Na semana passada (22 a 26 de dezembro), as moedas não americanas fortaleceram-se coletivamente, com o índice do dólar a cair 0,67%. Entre elas, a que mais se destacou foi o dólar australiano, com uma subida de 1,63%, seguida da libra esterlina, que subiu 0,88%, enquanto o iene e o euro também registaram aumentos de 0,74% e 0,52%, respetivamente. Que sinais podem estar por trás desta recuperação? Analisamos um a um.
O euro pode romper o teto? As expectativas de política do Fed são cruciais
Resistência a curto prazo, divergências a longo prazo
Na semana passada, o euro/dólar atingiu temporariamente 1.1808, o ponto mais alto dos últimos três meses, fechando no final com uma subida de 0,52%. Mas esta tendência pode continuar?
O principal suporte para esta recuperação foi o enfraquecimento do dólar. O crescimento do PIB dos EUA no terceiro trimestre atingiu 4,3%, muito acima das expectativas do mercado, mas estes dados já são indicadores atrasados; o mercado está mais atento à situação atual do emprego. A ferramenta FedWatch do CME mostra que os investidores preveem uma probabilidade de 62,9% de o Federal Reserve iniciar cortes de juros em abril do próximo ano, e espera-se ainda mais duas reduções até 2026. As expectativas de cortes de juros aquecem, beneficiando as moedas não americanas, e o euro recebeu suporte por isso.
Como será 2026? Morgan Stanley apresenta um cenário de “subida seguida de queda”
Impulsionado pelo ciclo de cortes de juros do Fed, a Morgan Stanley prevê que o euro/dólar atingirá 1.23 na primeira metade de 2026, e numa perspetiva otimista até poderá chegar a 1.30. Mas o ponto de viragem ocorre na segunda metade do ano — com a fraqueza da economia europeia a reaparecer, enquanto a resiliência da economia americana persiste, o euro/dólar deverá recuar para cerca de 1.16.
Isto significa que 2026 será um ano de “montanha-russa” para os traders de euro.
Pontos técnicos importantes desta semana
1.18 é a resistência atual. Se esta semana o euro/dólar não conseguir ultrapassar efetivamente este nível, poderá enfrentar pressão de baixa, com o suporte próximo à média de 21 dias em 1.17. Por outro lado, se ultrapassar e consolidar acima de 1.18, abrirá espaço para uma subida maior, com a próxima resistência em 1.186.
Dados a acompanhar
Esta semana será divulgado o minutes da reunião do Fed, que é uma janela crucial para avaliar se as expectativas de cortes de juros irão aumentar ainda mais. Além disso, os dados de PMI de dezembro dos EUA e da zona euro também são importantes — se os PMI forem fortes, podem diminuir as expectativas de cortes.
O dilema do iene: intervenção ou apenas “uma gota no oceano”
Declarações oficiais enviam sinais, o iene recebe suporte de curto prazo
Na semana passada, o USD/JPY caiu 0,74%, impulsionado por dois fatores: primeiro, o dólar geral fraco; segundo, o aumento das expectativas de intervenção do governo japonês.
Em 22 de dezembro, o Ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, afirmou que a recente volatilidade do iene não se deve aos fundamentos económicos, mas sim a especulação típica. Ele acrescentou que o governo japonês tem o direito de tomar medidas necessárias de intervenção. Esta declaração provocou uma reação no mercado cambial, e o iene recebeu suporte de curto prazo.
Mas a questão é: a intervenção pode realmente inverter a tendência de depreciação?
Instituições como o JPMorgan e o BNP Paribas deram respostas pessimistas: a diferença de juros entre EUA e Japão permanece em níveis históricos elevados, e as taxas de juro reais no Japão estão negativas, fatores que continuarão a pressionar o USD/JPY para cima. O consenso de mercado é que, sem uma intervenção agressiva do Banco do Japão, será difícil reverter a tendência estrutural de depreciação do iene.
Os contratos de swap de índices de overnight do mercado indicam que os investidores esperam que o próximo aumento de juros do Banco do Japão só ocorra na segunda metade de 2026, o que sem dúvida aumenta a pressão sobre o iene.
Risco de o USD/JPY ultrapassar 160 não deve ser subestimado
Analistas do JPMorgan e do BNP Paribas preveem que o USD/JPY pode ultrapassar os 160 em 2026. Uma vez ultrapassado, o iene entrará numa nova fase de depreciação.
Estratégia e pontos técnicos desta semana
Atualmente, o USD/JPY está acima da média de 21 dias. Desde que esta seja mantida, há potencial para uma subida de oscilação, com resistência em 158. Mas, se perder a média de 21 dias, o próximo suporte estará próximo ao mínimo anterior de 154.3.
Devido ao risco de intervenção, o potencial de subida do USD/JPY pode estar limitado. Esta semana, o foco deve estar nos dados dos EUA e nas declarações de oficiais japoneses; qualquer sinal hawkish pode desencadear uma nova rodada de compras.
Resumo: o que o mercado está a esperar?
Se esta semana será de estabilidade ou de volatilidade depende muito das expectativas de política do Fed. O próximo movimento do euro, do iene e de outras moedas não americanas dependerá de o minutes do Fed continuar a sustentar as expectativas de cortes de juros. Ao mesmo tempo, o risco de intervenção do governo japonês permanece no ar, e qualquer declaração oficial nova pode provocar ajustes rápidos.
Para os traders, esta é uma semana de negociação “orientada por dados”, onde a gestão de risco é especialmente importante.
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Relatório semanal de volatilidade cambial: o iene enfrenta pressão, o euro consegue manter a tendência de alta?
