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O Primeiro-Ministro usa BYD para ir trabalhar
Recentemente, surgiu uma paisagem diferente diante do Gabinete do Primeiro-Ministro da Tailândia — o primeiro-ministro Anutin abandonou as carrinhas habituais, uma Rolls-Royce, e passou a usar um automóvel elétrico da BYD, da China, para os seus deslocamentos para o trabalho.
A mudança de viatura, por detrás, está ligada às contas da economia.
Desde o ataque do EUA e do Irão ao Irão, no final de fevereiro deste ano, os preços do petróleo no mercado internacional têm vindo a subir sem parar e já ultrapassaram 110 dólares por barril. Segundo o Bangkok Post, a Tailândia, que depende muito da importação de petróleo bruto, viu os preços do gasóleo aumentar cerca de 30% apenas no mês de março.
Preços do petróleo e do gás em forte alta, aumento dos custos operacionais das empresas e uma compressão significativa da capacidade de despesa da população… tudo isto traz uma pressão adicional considerável para a economia tailandesa, que se encontra num processo de recuperação, aumentando ainda mais a dificuldade de recuperação.
Perante este contexto, Anutin trocou por um veículo elétrico de marca chinesa, com um direcionamento de política claramente implícito: perante o impasse energético, a eletrificação é uma peça-chave na resolução do problema.
Não é apenas na Tailândia: de Sudeste Asiático à Europa, da América Latina ao Médio Oriente, os preços do petróleo em alta estão, a nível global, a acender a febre dos consumidores por carros elétricos. A onda de choque energético, desencadeada por conflitos geopolíticos, está a mudar as escolhas de deslocação das pessoas da forma mais direta.
De acordo com relatos da comunicação social, em Manila, nas Filipinas, um vendedor numa loja de retalho de uma empresa chinesa de novos veículos energéticos disse que, em março, o volume de encomendas na loja disparou, “atingindo em duas semanas o que antes era feito num mês”.
Na Austrália, os preços do petróleo em alta também fizeram com que muitos trabalhadores que diariamente percorrem dezenas ou centenas de quilómetros para ir e voltar do trabalho afirmassem, de forma direta, que “não dá para aguentar”, virando as atenções para os automóveis elétricos chineses que poupam dinheiro e são convenientes. Recentemente, algumas marcas chinesas de veículos elétricos viram um grande número de clientes colocar questões na Austrália.
Ao entrar em 2026, os automóveis elétricos e outros veículos energéticos da China, com liderança em capacidades de digitalização/automatização e boa relação custo-benefício, continuam a apresentar um forte ímpeto de crescimento nas vendas no estrangeiro.
Na Europa, este ano, nos primeiros 2 meses, as vendas de veículos energéticos de várias marcas chinesas aumentaram acentuadamente em termos homólogos; no Brasil, este ano, em fevereiro, os veículos elétricos chineses chegaram ao topo pela primeira vez da tabela de vendas a retalho do país.
Os dados divulgados também pela Federação/Associação da Indústria Automóvel da Austrália mostram que, em fevereiro deste ano, os automóveis provenientes da China vendidos na Austrália totalizaram 22.362 unidades, tornando-se pela primeira vez a maior origem de novos automóveis mensais na Austrália, quebrando a posição de liderança que o Japão mantinha há muito tempo desde 1998.
E, para o povo dos EUA, os elétricos chineses são ainda mais uma coisa de que “se gosta, mas não se consegue ter”. De acordo com dados de um inquérito recentes citados pela Reuters, cerca de metade dos inquiridos norte-americanos que pretendem comprar um carro nos próximos dois anos consideram que os carros chineses têm uma relação custo-benefício muito boa ou excelente. No entanto, devido a restrições de política, os consumidores têm dificuldade em comprar elétricos chineses dentro dos EUA.
De “uma escolha de nicho” para “o candidato forte”, o crescimento dos veículos energéticos chineses no mercado externo, para além do “vale mesmo a pena e dá para poupar”, está ainda mais ligado às necessidades urgentes de vários países para acelerar a autonomia energética e a transição verde.
Por exemplo, na Tailândia, em 2022, a estratégia de automóveis elétricos da Tailândia foi lançada de forma abrangente e definiu o objetivo de “em 2030, alcançar zero emissões em 30% do total de automóveis”. Para o efeito, a Comissão de Promoção do Investimento da Tailândia lançou várias políticas de incentivos fiscais, abrangendo etapas como a produção de veículos completos, sistemas de baterias e infraestruturas de carregamento e substituição de baterias.
A olhar para o mundo, as principais economias estão a acelerar a formulação de políticas para promover veículos com novas energias. Sob o impulso combinado das políticas e do mercado, a taxa de penetração global dos veículos com novas energias está a aumentar rapidamente. Segundo cálculos anteriores da Agência Internacional de Energia, em 2030 a procura global de veículos com novas energias atingirá 45 milhões de unidades.
Hoje em dia, a China já formou uma cadeia completa de indústria de novas energias — desde a extração de lítio na cadeia a montante, ao desenvolvimento de materiais, passando pela cadeia a meio, como baterias de potência e produção de veículos completos, até à cadeia a jusante, como infraestruturas de carregamento e serviços inteligentes. A capacidade de controlo de custos e a velocidade de iteração trazidas pelas vantagens em toda a cadeia industrial são difíceis de replicar por outros países a curto prazo. A enorme lacuna na procura do mercado pode ser exatamente preenchida pela produção chinesa.
Tal como a crise do petróleo de há meio século deu origem ao crescimento global dos carros japoneses, hoje, numa nova fase de alterações no panorama energético, os veículos energéticos chineses, que detêm a tecnologia de baterias e vantagens em toda a cadeia industrial, estão a posicionar-se numa janela de oportunidades semelhante.
A troca do carro do primeiro-ministro da Tailândia parece um assunto pequeno, mas reflete uma revolução energética profunda e uma mudança no panorama industrial.
Quando as mudanças de época se encontram com a rutura tecnológica, a produção chinesa será avaliada pelo mercado.
Fonte: Sanliqiao
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