O governo de Trump está avaliando a viabilidade de usar tropas terrestres para tomar a Ilha de Hark, mas a Marinha já classificou o Estreito de Ormuz como uma “zona de matança”, enquanto a aliança de Ormuz que está sendo formada até agora não recebeu nenhuma promessa pública de envio de navios por parte de nenhum país.
(Antecedentes: Trump “não pretende tomar o petróleo do Irã por enquanto”: bloqueio adicional do Estreito de Ormuz aumentaria o impacto em 20 vezes, UE libera reservas de petróleo em resposta)
(Informação adicional: Irã bloqueia o Estreito de Ormuz e atira em mais de dez petroleiros! Trump ameaça: tolerar temporariamente a alta do preço do petróleo, em parceria com Alemanha e Israel para atacar)
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A ideia de uma aliança de Ormuz é atraente — com múltiplos países protegendo conjuntamente, reabrindo o Estreito de Ormuz bloqueado pelo Irã. O problema é que Trump já fez apelos à China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, e até agora nenhum país se comprometeu publicamente a enviar navios. Ao mesmo tempo, a Marinha dos EUA recusou pedidos de proteção de empresas de transporte marítimo, justificando de forma direta: o estreito atualmente é uma “zona de matança” (kill box), com ameaças combinadas de mísseis, drones, minas e lanchas rápidas.
Em outras palavras, os EUA estão formando uma aliança multinacional para proteção, enquanto sua própria marinha avalia que proteger é se expor ao risco. Essa contradição lógica merece atenção mais séria do que a tendência do preço do petróleo.
Segundo a Axios, Trump está considerando enviar tropas terrestres para tomar a Ilha de Hark, sendo a decisão altamente dependente de se os petroleiros continuarão retidos no Golfo Pérsico. Essa condição é importante — ela indica que a decisão ainda não foi tomada e ainda está sujeita a variáveis externas.
O valor estratégico de Hark é claro: ela responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, e sua tomada equivaleria a cortar a principal fonte de receita estrangeira de Teerã. Avaliações do Pentágono indicam que o conflito pode durar até seis semanas.
Porém, esse “máximo de seis semanas” precisa ser desmembrado. É uma previsão otimista ou uma estimativa padrão? Historicamente, operações militares no Oriente Médio estimadas em semanas frequentemente se estendem por anos. A guerra do Iraque de 2003 também começou com planos de rápida resolução. O secretário de Defesa, Hagel, enviou o porta-aviões Líbano e mais de 2.000 fuzileiros navais ao Oriente Médio — isso é uma preparação, não uma ordem de guerra, mas o simples ato de preparação já está mudando os cálculos regionais.
As previsões atuais de Wall Street indicam que, se o conflito persistir, o preço do petróleo pode atingir US$150 por barril. Esse número tem sido amplamente discutido na mídia, mas alguns fatores estão sistematicamente subestimados.
Primeiro, a pressão na demanda. Os índices de gerentes de compras do setor manufatureiro em várias economias principais estão próximos ou abaixo de 50, indicando contração. A combinação de preços elevados e demanda encolhendo limita naturalmente o potencial de alta do petróleo.
Segundo, a capacidade real de rotas alternativas. Os oleodutos do leste e oeste da Arábia Saudita (Petroline) e o oleoduto Habshan-Fujairah dos Emirados têm capacidade de cerca de 5 milhões de barris por dia, enquanto o fluxo global pelo Estreito de Ormuz ultrapassa 20 milhões de barris diários. Existem alternativas, mas sua capacidade é insuficiente para preencher a lacuna, pelo menos no curto prazo.
Terceiro, parte do preço já está precificada no mercado. Desde o aumento das ações de bloqueio do Irã, o Brent já subiu significativamente, e alguns riscos de cauda já estão incorporados ao preço atual. US$150 é um cenário extremo, não a previsão padrão.
A linguagem diplomática de Trump é bastante característica. Ele sugere que os aliados europeus estão em dívida com os EUA por apoios na Ucrânia e que deveriam retribuir na questão do Irã, dizendo que “sempre fomos muito amigáveis”. Essa lógica de dívida emocional pode funcionar em negociações bilaterais, mas em ações militares multilaterais, os governos enfrentam custos políticos internos, não uma conta de moralidade.
A França participou de operações contra o ISIS em 2014, com um quadro multilateral e respaldo da ONU. O Japão tem restrições rígidas ao uso de suas Forças de Autodefesa no exterior. A Coreia do Sul já está altamente restrita em relação à Coreia do Norte. A China, embora seja o maior comprador de petróleo iraniano e tenha interesses comuns na passagem do estreito, dificilmente coordenaria militarmente com os EUA na questão de Ormuz.
Não se trata de impossibilidade de formar uma aliança, mas de que o cronograma de “anúncio em breve” de Trump contrasta com a ausência de promessas públicas de qualquer país. Há uma lacuna que precisa ser explicada.