímulo de dopamina de curto prazo, mas uma visão maior: quando um número suficiente de pessoas entender e usar essas tecnologias, o mundo será um lugar melhor.
Redefinindo a missão da era Web3
Desde a criação do termo Web3 até a construção da Polkadot, desde a fundação da Web3 Foundation até o avanço do projeto Proof of Personhood, toda a trajetória de Gavin aponta para um mesmo objetivo — ajudar a humanidade a passar de consumidores passivos para atores com verdadeira Agency.
Isso não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma revolução de valores. Em uma indústria cheia de sinais de “lucro de curto prazo” e “bombardeio de dinheiro”, manter essa postura exige uma força de vontade rara. Mas Gavin acredita que, a longo prazo, uma competição baseada em valores, e não em capital, é o verdadeiro motor para o desenvolvimento saudável do ecossistema.