Resumo do Mercado da Semana Passada
Na semana passada (22 a 26 de dezembro), as moedas não americanas fortaleceram-se coletivamente, com o índice do dólar a cair 0,67%. Entre elas, a que mais se destacou foi o dólar australiano, com uma subida de 1,63%, seguida da libra esterlina, que subiu 0,88%, enquanto o iene e o euro também registaram aumentos de 0,74% e 0,52%, respetivamente. Que sinais podem estar por trás desta recuperação? Analisamos um a um.
O euro pode romper o teto? As expectativas de política do Fed são cruciais
Resistência a curto prazo, divergências a longo prazo
Na semana passada, o euro/dólar atingiu temporariamente 1.1808, o ponto mais alto dos últimos três meses, fechando no final com uma subida de 0,52%. Mas esta tendência pode continuar?
O principal suporte para esta recuperação foi o enfraquecimento do dólar. O crescimento do PIB dos EUA no terceiro trimestre atingiu 4,3%, muito acima das expectativas do mercado, mas estes dados já são indicadores atrasados; o mercado está mais atento à situação atual do emprego. A ferramenta FedWatch do CME mostra que os investidores preveem uma probabilidade de 62,9% de o Federal Reserve iniciar cortes de juros em abril do próximo ano, e espera-se ainda mais duas reduções até 2026. As expectativas de cortes de juros aquecem, beneficiando as moedas não americanas, e o euro recebeu suporte por isso.
Como será 2026? Morgan Stanley apresenta um cenário de “subida seguida de queda”
Impulsionado pelo ciclo de cortes de juros do Fed, a Morgan Stanley prevê que o euro/dólar atingirá 1.23 na primeira metade de 2026, e numa perspetiva otimista até poderá chegar a 1.30. Mas o ponto de viragem ocorre na segunda metade do ano — com a fraqueza da economia europeia a reaparecer, enquanto a resiliência da economia americana persiste, o euro/dólar deverá recuar para cerca de 1.16.
Isto significa que 2026 será um ano de “montanha-russa” para os traders de euro.
Pontos técnicos importantes desta semana
1.18 é a resistência atual. Se esta semana o euro/dólar não conseguir ultrapassar efetivamente este nível, poderá enfrentar pressão de baixa, com o suporte próximo à média de 21 dias em 1.17. Por outro lado, se ultrapassar e consolidar acima de 1.18, abrirá espaço para uma subida maior, com a próxima resistência em 1.186.
Dados a acompanhar
Esta semana será divulgado o minutes da reunião do Fed, que é uma janela crucial para avaliar se as expectativas de cortes de juros irão aumentar ainda mais. Além disso, os dados de PMI de dezembro dos EUA e da zona euro também são importantes — se os PMI forem fortes, podem diminuir as expectativas de cortes.
O dilema do iene: intervenção ou apenas “uma gota no oceano”
Declarações oficiais enviam sinais, o iene recebe suporte de curto prazo
Na semana passada, o USD/JPY caiu 0,74%, impulsionado por dois fatores: primeiro, o dólar geral fraco; segundo, o aumento das expectativas de intervenção do governo japonês.
Em 22 de dezembro, o Ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, afirmou que a recente volatilidade do iene não se deve aos fundamentos económicos, mas sim a especulação típica. Ele acrescentou que o governo japonês tem o direito de tomar medidas necessárias de intervenção. Esta declaração provocou uma reação no mercado cambial, e o iene recebeu suporte de curto prazo.
Mas a questão é: a intervenção pode realmente inverter a tendência de depreciação?
Instituições como o JPMorgan e o BNP Paribas deram respostas pessimistas: a diferença de juros entre EUA e Japão permanece em níveis históricos elevados, e as taxas de juro reais no Japão estão negativas, fatores que continuarão a pressionar o USD/JPY para cima. O consenso de mercado é que, sem uma intervenção agressiva do Banco do Japão, será difícil reverter a tendência estrutural de depreciação do iene.
Os contratos de swap de índices de overnight do mercado indicam que os investidores esperam que o próximo aumento de juros do Banco do Japão só ocorra na segunda metade de 2026, o que sem dúvida aumenta a pressão sobre o iene.
Risco de o USD/JPY ultrapassar 160 não deve ser subestimado
Analistas do JPMorgan e do BNP Paribas preveem que o USD/JPY pode ultrapassar os 160 em 2026. Uma vez ultrapassado, o iene entrará numa nova fase de depreciação.
Estratégia e pontos técnicos desta semana
Atualmente, o USD/JPY está acima da média de 21 dias. Desde que esta seja mantida, há potencial para uma subida de oscilação, com resistência em 158. Mas, se perder a média de 21 dias, o próximo suporte estará próximo ao mínimo anterior de 154.3.
Devido ao risco de intervenção, o potencial de subida do USD/JPY pode estar limitado. Esta semana, o foco deve estar nos dados dos EUA e nas declarações de oficiais japoneses; qualquer sinal hawkish pode desencadear uma nova rodada de compras.
Resumo: o que o mercado está a esperar?
Se esta semana será de estabilidade ou de volatilidade depende muito das expectativas de política do Fed. O próximo movimento do euro, do iene e de outras moedas não americanas dependerá de o minutes do Fed continuar a sustentar as expectativas de cortes de juros. Ao mesmo tempo, o risco de intervenção do governo japonês permanece no ar, e qualquer declaração oficial nova pode provocar ajustes rápidos.
Para os traders, esta é uma semana de negociação “orientada por dados”, onde a gestão de risco é especialmente importante.