

No dia 24 de julho, um dispositivo de mineração de Bitcoin, com uma taxa de hash modesta de apenas 500 gigahashes por segundo (Gh/s), alcançou um feito excecional ao conseguir minerar um bloco. A Altair Technology, retalhista de hardware de mineração de Bitcoin, divulgou este feito numa publicação na X.
O bloco minerado foi avaliado em cerca de 206 000 $, refletindo o preço do Bitcoin à data. A publicação referia: Parabéns ao minerador que, provavelmente, minerou sozinho o primeiro bloco BTC com um Bitaxe na @ckpooldev com aproximadamente 500 Gh de hashrate! Este reconhecimento público sublinha o impacto do feito na comunidade de mineração.
O dispositivo responsável por este feito, designado “Bitaxe”, é produzido pela D-Central Technologies. O canal de YouTube “How Much?” mostra que o Bitaxe é do tamanho aproximado de uma mão humana, evidenciando um design compacto e acessível.
Apesar do tamanho reduzido, o Bitaxe demonstrou uma performance notável ao minerar com êxito o bloco. O dispositivo estava ligado ao serviço de infraestrutura de nós Solo CKPool quando concluiu a operação de mineração, provando que o tamanho não limita a eficiência na mineração de Bitcoin.
O Solo CKPool permite que os mineradores atuem individualmente, em vez de integrarem um mining pool tradicional. O serviço afirma inequivocamente que “NÃO é um pool apesar do nome”, destacando a sua abordagem única na infraestrutura de mineração.
Esta plataforma possibilita que mineradores individuais mantenham o controlo absoluto sobre as operações, permitindo o sucesso do Bitaxe em mineração a solo, sem intermediários a partilhar os prémios.
Dados da blockchain revelam que o bloco de número 853742 do Bitcoin, minerado às 11:43 (UTC) de 24 de julho, foi produzido através do Solo CKPool. De acordo com a Altair Technology, este bloco foi minerado pelo Bitaxe de 500 Gh/s.
Este feito evidencia o enorme contraste entre a taxa de hash do Bitaxe e o poder total da rede Bitcoin, atualmente em 552,49 exahashes por segundo (Eh/s). Isto representa 552 490 000 000 Gh/s — aproximadamente 1,1 mil milhões de vezes a capacidade do Bitaxe.
Em termos estatísticos, o Bitaxe tinha uma probabilidade de uma em 1,1 mil milhões de minerar um bloco a cada dez minutos, tornando este feito especialmente notável e digno de destaque.
Os mineradores de Bitcoin enfrentam custos energéticos, independentemente de conseguirem minerar um bloco, o que obriga a suportar despesas operacionais de forma autónoma. Por este motivo, a mineração a solo de Bitcoin é frequentemente comparada a uma lotaria, em que os investimentos contínuos podem não gerar retorno imediato.
Neste caso, o risco compensou. A decisão estratégica de minerar a solo resultou numa recompensa substancial de cerca de 206 000 $, ilustrando o potencial — embora raro — de sucesso na mineração a solo.
De forma semelhante, outro minerador solitário de Bitcoin teve êxito em abril, utilizando um equipamento com uma taxa de hash de 120 petahashes por segundo (Ph/s), ou 120 000 000 Gh/s — 240 vezes mais potente que o Bitaxe.
Apesar da grande diferença de capacidade, o princípio fulcral da mineração a solo manteve-se: a possibilidade de receber a totalidade da recompensa do bloco sem divisão com outros mineradores de pool.
A maioria dos mineradores de Bitcoin integra mining pools, combinando o poder de hash e partilhando as recompensas de acordo com o contributo individual. Esta abordagem é popular por aumentar a probabilidade de pagamentos regulares e previsíveis.
Contudo, alguns defensores do Bitcoin alertam para o risco de centralização da rede devido à mineração em pool. Defendem a mineração a solo como alternativa para preservar o carácter descentralizado do Bitcoin e evitar a dependência de grandes operadores.
O feito do Bitaxe de 500 Gh/s evidencia a imprevisibilidade e o carácter democrático da mineração de Bitcoin. Contra todas as probabilidades, este pequeno dispositivo assegurou um bloco e conquistou uma recompensa relevante.
Este episódio demonstra o potencial da mineração a solo — mesmo com hardware modesto e acessível — e sublinha o debate persistente na comunidade sobre o equilíbrio entre a estabilidade dos mining pools e a descentralização da rede, elemento central na génese do Bitcoin.
O Bitaxe é um projeto de hardware de mineração de bitcoin open-source, concebido para ser compacto e eficiente em termos energéticos. Permite que qualquer utilizador participe na mineração descentralizada, recorrendo a dispositivos pequenos e controláveis que executam algoritmos especializados para minerar bitcoin.
O investimento inicial do Bitaxe ronda os 9 300 $. Os lucros dependem do preço do Bitcoin e dos custos de operação. Devido à volatilidade do mercado, os retornos variam significativamente conforme as condições atuais.
Vantagens: baixo custo, consumo energético reduzido, utilização simples. Desvantagens: baixa probabilidade de minerar blocos a solo, rendimento imprevisível, necessidade de mining pool para obter retornos regulares.
O Bitaxe é plug and play — não requer conhecimentos técnicos. Basta ligar à rede Wi-Fi, ligar o dispositivo e seguir o guia de configuração. Qualquer principiante pode começar a minerar em poucos minutos.
O Bitaxe apresenta um consumo energético moderado comparativamente aos ASIC tradicionais. A eletricidade representa 60–70 % do total dos custos operacionais. O retorno a longo prazo é favorável com contratos energéticos competitivos e tendo em conta o preço atual do Bitcoin.
A legalidade depende do país. Em muitos casos é permitido, mas deve sempre verificar a regulamentação local. Os principais riscos incluem consumo elevado de eletricidade, produção de calor e eventual desvalorização do equipamento devido ao uso contínuo.
O Bitaxe atinge 2,4 Th/s de potência de hash, funcionando idealmente entre 50–65 Th/s. Face a outros pequenos ASIC, oferece um desempenho eficiente e competitivo para equipamentos compactos de mineração.










