A cotação de ouro sofre pressão do dólar em alta, mas riscos geopolíticos oferecem suporte antes do NFP

Dinâmica de mercado atual

A cotação de ouro encontra dificuldades para avançar nesta sexta-feira, com o metal precioso recuando da marca de US$ 4.400 durante a sessão asiática. O contexto é marcado pelo fortalecimento do dólar americano, que atinge seu patamar mais elevado em quase um mês, exercendo pressão direta sobre a commodity sem rendimento. Apesar dessa pressão vendedora, o movimento permanece moderado, refletindo as incertezas que cercam as próximas divulgações econômicas americanas.

Fatores que mantêm a volatilidade contida

A aguardada divulgação dos dados de empregos não agrícolas (NFP) dos EUA, prevista para hoje, funciona como ponto de inflexão para o comportamento tanto do dólar quanto da cotação de ouro. Os sinais dovish emanados pelas expectativas de corte de taxas do Federal Reserve (Fed) criam um contrapeso às valorizações do dólar, evitando ganhos mais expressivos da moeda americana e contendo a queda do ouro.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou em entrevista à CNBC que a redução nas taxas de juros seria o componente faltante para acelerar ainda mais o crescimento econômico, sugerindo que o banco central não deveria postergar seus movimentos. O mercado precifica a possibilidade concreta de redução de custos de emprego em março, seguida de novos cortes ao longo deste ano, cenário que poderia fornecer suporte significativo à commodity.

Expectativas para os dados de emprego

Os números esperados para dezembro apontam para a criação de 60 mil novos postos de trabalho, movimento mais modesto comparado aos 64 mil registrados em novembro. Paralelamente, a taxa de desemprego deverá declinar de 4,6% para 4,5%, sinalizando um mercado laboral ainda resiliente. Esses dados oferecerão pistas cruciais sobre o traço de política monetária do Fed nos próximos meses e terão papel determinante na dinâmica do dólar e, consequentemente, na cotação de ouro.

Tensões geopolíticas como fator de suporte

As crescentes incertezas geopolíticas globais funcionam como amortecedor de quedas para o par XAU/USD. A administração americana sinalizou sua intenção de gerir recursos da Venezuela e explorar suas reservas petrolíferas, conforme declarado pelo presidente Donald Trump ao The New York Times. Simultaneamente, a China intensificou restrições às exportações de terras raras e ímãs de terras raras destinados ao Japão, escalando disputas diplomáticas. A prolongada guerra entre Rússia e Ucrânia permanece como fonte persistente de demanda por ativos de refúgio seguro.

O chanceler alemão Friedrich Merz indicou que a resolução do conflito na Ucrânia permanece distante, considerando a posição inflexível da Rússia, alertando para os riscos de envolvimento direto de tropas europeias no teatro de guerra.

Perspectiva técnica e sinais do mercado

A cotação de ouro mantém sua posição acima da média móvel exponencial de 200 períodos, situada em aproximadamente US$ 4.322,58, preservando a inclinação ascendente da tendência geral. O gradiente da média continua sustentando as retrações, indicando que quedas mais profundas encontram suporte estrutural nesse nível.

O indicador MACD encontra-se abaixo da linha de sinal e da marca zero, porém demonstra movimento de recuperação. O histograma negativo está se contraindo, sugerindo enfraquecimento da pressão vendedora. O RSI opera em 56, acima do nível neutro de 50, alinhado com a melhora do momentum sem sinalizar condições extremas de sobrecompra.

Os otimistas da commodity necessitam de aceitação firme acima de US$ 4.500 para validar novas apostas direcionais. Enquanto a tendência predominante for mantida acima de US$ 4.322,58, o tom permanecerá construtivo. Uma quebra decisiva abaixo dessa média móvel abriria espaço para retração mais pronunciada.

Performance do dólar americano na semana

O dólar americano evidencia força considerável frente às principais moedas, com valorização de 0,60% contra o euro e ganhos de 0,92% ante o franco suíço. O iene japonês sofreu depreciação de 0,90% perante o dólar, enquanto o dólar canadense registrou queda de 0,30%. Esses movimentos refletem a busca por segurança e a confiança nos ativos denominados em dólar americano em contexto de incerteza global. O mapa de variações cruzadas das principais moedas revela um cenário onde o dólar se posiciona como moeda de refúgio preferencial, em competição com o franco suíço, afetando diretamente a competitividade da cotação de ouro em termos de preço relativo.

Conclusão

A cotação de ouro permanece presa entre a pressão do dólar americano mais forte e o suporte oferecido pelas expectativas dovish do Fed, tensões geopolíticas e demanda por ativos de proteção. Os operadores do mercado aguardam sinais mais consistentes antes de estabelecer novas posições direcionais, deixando o foco no relatório de empregos de hoje como catalisador principal para o próximo movimento significativo na dinâmica do ouro e da moeda americana.

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